Os sanguessugas evangélicos

O Brasil descobriu que tem lobos vestidos de pastores; uma corja imunda. São os políticos evangélicos que gatunaram o Ministério da Saúde; testas-de-ferro de igrejas, apóstolos e bispos mentirosos que afirmavam haver necessidade de eleger crentes para o Congresso Nacional com um discurso de que almejavam os interesses do Reino de Deus.

Por favor, não insistam em me pedir que seja misericordioso com esses ratos alados: eles sugaram o sangue de brasileiros pobres. A única sugestão que tenho para eles é que cada um amarre uma corda no pescoço e se jogue de uma ponte para dentro de qualquer esgoto.

Por favor, não insistam comigo. Não serei compreensivo. Estou enfurecido. De nada me valerão argumentos de que esses políticos evangélicos podem ser escuma fétida, mas que pregam uma mensagem libertadora. Não tolero mais ouvir essa desculpa. Não acredito que a causa evangélica precise conviver com tanta ignomínia, desde que “salve almas”. Nenhuma “salvação” seria tão excelente que justifique essa indecência que veio à tona, mas que há tempos corre frouxa nos porões das mega “empresas-igrejas” que mercadejam esperanças.

Por favor, não insistam em me dizer que esses políticos foram inocentes úteis, ludibriados por máfias poderosas. Ora, ora, qual o grande discurso triunfalista evangélico, repetido até cansar? “Somos cabeça e não cauda!”. E agora? Depois que se ouviu tanto que a presença de políticos crentes no Congresso salgaria o Brasil, como se organizará a próxima “Marcha pela Salvação da Pátria?”.

Por favor, não insistam em me dizer que os ladrões são poucos, e que não representam o perfil evangélico. A bancada evangélica foi a maior desse escândalo das ambulâncias superfaturadas. Os crentes lideraram essa gigante maracutaia.

Se alguma igreja, que elegeu um desses congressistas, tivesse um mínimo de brio humano (nem precisaria ser brio cristão), deveria retirar do ar seu programa de televisão; pedir um tempo; expulsar seus políticos; prometer que jamais tentará eleger alguém; e fazer uma Reforma em sua teologia. Porém, sabe-se que isso jamais acontecerá, o que eles menos têm é vergonha na cara.

Por favor, não insistam em me pedir que algum dia me sente em qualquer evento, simpósio ou conferência na companhia dessas igrejas, ou que argumente sobre suas teologias e mentalidades. A Bíblia me proíbe de sentar na roda dos escarnecedores. Não devo considerá-los irmãos; esses pastores, bispos e apóstolos devem ser encarados como escroques, que merecem mofar na cadeia o resto da vida.

Por favor, não insistam que eu me cale diante de engravatados de Bíblia na mão, quando sei que eles tentam esconder sua condição de sepulcros caiados. Neles, cabe a carapuça de raça de víboras; mataram velhinhos, condenaram crianças e acabaram com os sonhos de muitas mães. Igrejas que se beneficiaram do esquema de roubo do orçamento da saúde merecem ser sepultadas numa vala comum, e tratadas com o mesmo desprezo que tratamos as empresas de fachada do narcotráfico.

Por favor, me acompanhe em minha indignação. Os líderes evangélicos não podem permanecer de braços cruzados, corporativamente defendendo meliantes fantasiados de sacerdotes.

Por favor, não esperemos que um próximo escândalo nos acorde de nossa complacência.

Há necessidade de uma reforma ética entre os evangélicos.

E ela tem que ser urgente.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

Fonte: Fora da Zona de Conforto!

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A Bíblia é livro para criança!

“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar… Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz… E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura… E disse (Jesus): Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Gn 3.15; Is 9.6; Lc 2.12; Mt 18.3

Criança! Está no centro da Bíblia!

No jardim, a Trindade nos prometeu a Criança!

O antigo testamento conta com o Deus formou e conduziu um povo para que a Criança, nascendo de mulher, pelo poder do Altíssimo, fosse trazida para a história, a fim de abençoar a humanidade.

O novo testamento conta como a Trindade formou e conduz o povo que leva a Criança, a toda a humanidade, para abençoar a nossa história, para que a nossa história termine em salvação.

E a Criança, que cresceu em graça e sabedoria, diante de Deus e dos homens, portanto, sem perder a “criancitude”, disse que quem quiser viver sob o reinado dos céus tem de se tornar criança.

Criança é a fase do ser humano onde o Pai é tudo, sabe de tudo, e pode tudo!

Criança confia no Pai, e não tem medo da vida, porque o Pai pode tudo!

Criança usa a sabedoria do Pai, e não tem medo do desconhecido, porque o Pai sabe tudo, de tudo!

Criança usa o discernimento do Pai, e sempre sabe o que é certo e o que é errado, porque o Pai discerne tudo!

Criança desfruta do sustento do Pai, e não tem medo do infortúnio, porque o Pai tem tudo.

Criança ama o Pai com tudo e acima de tudo!

Criança obedece o Pai em tudo!

Criança depende do Pai em tudo e para tudo!

Criança descansa no Pai!

Criança, nos braços do Pai, está salva!

Criança, nos braços do Pai, é segura!

Criança, nos braços do Pai, se gosta, porque se sente amada!

Criança, nos braços do Pai, é feliz!

O Deus Filho se fez criança para que todo o ser humano criança se deixe fazer.

O FIlho se fez criança para nos mostrar o Pai! O Pai que é tudo e, tudo, a nós, em nós, e, para nós, quer, e graças ao Filho, o pode ser.

A Igreja é a parte da humanidade que, por meio do Filho, foi adotada pelo Pai, e habitada pelo Espírito; recuperando, assim, a “criancitude”.

A Igreja é a parte da humanidade que sabe, que ser adulto é ser criança que cresceu em graça e sabedoria, diante de Deus e dos homens.

A Igreja proclama: O Pai nos mandou o Filho, o Filho nos leva de novo ao Pai e o Espírito nos faz nascer de novo, e faz, de nós, filhos, nos faz crianças de novo, crianças como todo ser humano deveria ser.

A Igreja convida: vem ser criança com a gente!

A Bíblia é o livro, cujo centro é a Criança! A Bíblia é o livro da Criança, para que crianças voltemos a ser… E para sempre. A Bíblia é livro para criança!©ariovaldoramos

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Pensando nos Neo-evangélicos na política

É impressionante mas tenho que admitir: O movimento evangélico no Brasil é uma força social. Mas é só. Só isso. Força social porque é uma massa manipulável pelos líderes religiosos. Essa força não tem nada a ver com a fé simples. É uma força política, tem cara de religião, tem jeito de religião mas é apenas força política. A fé é uma desculpa que seus líderes usam para domesticar o “ser humano” que para eles tem mais cara de um “pet”. Em nome de Deus se faz tudo, e na ânsia do enriquecimento Cristo é a melhor ferramenta. Não há uma força de essência, de conteúdo. Os líderes é que determinam o que a massa faz. Isso é próprio dos movimentos pósmodernos. É bom que façamos nos entender que o pósmodernismo se caracteriza por esse estilo. Nem Marx e nem Cristo são o centro de seus movimentos nos dias de hoje. O que existe é uma fragmentação total. Se os Marxistas se enfraqueceram, os evangélicos também, pois sequer conseguem conviver com o que é essencial. Destroem-se muito facilmente porque acabam sendo sectaristas. Nunca vi tanto vazio, como vejo dentro das igrejas evangélicas. A igreja evangélica entrou em colapso. Luiz Augusto.

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Precisamos de pensadores

O ser humano deixou de pensar há muito tempo. Somos reflexo de uma sociedade que não pensa, tratamos os outros como se não pensassem, perdemos a condição de sermos, literalmente, “homo sapiens”. Gente que reflete, que pára para pensar e pensar na vida, na morte, em si mesmo, nos outros, e buscarmos extrair por si mesmos conclusões sobre Deus, sobre o Universo, sobre o “cosmos”. Enfim gente que bota a cabeça para fazer o que ela tem de melhor.
Perdemos esta característica em primeiro lugar porque nos tornamos pragmáticos. Temos que fazer as coisas darem certo. E isso sempre na primeira vez. O erro está descartado. Como se nós fôssemos os criadores e mantenedores do mundo, ou talvez porque cremos num Ser que não nos dá a possibilidade de perder ou gastar tempo com a vida seja ela certa ou errada. Tormamo-nos homens e mulheres que não nos permitirmos passar mais de 10 minutos contemplando alguma coisa ou alguém. Se essa atividade não trouxer resultados em curto prazo, descartamos. Vivemos dizendo que a vida é muito curta.
Mas também paramos de pensar por que simplificamos a vida. Assim como acendemos uma lâmpada, assim somos com a vida. Não temos mais paciência nem com os outros, nem conosco mesmos e nem com Deus. Tudo tem que ser rápido, isso custa tempo e dinheiro. Queremos que nosso casamento seja perfeito e tenhamos menor “custo-benefício” com o cônjuge. Por isso hoje se leva mais tempo para se casar. Vivemos querendo uma pessoa “ideal”. Mas ele ou ela tem que ser ideal para dar certo em curto espaço de tempo. Somos hoje, seres que simplificam a vida e por isso nos tornamos mais superficiais. Não temos mais tempo a perder. Somos seres automatizados, instantâneos. Não temos muito tempo nem para orar.
E por fim paramos de pensar por que nos tornamos utilitaristas. Isso serve até em nossa relação com Deus. Nosso relacionamento com Deus e com as pessoas é primitivo, é de força, é de poder, é de eficácia. Se ele não traz para nós benefícios de qualquer espécie, descartamo-lo. Assim eram os povos que imaginavam a Deus e se referiam a Ele apenas como um deus forte. O deus de vitória. Não nos relacionamos com Deus porque Ele é um ser como nós, que queremos manter comunicação pelo prazer de um relacionamento a longo prazo. Pensar em eternidade, hoje, é algo impossível, pois Deus tem que ser o Deus do aqui e agora. Usamos o seu poder, a sua graça, a sua misericórdia para que tenhamos benefício. Somos mais parecidos com a mulher de Jó, do que com o próprio Jó.
Precisamos voltar a pensar. Pois somente esta possibilidade nos completa como seres humanos. Como Deus uma vez nos criou: seres pensantes. Só uma pessoa que pensa, pode criar. Albert Camus disse certa vez: ‘São os ociosos que transformam o mundo, porque os outros não têm tempo algum’. Concordo com ele. Os que hoje estão correndo, nunca vão poder parar para pensar. São robôs, condicionados e direcionados por outros. Deus nos dá hoje a possibilidade de reverter esse quadro. A graça de Deus existe para tornar o ser humano melhor, e isso não tem a ver com maior produção, mais ganho, mais lucro, e sim torná-lo cada vez mais parecidos com Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Rev. Luiz Augusto

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Frases da Madre Teresa de Calcutá

“Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.”

“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

“O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.”

“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

“Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiracão, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.”

“Se um dia eu for Santa, serei com certeza a santa da escuridão’. Estarei continuamente ausente do Paraíso”, escreveu a monja”

“O senhor não daria banho em um leproso nem por um milhão de dólares? Nem eu. Somente por amor se pode dar banho em um leproso.”

” … Se você vive julgando as pessoas, não tem tempo para amá-las … ”

“Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba.
Não ame por admiração, pois um dia você decepciona-se…
Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação!!!”

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A NOSSA LOUCA OBSESSÃO

Mensagem pregada por Lairton Lira Cruz, Jr. Domingo pela manhã 26/02/12

“{Ai} daqueles que dizem: Que ele se avie, que faça já sua obra, a fim de que a vejamos. Que o plano do Santo de Israel se execute para que o conheçamos!”
(Versão Católica – Isaías 5:19).

Permitam-me começar com a carta de uma pessoa que buscou aconselhamento, escrevendo a um pastor. Ela assim disse,

Pastor!

Não sei se vou me fazer entender… Mas preciso de compreensão. Preciso de ajuda porque meu questionamento está influenciando minha maneira de ver Deus e a palavra. Deus tem um plano em cada criatura como dizem muitos pastores em seus sermões? EU NUNCA VI ISSO NA BIBLIA. O que eu vi, foram certos escolhidos para um determinado fim; e esse fim tinha muito a ver com Israel e com a preparação para vinda do Messias. Depois disso, já no Novo Testamento, a propagação do Evangelho para gentios; e no mais, coisas que ainda estão por vir. Agora dizer que para todos existe um plano… Não sei NÃO. As implicações que isso me causou e causam são: Tornei-me uma pessoa sem objetivos na vida. Esperando um algo que nem eu sei o que é. Talvez o encaixe de peças que dariam em algum lugar ainda nessa terra, porque céu… Pelo menos por enquanto me parece não ser para o momento. Esperei um casamento vindo das mãos de Deus. Não aconteceu. Não existem os “chamados homens de Deus pra alguém”. (inclusive, palavras suas). Esperei filhos que não vieram, uma vez que não faço sexo fora do casamento e do amor. Esperei uma vocação para algo produtivo, não aconteceu. Esperei isso, aquilo e aquilo outro. NADA. Inclusive esperei uma vida em abundância nos termos espirituais e não acho que vivo isso. Não pense que sou uma pessoa que não faz nada da vida. Estou sempre em atividade, tenho emprego, ganho relativamente bem, vivo ajudando pessoas em seus relacionamentos e questionamentos, vivo incentivando todos a perseverarem na fé e etc., etc. Vou levando como posso. Tenho amigos e me relaciono até direitinho com família, irmãos em Cristo, amigos e outros. Mas nada tem fruto que se possa ver, ou provar. Nada faz sentido. QUE PLANO É ESSE? Já não sou novinha; e NADA de NADA. Já viajei muito, me formei, amei, e NADA absolutamente NADA faz sentido para eu poder dizer que faz parte de um “PLANO”. Onde vai dar essa história? (em se tratando do planeta terra) O mais engraçado é que eu não duvido do AMOR D’ELE. Sinto e sei de todo o cuidado, guarda e sustento que Ele me dá. Eu só não O entendo mais. Muito menos entendo o que Ele quis ou quer de mim e para mim. Acho por vezes que Ele só tem um plano coletivo para humanidade, separando alguns para o sucesso desse objetivo. Sinto como quem olha para trás e não vê algo de valor em sua história. Muito sem esperança e totalmente sem fé no ser humano (o que já é outra história… Isso, por ver tantos doentes, principalmente crentes, doentes da alma). Por que se não existe um plano que vai dar em algum lugar e a vida é feita de escolhas… Onde vão dar as escolhas? Os homens (homem/mulher) já sofreram de surto coletivo faz tempo, onde o que importa é o bem estar do momento. E aí? As escolhas dão em algum lugar sem rumo? Sorte? Como fica? Fazemos todos parte de uma massa, de um todo? Deus se preocupa com as minúcias da individualidade de cada um? Fala comigo. Ninguém sabe dessas minhas angústias… Evito falar para não colocar dúvidas no coração de ninguém.

PAZ!

Há em nós uma verdadeira obsessão pelo sucesso, pela prosperidade, pelo bem-estar material. A nossa fé foi corrompida pelo espírito desta era. A nossa relação com Deus tornou-se, infeliz e desgraçadamente, pragmática, utilitarista, consumista, uma vez que a idéia de que Deus tem um “plano” para cada um de nós aqui e agora – do tipo que, ao fim, tudo vai dar certo do jeito que nós achamos que deva dar certo -, destruiu o que realmente significa viver o discipulado radical de Cristo em graça e fé.
Não estou querendo dizer que Deus esteja muito ocupado para não se importar com o que nos interessa. Não é isso! Criou-se, entretanto, a idéia de que Deus tem um marido eleito ou uma esposa eleita para nós; de que o melhor emprego está reservado para nós; de que o nosso direito será sempre respeitado; de que, se a vontade de Deus for feita nas nossas vidas, as dificuldades passarão ao largo delas; de que a nossa enfermidade vai ser curada extraordinariamente. Ele tem um plano para você! Ele tem uma promessa para você! Ele tem um propósito para você! O plano não tarda! A promessa não tarda! O propósito não tarda! Espere irmão! Espere irmã! E continue esperando…, pois não é assim que a banda toca.
Nas Escrituras, com algumas poucas exceções, tais como as palavras de Jesus sobre o futuro de Pedro com respeito à sua morte em Mateus 21; as palavras de Ágabo sobre a prisão de Paulo em Jerusalém em Atos 21; os planos para a construção da arca dados a Noé em Gênesis 8; ou ainda as palavras de Isaías sobre a morte de Ezequias e a sua cura maravilhosa em Isaías 38; Deus nunca revelou em detalhes minuciosos o que haveria de suceder a seus servos. Há, em contrapartida, uma espécie de idéia corrente no meio evangélico, até mesmo dito reformado, de que Deus nos mostrará passo a passo o que fazer – uma espécie de “diretório”, fornecido por Deus, que diz com detalhes como as peças da vida se encaixam.
A nossa curiosidade em saber o que o futuro nos reserva é uma atitude pagã, comparável às práticas do candomblé, do espiritismo, da cartomancia, da quiromancia, do pentecostalismo folclórico, que nada tem a ver com fé porque o que a palavra de Deus é que, “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de atos que se não vêem” (Hb. 11:1). Nós precisamos entender que o plano de Deus requer fé e não adivinhação, graça e não sucesso.
Difundiu-se entre nós uma estória de que Deus tem um “plano” para cada criatura. Deus tem uma “promessa” para você. Deus tem um “propósito” para você. Os crentes de fé ingênua e imatura esperam e esperam credulamente, e continuam esperando, mas esse “plano”, “promessa”, ou “propósito” anunciado de maneira irresponsável e inconsequente, não decretado por Deus, geram neles uma expectativa que, para a sua frustração e decepção, não se cumprem de acordo com os seus anseios acalentados por “palavras proféticas”.
Há cristãos que passam a descrer não de Deus, e até de Deus, mas, principalmente de pastores e pregadores, de suas palavras em nome de Deus, que são, na verdade, um engenho de suas imaginações criativas e fantasiosas. No afã de mostrarem-se usados pelo Espírito Santo e ansiosos por arrebanharem multidões com as suas revelações pseudo-carismáticas, eles falam de sua própria carne e desapontam a esperança imatura de cristãos, cuja fé não está firmada na Palavra de Deus, mas na palavra de homens inescrupulosos que pretendem roubar a glória de Deus.
No entanto, saibam que a “piração” é um problema que só diz respeito a você ou a mim, que resolveu acreditar em quem não devia e agora tem de lidar com “esse tal plano, promessa, propósito de Deus” para a sua vida, que não acontece e nem vai acontecer. O homem ou a mulher que os profetas de araque disseram que seria o seu esposo ou a sua esposa não passaram de ilusão. A casa própria que disseram que iria comprar, você não a comprou. O emprego com um salário de R$ 15.000,00 que disseram que você iria conseguir você não conseguiu e ainda perdeu o que tinha.
Se pensarmos que o plano de Deus é um mapa astrológico, com ascendência em plutão, sob a influência de saturno, de modo que todos os nossos caminhos podem ser previamente conhecidos, nós devemos ter certeza de que fomos enganados e feitos vítimas de uma grande picaretagem. O que existe de crente neurótico e paranóico por causa desse “tal plano de Deus” irrealizável, é brincadeira de mau gosto. Eles não conseguem fazer mais nada na vida, porque caíram em um vazio existencial. É de fazer dó! As igrejas estão cheias de pessoas frustradas, cujos sonhos foram roubados, extorquidos, tornados em pesadelo, com promessas que a graça do Evangelho não faz e estão hoje profundamente amarguradas, decepcionadas, desiludidas, por causa de pregadores sem compromisso algum com a verdade, mas que só fizeram mal àqueles que creram piamente que Deus lhes falava.
O que eles vociferaram arrogantemente de seus púlpitos é dito de maneira absoluta, como se Deus, lá do seu alto e sublime trono, estivesse realmente falando em nome deles. Você vai conseguir tal e tal emprego. Você terá vitória em sua causa de tal e tal jeito. Você experimentará ainda a cura de sua enfermidade assim e assim. Você vai prosperar em seu negócio no ano que vem de modo nunca antes visto. Você deve escolher fulano de tal para casar. Você verá a sua família convertida a Cristo. Você terá o seu casamento restaurado. Você recuperará tudo o que perdeu. Você vai adoecer se não obedecer à revelação de Deus. Você ou vem pelo amor ou pela dor. Será que é mesmo assim?
Que Deus cruel, perverso e caprichoso é esse? Mas o Deus que nós conhecemos é o mesmo Deus de quem o apóstolo João disse que é amor. Ele é o Deus que, pela Palavra encarnada, é revelado como digno de total e absoluta confiança, de modo que aquele que n’Ele crê não será vexado, porque Ele não promete nada além, do que a sua graça.
Um pensador cristão adverte-nos sobre o assunto, esclarecendo-nos, “Esse tal ‘plano de Deus’ dos crentes, não só é vício pagão, como é uma espécie de cartomancia gerencial histórica, disfarçada de fé. E nisso há tudo – insegurança, idiotice, infantilismo, ignorância, covardia, etc. – menos fé. Para mim, tudo é muito simples. Nunca procurei tal plano. Apenas segui, em fé, os desejos de meu coração sempre que eles, genuinamente, apontavam e apontam o que é bom… ‘Fazei tudo de coração como para o Senhor!’ Sim, porque ‘a boa, agradável e perfeita vontade de Deus’ não é adivinhação, mas, sim, que eu não me conforme com este século, e me deixe transformar pela renovação de minha mente; ou seja: de meu entendimento crescentemente harmonizado com o espírito do Evangelho” (CAIO FÁBIO).
Nós fomos chamados a viver pela fé na graça e não tentando adivinhar o que pode nos acontecer, como se fé fosse saber o que vai nos suceder, só porque botamos na cabeça que o plano Deus significa discernir a priori, ou seja, saber o que Ele vai realizar nas nossas vidas com antecedência e em detalhe sobre o nosso futuro, na tola expectativa de que passaremos à margem dos sofrimentos e tribulações da vida. O plano de Deus para as nossas vidas não é uma rotina que seguimos passo a passo, sabendo de antemão o caminho e os seus percalços, a fim de evitá-los, porque crente que é crente não fica doente; não sofre revezes; não tem depressão; não entra pelo cano nos negócios, não leva um NÃO na cara. Deus é soberano sobre todas as coisas no universo que criou, sejam visíveis ou invisíveis, entretanto, mesmo assim, nós ainda temos de fazer escolhas, aproveitar as melhores oportunidades, tomar decisões com bom senso, correr riscos inerentes a certos empreendimentos, fazer planos para alcançar determinados objetivos, e sonhar porque sonhar é viver com esperança. E em nada, a soberania de Deus será afetada.
Apesar da soberania de Deus, a nossa vontade não é violentada, portanto, nós fazemos escolhas e tomamos decisões, algumas delas acertadas e outras desastrosas. Nós escolhemos as nossas profissões. Nós escolhemos os nossos cônjuges. Nós escolhemos os nossos empregos quando podemos. Nós escolhemos onde moramos. Nós escolhemos a comunidade de discípulos onde comungamos. Nós escolhemos os nossos amigos. Nós escolhemos quantos filhos queremos ter e criar. Nós escolhemos os nossos negócios. Nós escolhemos ficar solteiros ou casar. Nós escolhemos, porque Deus nos permite escolher e tomar decisões que estão dentro de nossa alçada enquanto seres morais responsáveis por seus atos. Essas escolhas e decisões envolvem a possibilidade de sucesso ou fracasso, e Deus continuará sendo absolutamente soberano sobre tudo. Assim é a vida! Quem está na chuva vai se molhar. Porém, se tais decisões e escolhas forem tomadas conforme o espírito do Evangelho, elas podem e têm uma grande chance de ser bem sucedidas. O sábio ensina, “Confia ao Senhor as tuas obras e os teus desígnios serão estabelecidos” (Pv. 16:3).
A verdade é que o plano de Deus nunca nos é revelado a priori, e nem mesmo a posteriori, nunca de antemão e nem sempre posteriormente. Nós não viveríamos pela fé, mas, sim, pelo plano em si, caso os mistérios da vontade soberana de Deus nos fossem revelados antes que acontecessem. Viver pela fé em graça significa viver sempre dando razão ao Criador. O sábio ainda afirma, “Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?” (Pv. 20:24). Embora não tenhamos nós a compreensão necessária para discernir os movimentos de Deus, Ele tem sempre e sempre terá razão no que faz para e pelo bem de nossas vidas. Em verdade, o seu plano para as nossas vidas não é outro senão que nós sejamos transformados à semelhança de Cristo, pois para isso Ele nos salvou a fim de alcançarmos a perfeita varonilidade. A sua vontade é que sejamos gente de coração bom, de mente boa, de alma boa, como Jesus.
O propósito de nossas vidas é que não nos conformemos ou tomemos a forma, ou nos deixemos ser formatados segundo os moldes deste mundo em que vivemos, mas nos escancaremos à transformação, à transfiguração, à regeneração, pelo renovar de nossa mente através da ação do poder do Espírito Santo, para que então experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm. 12:2).
Há muita gente querendo adivinhar o que Deus decretou, esperando ver no céu uma espécie de sinal, como a cruz que apareceu supostamente a Constantino, quando atravessou a Ponte Mílvio. E não se dando por satisfeito, elas esperam também erguer os olhos e verem um lábaro com os seguintes dizeres: “Por este sinal vencerás”. Isso não é soberania nem providência de Deus, muito menos fé em graça, mas misticismo do mais puro exemplar. O justo viverá pela fé, portanto, quem é justo em Cristo vive o presente, na expectativa do futuro, de maneira sensata e equilibrada, conforme o Evangelho da graça, no poder do Espírito Santo, com sanidade, bom senso, fé, graça, amor e esperança.
“Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações” (I Pe. 4:7). Este é o aviso para nós nestes dias amalucados.
Andemos, pois, de acordo com o Evangelho da graça, de maneira sábia e prudente, buscando o bem e vivendo em amor, convictos de que a graça de Deus é suficiente para manter-nos de pé nos momentos cruciais da nossa existência.
Deixemos de lado a infantilidade e a meninice na busca de respostas para as quais não teremos de Deus respostas, mas, sim, o seu amém. Portanto, assim seja, segundo a sua vontade nas nossas vidas, conforme o poder da graça que opera em nós através de Cristo. E vivamos as lutas e as tréguas, as borrascas e a bonança, a saúde e a doença, os problemas e as soluções, os sucessos e os insucessos, as realizações e as frustrações, enfim tudo o que a vida tem a nos oferecer e com o que nos desafiar.
Não queiramos saber outra coisa senão que o plano é viver a vida de Cristo em nós plantada pelo Espírito, com bom senso, conforme o Evangelho da graça, e assim descansar no fato de que a nossa vida está oculta em Cristo, a quem, à propósito, nós sempre daremos razão, pois Ele é a nossa vida. (Cl. 3:3). Amém.

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Frases de Santo Agostinho de Hipona

“Perguntei à terra,
ao mar, à profundeza
e, entre os animais, às criaturas que rastejam,
Perguntei aos ventos que sopram
e aos seres que o mar encerra.
Perguntei aos céus, ao sol, à lua e às estrelas
e a todas as criaturas à volta da minha carne:
Minha pergunta era o olhar que eu lhes lançava
Sua resposta era a sua beleza. ”

“A Lei foi dada para que se implore a graça; a graça foi dada para que se observe a lei. ”

“A medida do amor é amar sem medida.”

“Dois homens olharam através das grades da prisão;
um viu a lama, o outro as estrelas.”

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AOS DESESPERADOS DE ALMA

por Lairton Lira Cruz, Jr

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS 10:46-52
(Nova Versão Internacional)

46.Então chegaram a Jericó. Quando Jesus e seus discípulos, juntamente com uma grande multidão, estavam saindo da cidade, o filho de Timeu, Bartimeu, que era cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas. 47.Quando ouviu que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” 48. Muitos o repreendiam para que ficasse quieto, mas ele gritava ainda mais: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” 49.Jesus parou e disse: “Chamem-no”. E chamaram o cego: “Ânimo! Levante-se! Ele o está chamando”. 50.Lançando sua capa para o lado, de um salto, pôs-se de pé e dirigiu-se a Jesus. 51.“O que você quer que eu lhe faça?”, perguntou-lhe Jesus. O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver!” 52.“Vá”, disse Jesus, “a sua fé o curou”. Imediatamente ele recuperou a visão e seguia a Jesus pelo caminho.

Em um século, refiro-me ao passado, o progresso científico foi imenso, especialmente em seu último quartel. A ciência expandiu as suas fronteiras. O gênio humano foi capaz de realizar feitos inimagináveis tais qual a descoberta da penicilina, a fissão e a fusão nuclear, a conquista da lua, o computador, a telefonia celular, a engenharia genética, a clonagem, o projeto Genoma, etc. O século XX foi marcado por grandes desenvolvimentos científicos, e o novo século já encaminha outros tantos. E aí a humanidade crê que se basta a si mesma. As conquistas geraram, no coração humano, um sentimento de auto-suficiência.
Contudo, nós todos precisamos reconhecer que, diante das questões mais decisivas e cruciais da existência, nós nos deparamos inevitavelmente com o desespero humano. Por exemplo, na obra de Franz Kafka detém a escrever sobre “o desespero do homem moderno em relação à existência, a eterna busca de algo que não está mais à disposição, a pergunta por aquilo que não tem resposta”, segundo a análise do comentarista Marcelo Backes, estudioso das obras do escritor húgaro.
Apesar da grandeza do gênio humano, nós temos de admitir que a vida é maior do que nós mesmos e não temos as respostas que queríamos para os seus enigmas. Conquanto seja a humanidade capaz de tantos avanços e progressos científicos, há momentos cruciais na vida que revelam inevitavelmente toda a nossa fragilidade e impotência ante o mistério da existência. As nossas limitações se tornam mais evidentes do que nunca. Elas nos achatam quando olhamos para o universo e nos descobrimos pequenos demais.
É sobre o desespero existencial de um homem que eu gostaria de falar-lhes. Eu desejo falar sobre Bartimeu. Ele era um cego que mendigava na saída de Jericó, uma cidade da Palestina, onde costumava assentar-se à beira do caminho estreito de suas estradas. Ele costumava pedir ali esmolas aos viajantes. O evangelista Marcos conta-nos que Jesus, na companhia de seus discípulos e de grande multidão, passou pelo mesmo caminho onde Bartimeu esmolava. Ao saber que era Jesus, o Nazareno, ele começou a gritar frenética e desesperadamente, dizendo: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” A sua condição de cego, mendigo e pária, quer para a sociedade quer para a religião judaica, não lhe permitia outra atitude senão a de gritar por socorro em seu desespero humano.
Deixemos, agora que Jesus nos fale qualquer que seja a condição na qual nos encontremos, porque a única resposta para o desespero humano está n’Aquele que conheceu como nenhum outro o que é o desespero humano ao revelar-se como “o homem de dores por excelência”, pois sabe o que é padecer. Se para o mundo, a sociedade e a religião, Bartimeu era invisível, para Jesus, ele foi descoberto, encontrado, achado, porque “[...] não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar (não em juízo, mas em graça). Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. E que confissão é essa: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb. 4:13-16).
Assim sendo, Jesus vem ao encontro daquele que, apesar de seu desespero, consegue enxergá-lo vindo até ele como ninguém menos que o misericordioso Filho de Davi. O desespero – irmãos e irmãs – embota a nossa visão. O desespero cega os desesperados. Bartimeu era cego. A sua cegueira fê-lo mendigo. Ele esmolava porque era cego. Essa era a sua condição. O homem vivia o desespero de uma vida na escuridão e na miséria. E há tantos que, em seu desespero, jazem na escuridão e na miséria! Os seus olhos estão obscurecidos, porque, diante deles, a luz da vida deixou de brilhar, seja por qual razão for, em virtude do mal inevitável do sofrimento, neste mundo decaído de crises, tormentos, tristezas, rupturas, injustiças, ingratidões, abandonos, que fazem a alma humana agonizar com a dor lancinante do desespero da alma. Mas Jesus conhece essa dor lancinante que esfola a alma humana e não ignorou os rogos de Bartimeu, que não o via por causa de seu desespero, contudo o ouvia e confiava que Aquele que por ali passava era o misericordioso Filho de Davi, ou seja, o Cristo do Deus que é todo compaixão e misericórdia, porque Deus é assim e pronto. E ali, em Jericó, estava Aquele que é “o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1:3). Bartimeu, ao saber que Jesus passava pelo caminho, começou a gritar insistentemente: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” Quem mais neste mundo poderia ter compaixão de nós senão o próprio Deus? “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás (Sl. 50:15). E “Perto estão Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Sl. 145: 18). Ele é o Deus da compaixão e da misericórdia, apesar de que a teologia reformada super-enfatize a ira de Deus, como se Deus precisasse da nossa apologia e advocacia de sua santíssima glória. O resultado final dessa visão teológica distorcida do caráter do Eterno é que Deus acaba parecendo, ao ser humano desesperado da própria esperança, um ser distante, indiferente, intocável, insensível, ante a sua miséria. Todavia, que a teologia declare o que declarar acerca de seu deus hermeticamente empacotado nas suas definições à vácuo, mas Deus, o Filho, tornou-se gente de carne e osso, para se identificar com gente como a gente que experimenta aqui e acolá nesta vida caída a escuridão do desespero. Por isso, Bartimeu voltou-se para Aquele que não muda em sua terna compaixão e misericórdia. Nem mesmo as repreensões do povo para que se calasse demoveram-no de sua insistente petição por compaixão e misericórdia para o seu desespero. Entretanto, em um mundo sem compaixão e misericórdia, os clamores são silenciados. Em um mundo onde o que aqui se faz aqui se paga, os clamores são silenciados. Em um mundo onde se recebe o que se merece, os clamores são silenciados. Porém, na economia da graça de Deus, as coisas funcionam de maneira diferente, porque a graça de Deus é sempre extravagante quando olhamos para Ele que olha para o nosso desespero. “Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.
Portanto, os desesperados que respondem em fé ao chamado do misericordioso Filho de Davi encontram Jesus a própria graça. Marcos nos diz que Jesus parou e pediu aos seus discípulos que o chamassem. Jesus parou porque o ouviu clamando. Ele continua até hoje parando, porque tem ouvido muitos clamando por sua compaixão e misericórdia. Não foi por compaixão e misericórdia que Ele se fez gente como nós para vir ao nosso encontro? O pobre cego foi então animado pelos discípulos de Jesus que o avisaram que Ele o chamava. Jesus foi movido de compaixão e misericórdia ao chamá-lo. Não foi porque Bartimeu estivesse reivindicando algo a que tivesse direito e por isso Jesus resolveu atendê-lo. Não é isso o que a narrativa do Evangelho nos ensina. Não foi porque Jesus quis apenas curá-lo de sua cegueira física e resolver o problema de sua pobreza material. Não é isso que a narrativa do Evangelho nos ensina. Não foi porque o sofrimento de Bartimeu era meritório. Não é isso que a narrativa do Evangelho nos ensina. O que nos ensina o Evangelho da graça é que a graça de Deus favorece, perdoa, cura, salva, ama, pacifica, reconcilia, as nossas almas em seu desespero de vida. Assim como o pobre cego Bartimeu, nós não podemos nos erguer acima do que somos, acima dos desesperos dessa existência caída, e, sobretudo, acima da nossa incapacidade de salvar a nós mesmos, sem a graça indizível, inefável, irresistível, de Deus que nos ama furiosamente com um amor que já existia antes de nós mesmos existirmos e dos nossos desesperos acontecerem. Portanto, a única resposta possível a essa graça é a fé, pois, pela graça de Deus, é que somos salvos, não por merecimento nem por direito, mas porque Ele é eternamente movido por sua compaixão e misericórdia para com os que nele crêem. Bartimeu foi curado de sua cegueira por causa da graça de Jesus, na qual ele depositou a sua confiança desesperada. A própria graça de Deus, manifestada a ele, na compaixão e misericórdia de Jesus, gerou a fé que em Bartimeu produziu a confiança para depender exclusivamente de sua graça salvadora. Por isso, ele clamou a quem poderia curá-lo. Ele creu para a salvação. É preciso crer para tornar a ver como Bartimeu. É preciso crer para fazer como Bartimeu. Marcos nos diz que ele tornou a ver e seguiu a Jesus estrada fora. A vida de Bartimeu ganhou novo sentido. Ele passou a enxergá-la radiante, brilhante, luzente, pois os seus olhos foram iluminados com a Luz da Vida. Não é sem razão que Jesus, no sermão do monte, adverte-nos a cuidar do modo como olhamos e enxergamos a vida. O nosso bondoso e amável Jesus disse, “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt. 6:22-23) Você pode ser cego, mas, como Bartimeu, ter olhos bons, que olham a vida para além do desespero, porque vê, pela fé, que o desespero que inevitavelmente assola a vida desta existência decaída não é maior que a vida, pois só uma coisa é maior que a vida, a saber, meus amados irmãos e irmãs, a soberana e livre graça de nosso glorioso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nosso supremo bem.
Como é difícil crer que somos como o cego mendigo da estrada de Jericó, pois, até mesmo no desespero, somos cegamente auto-suficientes. Estúpida pretensão humana! É muito difícil em um mundo dominado pela possibilidade de crer-se no que quiser, de não crer em nada e em ninguém senão em si mesmo, de deixar para lá essa coisa de crer em Deus, sim é muito difícil crer que necessitamos da compaixão e misericórdia do Filho de Davi, porque, muito embora Deus esteja em paz com o mundo visto que, em Cristo, Ele se reconciliou com o mundo, o cristianismo religioso, constantinizado, burocratizado e institucionalizado das denominações evangélicas, é como aqueles que queriam fazer Bartimeu calar-se. A isso se unem os avanços e conquistas científicos que nos fizeram acreditar que nos bastamos a nós mesmos. Não precisamos de Deus. Não precisamos da graça de Deus. Não precisamos reconhecer que, diante da questão mais séria da existência humana, somos completa e totalmente impotentes. A nossa razão nos basta, Deus não tem razão. Mas, no frigir dos ovos, nenhum de nós é capaz de curar-se a si mesmo. Nenhum de nós é capaz de erguer-se acima de suas próprias contradições e ambigüidades. Nenhum de nós é capaz de acertar o passo de sua vida com Deus por si só. É preciso crer com fé salvadora que responde ao chamado gracioso de Jesus à graça da salvação de uma vida desesperada nesse mundo falido, para que assim e só assim a vida verdadeira, que é Cristo, passe a ser vista, enxergada, olhada com os bons olhos que foram curados e precisam ser continuamente curados da cegueira do desespero da alma de modo que sempre contemple, no meio do desespero, o semblante glorioso do misericordioso Filho de Davi. Amém.

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JESUS, O AMIGO DOS DESPREZADOS PELO MORALISMO RELIGIOSO

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS 10:46-52
(Nova Versão Internacional)
46.Então chegaram a Jericó. Quando Jesus e seus discípulos, juntamente com uma grande multidão, estavam saindo da cidade, o filho de Timeu, Bartimeu, que era cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas. 47.Quando ouviu que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” 48. Muitos o repreendiam para que ficasse quieto, mas ele gritava ainda mais: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” 49.Jesus parou e disse: “Chamem-no”. E chamaram o cego: “Ânimo! Levante-se! Ele o está chamando”. 50.Lançando sua capa para o lado, de um salto, pôs-se de pé e dirigiu-se a Jesus. 51.“O que você quer que eu lhe faça?”, perguntou-lhe Jesus. O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver!” 52.“Vá”, disse Jesus, “a sua fé o curou”. Imediatamente ele recuperou a visão e seguia a Jesus pelo caminho.

John Merrick, mais conhecido como o “Homem-Elefante”, foi protagonista de uma história marcada pelo desumano e pelo humano. Os manuscritos do Dr. Frederick Treves (O Homem-Elefante e outras reminiscências e, em parte, baseado no Estudo da Dignidade Humana de Ashley Montagu) contam o drama de um homem que, apesar de sua deformidade física, era tão humano, talvez até mais que os seus contemporâneos ou qualquer um de nós. Sir Frederick Treves, anatomista, descobriu aquele ser humano estigmatizado em um circo de aberrações na Londres vitoriana. Assim era a vida de Merrick. Lá ele se alimentava apenas de batatas e sofria seguidos espancamentos. O “Homem-Elefante era apresentado como “a versão mais degradante do ser humano”, em um show de horrores, que causava repulsa em todos os que viam aquele corpo humano, 90% deformado por uma doença de nascença, que só foi diagnosticada oficialmente como “Síndrome de Proteu” em 1996, após exames exaustivos conduzidos em seu esqueleto. Ele sofria de um caso grave de neurofibromatose múltipla.
O aspecto de John Merrick, segundo o seu médico benfeitor, não era somente grotesco. Ele era um fenômeno da anatomia que precisava ser estudado. A sua aparência física era monstruosa: o crânio dilatado com grandes bolas ósseas protuberantes; metade do rosto completamente desfigurado com sobras de peles por toda a parte; uma bronquite aguda que o fazia respirar com se fosse uma besta ofegante; e grossas saliências escamosas expostas na espinha dorsal, como se a sua pele fosse uma couraça. As únicas partes do seu corpo que escaparam da deformidade eram, por ironia, a sua genitália e o seu braço esquerdo. Ele foi inicialmente considerado um débil mental pela sua dificuldade de falar. Todavia, o anatomista inglês, responsável por tirar Merrick do circo de horrores, onde era explorado pelo Sr. Bytes, um mercenário beberrão, conseguiu, por fim, levá-lo para um hospital. Lá o “Homem-Elefante” se libertou emocionalmente e intelectualmente. Ele se revelou uma pessoa sensível ao extremo, que conseguiu recuperar a sua dignidade. Neste momento da sua vida, a Sra. Kendal – diva do teatro inglês e outra importante personagem na vida de Merrick, depois que eles se conheceram por intermédio do Dr. Treves – soube como poucos fazê-lo recuperar a auto-estima. Por motivos óbvios, o chamado “Homem Elefante” tinha grande dificuldade em ver o seu próprio rosto, tanto que, no hospital, foi terminantemente proibido que houvesse qualquer espelho próximo a ele. O drama de Merrick sensibilizou até a coroa britânica que pediu que ele fosse amparado para sempre, pois havia pessoas que eram contra a sua permanência no hospital, porque o seu caso era incurável.
Diante de nós está o Evangelho de Jesus, escrito pelas mãos de Marcos – João Marcos – ele mesmo que se supõe sobrinho de Barnabé e também o jovem que deixou Paulo e o seu tio em meio a uma viagem missionária. Ao analisar o conteúdo da mensagem de Marcos e as suas ênfases, o Rev. Stott destacou, dentre os interesses de seu autor, uma preferência pelo tema do discipulado de Jesus e o custo do fracasso circunstancial no discipulado de Jesus. No entanto, o custo do fracasso circunstancial no discipulado de Jesus é cobrado não pelo Evangelho de Jesus, mas pela hipocrisia, pelo legalismo, pela intolerância, pela falta de misericórdia dos moralistas religiosos que estigmatizam os outros por não conseguirem – e digo mais que eles não devem buscar satisfazer – o padrão moralista dos religiosos. A resposta aos moralistas da religião não é outra senão o desprezo pelas pretensiosas exigências dos modernos fariseus, dos moralistas religiosos, dos caçadores de bruxas, que povoam as comunidades evangélicas ainda nos dias de hoje. Eles simplesmente desconhecem a graça e a misericórdia de Jesus para com os diferentes.
Todavia, apesar da intolerância e incompreensão de Paulo ao dispensá-lo, a experiência de discipulado de Marcos foi decisiva a fim de prepará-lo para escrever o seu Evangelho. Em Atos 13:13, registra-se que Marcos resolveu não continuar a viagem missionária, deixando Paulo e Barnabé e retornando a Jerusalém. Para Paulo, ele demonstrou ser um discípulo sem raízes, desobediente ao chamado do Espírito, e, portanto, recusou-se a levá-lo novamente em outra ocasião (At. 15:38). Não se sabe por que Marcos os abandonou, mas parece que os perigos da viagem foram demais para ele. Portanto, a experiência de Marcos o qualificou a dar ao seu Evangelho uma inconfundível marca de encorajamento a todos quantos consideram difícil o discipulado e inevitavelmente fracassaram em algum momento de sua caminhada com o Mestre. Ele destaca com exclusividade o medo sentido pelos discípulos ao seguirem Jesus e ressalta, de forma única, a disposição de Jesus de confiar em discípulos que estavam ainda muito inseguros em sua fé. Mas nós, por outro lado, nos achamos tão seguros de nossas crenças e convicções.
Contudo, o fim da história de Marcos não lhe reservou o opróbrio ou a vergonha do estigma do fracasso. Em Atos 15, ele está de volta a Antioquia novamente com Paulo e Barnabé. Marcos retornou à atividade missionária com a ajuda de Barnabé, que abriu mão de sua parceria com Paulo, para estar com João Marcos, o jovem missionário (At. 15:38, 39). E além disso, cerca de doze anos depois, o N. T. dá notícias de Marcos, que aparece em quatro das últimas cartas de Paulo e Pedro (Fm. 24; Cl. 4:10; II Tm. 4:11; I Pe. 5:13). Todas essas cartas foram escritas de Roma, onde Marcos claramente serviu tanto a Pedro como a Paulo, tendo sido para eles um companheiro fiel e muito amado. Não é sem razão que Marcos narra, com chocante compaixão e ironia, a negação de Jesus por Pedro, destacando o seu fracasso, mais do que os outros evangelistas. Imaginem se Pedro tivesse de carregar o estigma do fracasso, o que seria daquele a quem Jesus disse “Cuide das minhas ovelhas”? A amizade entre Marcos e Pedro talvez tenha sido alicerçada em sua mútua experiência de queda e restauração. Portanto, é possível que o Evangelho tenha nascido dessa experiência comum, porque, desde tempos remotos, acredita-se que Marcos baseou o relato de seu evangelho nas pregações de Pedro. Porém, agora a nossa atenção se volta para a cura de um cego conforme o texto lido. É a história de uma vida que nos ensina lições sobre a vida, e uma dessas preciosas e tocantes lições fala especialmente àqueles que, entre nós, carregam os mais variados estigmas que lhes foram impingidos e impostos pela crueldade do preconceito humano.
Bartimeu era um cego que mendigava na saída de Jericó, uma cidade da Palestina. Sim, da Palestina, hoje engolida por um conflito encarniçado, marcado pelo ódio e pelo preconceito, que não é a Palestina dos tempos de Jesus, mas que, como no presente, tinha também uma sociedade extremamente preconceituosa. Os religiosos eram os primeiros a despejar de seus corações o azedume de seu preconceito contra quem lhes causava estranheza e repulsa. Um fariseu costumava orar e agradecer a Deus por não ser escravo, mulher ou um “cão” gentio. Nessa categoria farisaica de pessoas estavam incluídas as prostitutas, os pecadores, os coletores de impostos, os leprosos, os cegos, os pastores e outros tantos que acirrava a sensibilidade moralista e religiosa deles. Por sua vez, Bartimeu, que não tinha nome, porque Bartimeu não é nome, mas, sim, o modo como era chamado – Bartimeu significa simplesmente “filho de Timeu” e nada mais – sofria da invisibilidade social dos marginalizados e estigmatizados. Mas Jesus conseguiu enxergá-lo em sua invisibilidade. Os estudiosos localizam o acontecimento do meio para o fim do ministério público de Jesus. Daí entender por que uma grande multidão seguia-O e a seus discípulos, dado ao alcance público do ministério de Jesus de Nazaré. Ao saber que era Jesus, o Nazareno, pois, àquela altura do campeonato, o nosso Senhor e Salvador já era conhecido por suas curas maravilhosas, Bartimeu, que era cego e não surdo, começou a gritar por Ele, pois já ouvira falar d’Ele. Como um pregador disse, o cego de Jericó fez a sua “oração de uma sentença só: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” Enquanto tantos de nós se perdem em sua verborragia, Bartimeu gritou desesperadamente, porque aquela oportunidade não poderia ser jogada fora.
“O estigma de Bartimeu” é, portanto, o tema desta mensagem. Que Jesus possa, enquanto a sua Palavra for exposta, arrancar, desarraigar, desenraizar das nossas entranhas os nossos preconceitos, que nos levam a rejeitar gente como a gente, mas que a gente considera, no máximo como “coisa”, porque é diferente da gente. Eis, pois, duas lições importantes que devem ser guardadas nos nossos corações como tesouro da alma.
Em primeiro lugar, assim como Bartimeu, muitos são conhecidos não por terem um nome, mas pelo estigma que carregam (vv. 47-49). Bartimeu ouviu o barulho de uma trupe que tumultuava as ruas estreitas de Jericó e ansioso procurou saber o que estava acontecendo. Ele ouviu que Jesus passava por ali e, então, se pôs a gritar como um desmiolado. Logo, as pessoas mandaram que ele se calasse. Ele estava bagunçando a procissão. Jesus estava ocupado. Bartimeu era mais um cego dentre tantos cegos na Palestina dos tempos romanos. Acaso Jesus seria capaz, no meio daquela multidão alvoroçada, de ouvir os gritos suplicantes de um joão-ninguém e notá-lo para além de sua cegueira? Bem, se Ele notasse ou não, isto não impediu a oração, que dava a impressão de uma ladainha sem fim, pois Bartimeu gritou, gritou, gritou, fazendo-se de rogado diante daqueles que o mandavam calar a boca, até que finalmente chamou a atenção de Jesus. O Senhor parou e, como Lucas informa, ordenou que o trouxessem (18:40). Sim, Jesus parou. Ele o notou. Ele ordenou aos outros que o trouxessem. Ele o chamou para perto de si. Não existem estigmatizados para Jesus de Nazaré, mas somente filhos do Pai Celeste. Ele então perguntou “O que você quer que eu lhe faça?”. Vejam, Jesus o tratou como gente e não como “coisa”. As pessoas que carregam estigmas sabem muito bem o que significa ser tratado como uma aberração. Ali vai o “deprimido”. Olha lá a “adúltera”. Aquele cara não é “o traído”? Chegou a “fracassada”. Aquele rapaz é tão estranho, tão cheio de trejeitos. Aquele “negro” está querendo ser alguma coisa. Olha aquela “velhota”, o que ela ainda espera da vida? Vejam só a “mãe solteira”. Ah, aquela é a moça que não é mais moça? Aquela vai ficar para “titia”. Olha ali o divorciado. Quantos já não ouviram comentários assim dentro das “igrejas”? Quem de nós não pecou assim? Se não falou, deve ter, no mínimo, pensado e pecado do mesmo jeito. Mas Jesus nem falou, nem pensou, nem pecou, só empatizou com o ser humano, a despeito de suas fraquezas, debilidades, contradições, pecados, deficiências, enfermidades, deformações, porque, neste Evangelho de Marcos, Ele é apresentado como Deus que sente as dores humanas e se compadece dos seres humanos que carregam a profunda dor de não ser quem se é verdadeiramente, mas sim de ter de carregar o fardo desgraçado da desumanização que o estigma causa ás pessoas. Mas Jesus sabe o que é carregar um estigma. O “crucificado”, para quem Bartimeu olhou com os olhos da alma e n’Ele creu, pode remover o peso dos estigmas que foram postos sobre os diferentes pelo preconceito da sociedade, da igreja, das pessoas, já que elas não conseguem enxergá-los como gente, mas como “coisa” estranha e repulsiva. No entanto, para Jesus, nós vamos sempre ser gente, pecadora sim, mas gente que tem nome, personalidade, individualidade, necessidades, carências, fraquezas, contradições, ambigüidades, valor, estima, sempre muito amadas por Ele, porque Ele nos fez e quer que a gente seja continuamente refeito, para que nos tornemos seres humanos plenos e consigamos olhar para o nosso semelhante, tenha a aparência que tiver, como ser humano pleno como nós mesmos.
Em segundo lugar, assim como Bartimeu, muitos precisam ser libertos dos estigmas e passarem a ser vistos como gente (v. 50-52). Bartimeu era um sujeito estigmatizado pela sociedade e pela religião. Primeiramente, a sua cegueira deve, por certo, tê-lo feito um mendigo. Ele esmolava porque era cego. A mais, ele era um pária na sociedade e na religião judaica. Bartimeu estava à margem das relações sociais, pois assim acontecia àqueles que eram portadores de alguma doença repudiada pela religião. E hoje o cristianismo que virou religião também tem os seus párias. João registrou em seu Evangelho a pergunta que os próprios discípulos de Jesus fizeram quando cruzaram em outro momento o caminho de um cego de nascença. Eles indagaram “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” (9:1). Essa era a teologia retributiva dos religiosos dos tempos de Jesus e do outro evangelho, anátema, preconizado pela teologia da prosperidade, pela teologia da causa e efeito, pela teologia da maldição hereditária, pela teologia da não-graça ou meritória. Por isso, as doenças tinham e tem a sua causa no pecado tanto para o judaísmo dos tempos de Jesus quanto dos nossos tempos, inclusive dentro do protestantismo reformado. Por isso, Bartimeu, assim como os leprosos e outros doentes, levava uma capa consigo, não primordialmente para proteger-se da chuva e do frio, mas para que as pessoas mantivessem distância e se protegessem dele. Ele era cego porque pecou! Um imundo! A capa era o seu estigma! E hoje, muitos ainda carregam o peso não apenas dos estigmas do pecado mesmo que perdoado – pois quem de nós não peca pecados e é perdoado, seja qual for o pecado? Há, também, quem tenha de carregar o peso dos estigmas que os moralistas religiosos cuidam de ferrá-los a fogo deixando neles uma marca infame, só porque se vestem diferente, só porque falam diferente, só porque pensam diferente, só porque crêem diferente, só porque não se encaixam nas nossas definições do que seja próprio ou adequado. Nós somos muito mais exclusivistas que inclusivistas em relação àqueles que nos parecem e são efetivamente diferentes. Há tantos na “igreja” que, sobrecarregados pelos estigmas do preconceito moralista-religioso, precisam de nossa compaixão e misericórdia, porém não as encontram em nós e curiosamente vão encontrá-las fora da “igreja”. A razão é que os nossos preconceitos entupiram os nossos corações, de modo que nós não permitimos que a misericórdia e a compaixão vazem de nossas vidas e banhem as vidas dos necessitados, assim como a vida de Jesus extravasou graça aos debilitados, aos cansados, aos abatidos, aos marginalizados, aos “desamados”, aos “coisificados”, aos desumanizados, pelo moralismo religioso que infestou as nossas comunidades que chamamos de “igreja” tanto quanto ou mais que na religião judaica daqueles tempos. É por isso mesmo que nós temos de entender de uma vez por todas o significado gracioso e misericordioso da encarnação de Deus, do Evangelho da Graça, da verdade da reconciliação de Deus conosco, da nossa reconciliação com nós mesmos e da nossa reconciliação com o nosso semelhante. Ele se fez gente para se identificar com a gente, para que a gente se identifique com o outro também, em sua dificuldade, limitação, fragilidade e necessidade. Portanto, Bartimeu voltou-se para aquele que simpatiza com as nossas fraquezas e mazelas, sejam morais, espirituais, psicológicas, emocionais ou físicas, porque Ele conhece a dor de ter sido marcado a ferro e fogo pelo moralismo religioso dos judeus com o estigma da satanização de suas obras, de beberrão e comilão, de blasfemo, de amigo dos pecadores. Graças a Deus, Ele é amigo de pecadores. Ele é seu e meu amigo. Em um mundo e em uma “igreja” que acha que o que aqui se faz aqui se paga, as pessoas tentam abafar o grito dos oprimidos de alma. Em um mundo e em uma “igreja” onde a teologia do que se recebe o que se merece, as pessoas tentam abafar o grito dos oprimidos de alma. O que não era para acontecer, pois nós mesmos fomos alvos da graça, acaba acontecendo, porque nós nos recusamos a oferecer a graça com a qual nós fomos tratados, mas que não serve para tratar os outros uma vez que eles são diferentes de nós e por isso não podem e não devem ter lugar entre nós. Assim como Bartimeu, os estigmatizados não podem deixar de gritar por socorro nem ser impedidos de gritar por socorro. Nós não podemos nem devemos impedi-los de clamar Àquele que é compassivo, benigno e misericordioso. Jesus pode ouvi-los, mas nem sempre nós queremos que eles sejam ouvidos. Jesus pode atendê-los, mas nem sempre nós queremos que eles sejam atendidos. Jesus pode ter compaixão e misericórdia deles, mas nem sempre nós queremos que eles sejam tocados pela compaixão e pela misericórdia de Jesus. Jesus pode chamá-los ao seu encontro apesar de quem eles são, dos estigmas que carregam e do que nós mesmos fazemos deles. No entanto, Marcos nos diz que Jesus parou e pediu aos seus discípulos que o chamassem. Jesus parou porque o ouviu clamando. Ele continua até hoje parando, porque tem ouvido muitos clamando por sua compaixão, benignidade e misericórdia. Jesus não queria apenas curá-lo de sua cegueira. Assim como o pobre cego Bartimeu, nós não podemos nos erguer acima do que somos, da nossa condição de pecadores, da nossa cegueira e pobreza espirituais, dos estigmas que nos humilham. Bartimeu foi curado de sua cegueira por causa da compaixão, benignidade e misericórdia de Jesus. Tanto é verdade que Lucas fornece mais uma vez informação complementar ao acontecimento. “Jesus parou e ordenou que o homem lhe fosse trazido. Quando ele chegou perto, Jesus perguntou-lhe: ‘O que você quer que eu lhe faça?’ ‘Senhor, eu quero ver’, respondeu ele. Jesus lhe disse: ‘Recupere a visão! A sua fé o curou’” (18:40-42). A seguir, o evangelista nos diz, “Imediatamente ele recuperou a visão, e seguia Jesus glorificando a Deus. Quando todo o povo viu isso, deu louvores a Deus”. Ele já não era mais um estigmatizado – “o ceguinho de Jericó” -, mas uma nova pessoa, cujos olhos e a alma foram libertos da escuridão do estigma social, moral, emocional, psicológico, espiritual, de não poder se relacionar com os outros como gente e de não ser visto por eles como gente.
John Merrick era uma aberração da natureza, portanto, não poderia ser humano. A sociedade, a “igreja”, as pessoas – nos também – usam desculpas do tipo para se afastar de determinadas realidades, por serem insuportáveis, como a deficiência e o isolamento social por que passam pessoas estigmatizadas como Merrick. Nós nos acostumamos com a presença dos estigmatizados, mas nada fazemos para mudar a situação deles. Quando muito, nós só sentimos pena, se é que sentimos ainda alguma coisa por eles, mas, mesmo assim, nada muito pessoal. Todavia, estejam certos de que a nossa pena está a um passo da opressão, da dissimulação e, finalmente, do alívio de nossas consciências preconceituosas. Portanto, onde está a beleza do ser humano? Em sua aparência física ou em ser humano a despeito de tudo o que nele nos repugna? Os estigmatizados só terão lugar entre nós, não como tais, mas como gente, quando nos decidirmos a esquecer de ter pena deles, para vermos o quão interessante é a personalidade deles.
O “Homem-Elefante” denuncia o que de bom e o que de ruim há no comportamento humano, através da nossa própria experiência de preconceito. David Lynch, diretor do filme sobre a vida do “Homem-Elefante” comentou que a Londres enfumaçada e tonitruante, com as milhares de máquinas introduzidas pela revolução industrial como pano de fundo dessa história de vida, mostra como o universo das relações humanas mudou pouco no quesito “tolerância”.
O modo como John Merrick era visto é um retrato do achatamento visual, da invisibilidade social, da desumanização do ser humano por causa do preconceito para com aqueles que nos parecem estranhos, só porque não são como nós. É a tragédia de quem é “coisificado” e perde a sua dignidade em função de ser diferente dos demais, porque os demais lhe roubam impiedosamente a sua dignidade de ser humano, só porque não atende os nossos padrões. Se para o mundo, John Merrick era um monstro, é bom saber que o monstro são aqueles para quem o monstro é espelho. O Homem-Elefante é um belo ensaio sobre o que nos define como seres humanos. Sartre disse que o olhar dos outros nos “coisifica”, mas, Merleau Ponty declarou que é no nosso olhar para o outro que encontramos nossa humanidade. Nós aqui aprendemos que é com o olhar da misericórdia e da compaixão de Jesus que encontramos a nossa própria humanidade no outro que nos causa estranheza e repulsa justamente por ser como nós também carente da graça. Por isso, nós oramos “Livra-nos, ó Deus, do preconceito que nos impede de enxergar o outro com o terno e benigno olhar de Jesus, pois quem somos nós sem a tua graça?” Amém.
Lairton Lira Cruz, Jr.

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O Pão do Egito versus o Maná do Deserto

“E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?”
(Números 20:5)

Este é um dos textos reveladores da eterna insatisfação humana. É claro que nenhum de nós desejaria habitar numa terra improdutiva. Se tivéssemos dinheiro poupado para comprar uma fazenda, seria óbvio não pôr este dinheiro num torrão de terra totalmente imprestável. Mas este não é o caso. Deus havia prometido a este povo, que acabara de sair do Egito, uma terra fertilíssima, de onde emanava leite e mel. Uma terra linda, com fontes de água, com clima propício à produção de frutos, cereais e à criação de rebanhos de bovinos, caprinos e ovinos. Mas eles estavam muito insatisfeitos e murmuravam bastante durante a caminhada. Por que tanto descontentamento?

Temos, então, de recordar os fatos que estão por trás desta tremenda queixa. Parece até que quando eles estavam no Egito viviam gozando de riquezas e privilégios maravilhosos. O que, de longe, era o caso. Eles eram escravos, eram pobres, consequentemente moravam em habitações precárias, se alimentavam mal, não ganhavam salário, não tinham aposentadoria, não tinham absolutamente nada. E não somente isto: eles eram descriminados, maltratados, rejeitados, tidos como indesejáveis invasores, imprestáveis que só tinham utilidade, como a de um animal de carga – para serviços pesados. Não eram respeitados e não gozavam de dignidade alguma, eles eram, na verdade, a escória do Egito.

Além disso, trabalhavam os sete dias da semana, não tinham descanso, sofriam a influência cultural de uma sociedade permissiva e perniciosa. Não gozavam de liberdade religiosa, não eram governados por lei própria, não tinham pátria, símbolos, ou identidade alguma. Ainda precisavam ser subservientes para sobreviver.

A crença num Deus Todo-Poderoso, IAVEH, estava abalada e em crise. Os dominadores acreditavam numa multidão de deuses. A ponto do historiador Heródoto afirmar: “No Egito tudo é deus, menos Deus”! Religiosamente eram confusos e indefinidos. Eram doze tribos perplexas e impotentes diante daquela situação.

Mas, de repente, chega a ajuda! Deus se compadece deles, resolve libertá-los, envia Moisés para realizar esta missão impossível, demonstra o seu poder enviando dez pragas que destruíram a grandeza do Egito e humilhou os seus arrogantes opressores. Derrota a Faraó e todo o seu poderoso exército, abre caminho através do mar e dá-lhes direção para uma terra exuberante.

Nesta marcha, Deus os guia com uma nuvem refrescante durante o dia, que ameniza o escaldante calor do sol, e com uma nuvem à noite que ilumina e aplaca o frio insuportável da noite. E ainda resolve supri-los com o Maná do céu. Diariamente recolhiam o necessário para uma ração diária. Ninguém passa fome. Deixaram o Egito com grandes riquezas, pois a “indenização” pelos trabalhos realizados fora “paga” ao despojar os egípcios no êxodo. Não haviam chegado a Canaã, mas também não mais eram espezinhados escravos no Egito. Havia, agora, perspectiva e uma esperança segura para as suas vida.

Entretanto, eles saíram do Egito, mas o Egito não havia saído de dentro deles! A mentalidade não havia mudado. Continuavam agindo como escravos que só enxergam afazeres, tarefas, obrigações. Sempre muito ocupados para parar um pouco e pensar. Eram imediatistas. Cheios de exigências, reivindicações, mal agradecidos e obtusos. Cresceram na murmuração, especializaram-se em reclamar de tudo.

Eles não perceberam que estavam sendo conduzidos pelo Deus Todo-Poderoso, que os amou e os libertou da tirania de um déspota, para dar-lhes, na plenitude de sua bondade, uma vida abundante em todos os aspectos. Eles não valorizaram a providência carinhosa de Deus ao enviar-lhes, diariamente, alimento substancioso e o conforto das nuvens. Eles não mostraram nenhuma apreciação pela liderança de Moisés que era um homem sério, verdadeiro, sintonizado com Deus, zeloso e obediente às ordens do SENHOR.

Reclamam, têm saudades “das cebolas, dos alhos e dos pepinos do Egito” (que ridículo! Nm. 11:5). A saudade do pouco que perderam os impedia vislumbrar o muito que iriam ganhar. E choravam por aquele passado desastroso! (Nm. 11:4). Para eles, o pão do Egito, o pão da escravidão, era mais desejado do que o pão do deserto, o pão da liberdade e da esperança. Resultado, toda aquela geração morreu no deserto. Escapou, apenas, Josué e Calebe, que creram e se determinaram a conquistar as promessas de Deus (Nm. 14:30).

É possível que alguns de nós esteja com saudades da escravidão do mundo. Éramos escravos dos pecados que nos humilhavam, nos subjugavam e nos destruíam. Cristo nos libertou não somente quebrando os grilhões que nos prendiam, mas também nos proporcionando a grande oportunidade de uma vida abundante e vitoriosa. Somos livres, mas ainda não somos conquistadores. Ainda não desfrutamos das delícias da terra prometida. O passado ainda nos aprisiona, a nossa mente recusa-se a processar as maravilhosas riquezas espirituais em Cristo que nos aguardam.

A nossa perspectiva do sagrado ainda é infantil. Deixamos o mal, é verdade, mas não abraçamos calorosamente o bem. Talvez não estejamos fazendo uso das riquezas espirituais que há em Cristo Jesus. É como se tivéssemos milhões no banco e só usássemos o mínimo necessário para viver numa casa que necessitasse de reparos, o nosso carro está sucateado e não compramos um novo, vestíssemos roupas surradas, sapatos já bem rodados, enfim, somos avarentos espiritualmente. Somos extremamente ricos, em Cristo, mas vivemos como mendigos espirituais. Precisamos de uma mensagem calorosa, desafiadora, para nos consagrarmos ao SENHOR (e isto por pouco tempo), quando basta o exemplo do Nosso Senhor crucificado, abnegado, despojado, mas consciente das infinitas riquezas dos tesouros celestiais que seriam acessíveis a todos os que nele cressem, após o seu sacrifício.

Desejo que o Maná do Céu, o Pão da Vida, Jesus Cristo, seja infinitamente mais fascinante do que o melhor que esta vida lhe possa proporcionar. Você é livre para conquistar e não para reclamar e murmurar.

Rev. Miguel Cox

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GENUÍNO PRAZER

Um miligrama de obediência vale mais que uma tonelada de oração. Timothy Rogers

O prazer é uma recompensa maravilhosa, mas ele não é e nem pode ser um fim em si mesmo. A busca de um prazer vazio é perder de vista os valores e a alegria que um genuíno prazer traz.
O prazer genuíno vem como resultado de alcançar um alvo ou algum nobre propósito. Você não pode criar o prazer. O prazer nasce apenas como resultado de uma outra atividade. Como um fim em si mesmo, o prazer se torna vazio e sem significado algum. Como um viciado que anseia pela droga, em busca do prazer que ela lhe proporciona, aqueles que buscam o prazer em si mesmo jamais encontram o prazer perene e duradouro.
Alguém que evita a obediência e vai direto ao prazer nada mais faz do que roubar do prazer aquilo que tanto busca: alegria, significado e propósito. Quando o apenas “sentir-se bem” anula a profundidade, ele deixa de acrescentar valor e exuberância à sua vida.
Prazer é recompensa; não é um estilo de vida. Deus, aquele que criou o prazer, se deleita quando nós o desfrutamos tanto quanto possível. Por isso a Escritura Sagrada recomenda: Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração (Salmos, 37:4). O único parâmetro é que esse prazer seja alcançado de forma correta, segundo os seus padrões, caso contrário já não é prazer.
Nélio DaSilva

Amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado. Por isso tenho por, em tudo, retos os teus preceitos todos, e aborreço todo caminho de falsidade. Salmos 119:127,128

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RISCOS

Arrisque! A vida em si mesma é um risco. A pessoa que mais realiza é aquela que está mais propensa ao risco. O barco“ CERTEZA” nunca sai do porto. Dale Carnegie

Do momento que você nasceu até o dia de hoje você entrou num circulo cercado de risco. A vida é um risco. Não importa onde você vive, que tipo de profissão você exerça, ou quanto dinheiro você tenha; os riscos estão sempre presentes. Você não pode fugir dos riscos emocionais, riscos físicos, riscos financeiros, riscos sociais. É impossível viver sem riscos. O que você deve fazer é aprender como retirar o melhor dos seus riscos.

Seria pura tolice arriscar-se em algo que não possa oferecer a possibilidade de um retorno. Da mesma maneira é tolice permitir que o medo o venha impedir de tomar uma determinada ação. Lembre-se que você chegou até aqui a despeito dos riscos que estavam envolvidos no processo, e ao longo da jornada você aprendeu algumas preciosas lições. Você possivelmente teve alguns fracassos aqui e ali, mas eles não foram fatais.

Portanto, aquilo que você almeja alcançar, vá em frente! A vida apresenta os seus riscos, não tenha dúvida; busque, portanto, os riscos que podem lhe trazer a maior recompensa. Apresente clara, especifica e objetivamente aquilo que você está “arriscando” a Deus; ore por isso. Lembre-se que no dia de hoje Deus já abençoou milhões de indivíduos e circunstâncias, peça ao Pai para incluí-lo nas coisas lindas que Ele está realizando. E você então irá perceber os seus horizontes se alargarem e os seus sonhos se tornarem uma realidade concreta.

Rev. Nélio DaSilva

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CELEBRANDO O NATAL COM A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO

No Leste europeu os centros comerciais não ficam completamente entupidos nas vésperas de Natal. Isto porque o Natal naquelas regiões se comemora “sem” presentes, “sem” renas e “sem” Pai Noel. As crianças desde cedo se habituam a que o “prato principal” de 24 de Dezembro seja a “Divina Liturgia”, já que para os cristãos orientais o Natal é uma tradição religiosa e não “culinária”. Assim, a presença assídua da família na “Divina Liturgia” de dia 24 para 25 é o motivo da celebração. São mais de quatro horas passadas na igreja e só no final há um “banquete” ou ágape, que pode ser entre todos ou apenas com a família.

Fico me perguntando se não houvesse tantas luzes, fogos de artifício, troca de presentes, e outras fanfarrices no Natal, nós realmente estaríamos celebrando esta festa. Ao mesmo tempo, fico perturbado com alguns crentes que vivem procurando “erros” na tradição cristã.

Alguns ultimamente estão questionando se o dia 25 de dezembro foi mesmo a data que Jesus nasceu, se houve ou não influência do paganismo sobre esta data na época que foi criada. É impressionante como queremos testificar para nós mesmos que somos os detentores da verdade. Isso é ridículo e inócuo.

Precisamos verificar sim, se nossa motivação em celebrar o Natal não é meramente uma questão cultural ou consumista e comercial, ou também para os líderes religiosos terem seus templos cheios de pessoas. Trocar presentes, ter um momento com a família em uma Ceia, com certeza, não terão valor algum, se a motivação de celebrar a “Encarnação de Deus” não for a nossa maior prioridade.

Vale a pena lembrar que trocar presentes era uma prática usada pelos cristãos lembrando a atitude dos Magos que ofereceram a Jesus: Ouro, Incenso e Mirra. A culinária deveria lembrar o Natal se não nos déssemos apenas a bebedice e a comilança.

Porém é bom lembrar que a celebração do natal por si só também não faz nenhum sentido se não for a “celebração sincera”, a comemoração de que Deus um dia, desceu dos céus, se fez ser humano como nós, a fim de restaurar toda a sua Criação.

Na sua glória, Deus abdicou da mesma e se fez como um “escravo”, nascendo como um pobre para mostrar que a força e o poder não são reservados aos grandes, mas aos pequenos, que o que importa no Reino de Deus não são os primeiros e sim os últimos, que o maior não é quem é servido, mas, quem serve.

O Natal somente faz sentido em minha vida quando celebro a Encarnação e me encarno como Cristo se encarnou. Se com Ceia ou sem Ceia, se com muito barulho ou apenas no silencio, seja lá como for, o Natal sem esta motivação é apenas sim, uma festa pagã dentro do meu coração.

Um Feliz e verdadeiro Natal.
Deus se fez gente!

Rev. Luiz Augusto

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BUSCANDO UM NATAL QUE FAÇA SENTIDO

O Natal que se vê hoje pode ser sinônimo de várias outras práticas e motivos. Por exemplo, há gente que relaciona o Natal com o sentimento de mais um ciclo que se fecha em sua vida, pelas comemorações do ano que está findando. Outros usam esta data para avaliar e redefinir planos pessoais que envolvem a carreira. Outros ainda não conseguem ver o Natal sem o cifrão sinônimo do Consumismo desenfreado: gastar e gastar, esta é a lei.

Na verdade, o Natal não tem nenhuma relação com os assuntos acima citados. É a data onde toda a Cristandade comemora a encarnação do Deus Criador e sustentador deste Universo. O Natal fala sobre advento do Cristo. O Natal fala sobre a paz que Deus trouxe aos homens de boa vontade, de todas as nações e povos.

Ao festejarmos o Natal falamos sobre a decisão de Cristo em abdicar de Sua glória e tornar-se humano e submetendo-se a lei dos homens (Fp 2.5-8), morrendo, ressuscitando e abrindo as portas de uma nova criação que viverá numa nova terra, física e eterna, cumprindo os princípios da criação original. Portanto, o Natal torna-se o modelo de nossa prática de vida enquanto estivermos neste mundo.

Ao observar a motivação de Deus, sou motivado também a me deixar enviar a toda pessoa, sem distinção de raça, cor, sexo ou religião. Se Cristo veio ao mundo e se tornou homem, o mesmo sentimento deve existir em minha vida a fim de me relacionar com todos e com todas para que de alguma maneira a graça invada outros corações.

Ao observar a intensidade e plenitude da encarnação de Deus, sou levado a avaliar meu nível de submissão a outros, se estou me relacionando de igual para igual com outras pessoas (João 1.14). Quais são as exigências da cruz?
Ao observar o nível de doação de Deus pela humanidade sou questionado pelo seu exemplo se realmente estou me doando e me renunciando em favor de outros, renunciando a glória pessoal, entregando-me em favor de pessoas, respeitando o outros, não usurpando o direito de terceiros (Fp 2.6-9).

Neste Natal, para que esta Festa faça sentido em minha vida, sou admoestado a despojar a minha auto piedade, o egocentrismo consumista e tomar iniciativas práticas em favor de outros, fazendo doação de algo mais permanente do que simplesmente presentes e souvenires.

Neste Natal, tire um pouco de você para dar a alguém algo que seja frutuoso e valoroso. Doe atenção, tempo, talentos, dons em favor de pessoas que você sabe que jamais vão poder retribuir o que você fará. Neste Natal faça uma oferta missionária, renove seu compromisso com o mundo carente, busque renovar relacionamentos que foram quebrados e resgate algo mais durável e cheio de vida. Somente assim seu Natal fará sentido, de outra sorte, será uma mera festa consumista.

Rev. Luiz Augusto

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O QUE SERIA DA IGREJA EVANGÉLICA SEM OS EVENTOS?

Depois de folhear algumas das revistas evangélicas de nosso país, eis que fui tomado de uma pergunta inquietante. “O que seria da igreja evangélica no Brasil, se a partir de agora, não ocorressem mais os eventos e programas que os mesmos evangélicos propagandeiam?”
Jamais esquecerei de uma frase dita por um de meus professores quando afirmou, desenvolvendo o assunto sobre a eclesiologia brasileira: “A igreja nasceu como um fato na Palestina, foi à Grécia e se tornou uma ideologia, então foi levada a Europa e Estados Unidos e se tornou um empreendimento, veio para o Brasil e se tornou um evento”. Guardadas as proporções detalhistas da história humana e da igreja, a igreja do século XXI, pós-moderna, está fadada a viver motivada, animada pelos milhares de eventos que se faz durante o ano. Sem falar daqueles que lucram e lucram muito com estes eventos, não os questiono na realização, pois muitos acabam por conhecerem a Cristo, devido à misericórdia divina. Mas é impressionante, o sistema evangélico vivenciado e imposto pelos líderes religiosos, pastores da mídia, são ipsis litteris, uma cópia fiel das motivações e encontros realizados pela maioria das empresas, sociedades filantrópicas, eventos de marketing, treinamento para o mercado, e tantos outros. Somos uma cópia fiel da sociedade de consumo. Assim como se consome qualquer produto no meio social, a igreja evangélica aprendeu a consumir os mais variados eventos religiosos.
A começar das igrejas locais, pense comigo, por exemplo, quantos eventos são realizados para atrair casais, jovens, e os mais variados tipos de pessoas? Há eventos que se fossem realmente pesados na balança de Deus e do que Deus quer fazer, nem sequer Deus estaria presente neles. Há eventos como Encontros de Fé, Encontrões de Mocidade, Conferencias Evangelisticas, Conferencias missionárias, e inúmeros eventos de avivamento, sem contar as Correntes, os Cultos especiais, os Mega-eventos nas mega-cidades.
De fato, você deve pensar no que vou dizer agora: Os cristãos do século XXI estão se tornando “cristãos-evento”. Pense agora no dinheiro investido nestes eventos e que poderiam ser investidos na área social, na área missionária, e em bolsas de estudos para enviarem homens e mulheres para a preparação em seminários e escolas sérias que estão envolvidas com o reino de Deus.
Se analisarmos o início do cristianismo vemos que a fé estava unida às coisas comuns da vida. A fé não era consumida, era vivida, não era propagandeada, mas absorvida por pessoas comuns que em seus afazeres comuns deixavam por natureza comum produzir homens e mulheres tocados e verdadeiramente convertidos a este reino.
Como disse os eventos não são um mal em si. Mas tornaram-se um fim em si mesmo, para propagar a fé evangélica que estamos deixando de vivê-la sob a graça de Jesus no dia-a-dia. E ao pensar nisso, os eventos realizados pelo movimento evangélico brasileiro deveriam ter forte conotação em administrar os resultados do mesmo. O Discipulado ou acompanhamento posterior de pessoas interessadas é a resposta para isso. O evento embora seja estrondoso, barulhento, emocionante, sensacional, não pode produzir raízes em vidas que desejam conhecer a Jesus.
É hora dos líderes religiosos evangélicos tomarem coragem para fazerem uma autocrítica acerca destes eventos e programas que embora não percebamos transforma a igreja local ou a igreja nacional em puro “ativismo”. A fé nunca é vivenciada no coletivo se não começar na vida simples e comum de cada um, com nossos problemas, nossas tentações, e nossas provações.
O que Jesus ensinava precisa ser relembrado, principalmente na vivência da graça que nos mantém vivos diante das adversidades pessoais e na esperança de uma nova criação. Repasso aqui a declaração firme e esclarecedora do Dr. Valdir Steuernagel:
A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual, mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto, mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus. Luiz Bueno
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Evangelizar X Evangelicalizar

A cada dia que passa sinto mais dificuldade de evangelizar. Isso pode soar até como escândalo para alguns que se contrariam em ouvir de um pastor esta declaração. Há muito “ruído no ar” que atrapalha e complica a comunicação do evangelho verdadeiro.
Há muita coisa, muita mania, muito trejeito, muito palavreado que quer se parecer com o evangelho de Jesus, mas não é. Nas igrejas e congregações locais a pregação é mais ou menos esta: “venha do jeito que for pra Jesus, porque ele é o Deus da Graça”. Mas depois quando as pessoas entram para tal igreja, este evangelho da Graça torna um peso, um “stress”. É irmão virando “detetive” para ver se o outro tá andando conforme as regras da tal igreja. É uma série de normas de um evangelho cheio de esquisitices e imprecações.

Hoje vejo um cristianismo cínico e punitivo. Há milhares de pessoas que se dizem evangélicas e refletem um evangelho “sem a Graça” e “sem graça”. Há outros que se sentem quase semideuses, apresentando para as pessoas um cristo caprichoso e vingador. Parecem que Cristo está somente a serviço deles e eles são o único alvo de Deus. Há muita gente orando em igrejas desejando que Deus se vingue ou que tome a espada contra os seus concorrentes e adversários.

Hoje não se fala mais do evangelho comunitário. Só se houve que Deus está comprometido a dar “vitória” para você. O Deus do evangelho é para você, gira em torno de você, e só se dirige a você. Você é o centro do Universo. Que evangelho megalomaníaco!

Mas o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo não é assim. O evangelho de Jesus é aquele que prioriza o amor-caridade antes do amor-sentimento. O evangelho de Jesus é capaz de aceitar a idéia de que o amor está no cerne do universo. Deus está mais interessado em se relacionar conosco do que em que vivamos uma evangelho cheio de “não faças isso”, “não faças aquilo”. É a única ideologia onde se vive “para o outro” e “não sobre o outro”. O evangelho verdadeiro está comprometido na coletividade, no outro, no próximo.

Por isso é difícil de evangelizar hoje. Antes melhor seria calar e silenciar, pois quanto mais se discursa menos se faz. Jesus mostrava que o seu discurso estava em consonância com sua prática. Precisamos falar mais a Jesus. Acredito que quanto menos discursarmos sobre Deus e mais buscarmos nos parecer com Jesus, mais refletiremos juntos a graça e o amor e menos nos pareceremos com os evangelhos que se pregam por aí.

Pelo contrário, o evangelho de Jesus é simples, descomplicado, simplificado, desobstruído, desarticulado, desamarrado, mas ao mesmo tempo profundo, verdadeiro, grave, denso. Eis o desafio, eis o evangelho verdadeiro.
Rev. Luiz Augusto Bueno

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Que tamanho é a porta da nossa igreja?

Ser aceito por Deus sempre foi a incessante busca da humanidade. A história nos mostra que essa questão sempre foi a grande premissa das religiões em todos os tempos.
Às vezes fico imaginando como era difícil para as prostitutas, cobradores de impostos, mulheres e crianças, viúvas e órfãos, eunucos e pagãos viverem na época de Jesus de Nazaré.
Algumas dessas pessoas eram excluídas da religiosidade judaica. Sequer podiam entrar em uma sinagoga para adorar. A prostituta, pecadora, o publicano, os leprosos entre tantos jamais eram considerados pelos religiosos por que eram diferentes e por isso eram estigmatizados e excluídos.
Hoje a religião continua fazendo a mesma coisa. Por exemplo: Se você não manifestou certa aparência de que recebeu o Espírito Santo, se você foi batizado por um batismo diferente, se dá ou não a “paz do Senhor”, se canta hinos ou se somente canta musicas-gospel, você não chegou ao nível de espiritualidade da maioria. Vivemos as mesmas rotulações da época de Jesus.
E o que Jesus fez com tudo isso? Mostrou claramente que os aceitáveis para Deus não eram os “certinhos”, os “corretamente religiosos”, mas os que admitiam sem medo a sua fragilidade e limitação, que o amor de Deus os leva a se comprometerem com pessoas, qualquer compromisso era por amor e não por outra condição. Jesus como Filho de Deus, aceita os que assumem uma espiritualidade própria, sem padrões, sem jargões verbais, sem estilos evangélicos, sem a opressão de moldes e escravização denominacionais. Jesus aceita aqueles que não dependem do julgamento de terceiros mais “espirituais” para se acharem aceitos e acolhidos por Deus. Jesus aceita mulheres e homens de fé simples e de comportamento comum.
Deus abomina os que assumem uma espiritualidade bombástica que impede que outros “fora-dos-padrões” possam ser acolhidos por Deus. Deus abomina os que querem fazer “propaganda da fé” ou de sua “igreja-denominação”, Deus é indiferente com os que usam o amor para fazer “lavagem cerebral” na mente dos sinceros, Deus inferniza a vida daquele que compra o compromisso e o amor de outros com pressão psicológica. Deus amaldiçoa os que em sua fé egoísta não aceitam os que Deus ama, independentemente de sexo, de condição social, de religião, de estilo. Porém se algum momento fecharmos as portas da graça para quaisquer pessoas, já há muito nos fechamos para Deus. Se vincularmos a fé à condição monetária das pessoas Deus nunca estará nesse “negócio”.

Rev. Luiz Augusto

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SALVAÇÃO POR CAUSA DO AMOR!

O que nos motiva mais a buscar a salvação de Deus? O medo do inferno ou o amor atraente de Cristo? Nosso mundo está povoado de vozes, mensagens, pregações, músicas, cânticos e hinos que falam sobre a salvação que Deus promete a todo aquele que O busca com fé. É muito fácil que atribuamos aos pregadores de hoje uma autoridade divina quanto a isso. Mas minha preocupação vai um pouco mais além. Creio que devemos nos perguntar: “Com que motivação as pessoas estão pregando o amor de Deus?” Isso porque há muitos que estão buscando a Deus para se livrarem do inferno e das mazelas desta vida. Muitos estão propagando uma mensagem que as livra do tormento e não porque o amor de Cristo é inextinguível.
A busca pela salvação ou por Deus em última análise, deveria nos conduzir a compreender e aceitar o amor inefável de Deus por todos. Para que não invertamos os valores pregados por Jesus de Nazaré devemos tomar algumas precauções:
1) Não pense jamais que a salvação de Cristo é destinada para alguns poucos. Quando pensamos assim, tornamo-nos pessoas estreitas, pequenas, criamos “guetos” e nos isolamos do mundo. Passamos a viver como “fatalistas” e não olhamos as múltiplas revelações de Deus no dia-a-dia. Achamos que a igreja ou a comunidade que participamos é uma realidade “ultra mundana”, isto é fora do mundo normal do “grupo de mortais”. Começamos a nos tornar “extraterrestres” com um jeito diferente de falar, de se cumprimentar e de andar. A pregação que trata mais do inferno do que do amor de Deus é o ponto crucial de vivermos desconectados da sociedade.
2) Não viva distante das pessoas. Isso por que podemos viver vidas desagregadoras. Desagregar é o contrário de agregar, aglutinar, juntar, unir. Essa é a essência da palavra “diabo” no Novo Testamento. O Diabo ficou conhecido por que ele tem o objetivo de separar e desagregar as pessoas. Quando pregamos e vivemos um evangelho que não enfatiza o amor incansável de Deus por nós, somos grandes candidatos a desunião e a superficialidade. Há muitos “evangelhos desagregadores”. A vida cristã se caracteriza pela unidade, compreensão e coletividade. Jesus Nosso Senhor pedia ao Pai: “…que eles sejam um, como és tu ó Pai em mim, que eles sejam um em nós”.
3) Não se ache mais santo que os outros. Podemos tornar nossa comunidade um “museu de santos e não um hospital para pecadores”. A verdade é que o mundo carece muito mais de atos de misericórdia do que de “discursos”. As pessoas que desejam encontrar o amor verdadeiro de Deus serão impactadas nunca pelo discurso e sim pelos atos e gestos de acolhimento e de abraço. Jamais devemos “polir nossa santidade” como se fossem pérolas. A santidade de Deus deve ser vivida no meio da impureza. Quando Deus quis mostrar sua Santidade, se tornou gente e veio viver neste mundo de podridão, vergonha e injustiça.
O amor de Deus deve ser proclamado de todos os cantos conduzindo a todos indistintamente, de modo que nossa mensagem reflita que conhecemos a Deus. Que o Espirito Santo nos motive a romper com a pregação caprichosa, mesquinha e ostentadora. Que este evangelho nos leve cada dia sermos mais parecidos com os outros ao nosso redor. Que a graça do amor nos leve a pregar mais a misericórdia e menos sobre o inferno. Que não criemos “panelinhas” santas mas que estejamos no mundo entre as pessoas mostrando uma mensagem pelos atos e não apenas por palavras.
Rev. Luiz Augusto

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A Vitória da Graça

A Vitória da Graça
No dia 31 de outubro de 1999, em Augsburgo, não muito longe de onde ficava um dos primeiros campos de concentração da Alemanha nazista (Dachan), o cardeal Edward Cassidy, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade Cristã, representando o Vaticano, e o bispo Christian Krause, presidente da Federação Luterana Mundial, representando os luteranos, assinaram o documento Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação por Graça e Fé. Uma das declarações mais enfáticas do documento de 20 páginas é esta: “Juntos confessamos: só pela graça e pela fé na ação salvadora de Cristo, e não com base em nossos méritos, somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo, que renova nossos corações e nos habilita e conclama a realizar as obras de bem”.
O texto é o resultado final de 32 longos anos de encontros e reuniões de uma comissão internacional formada de católicos e luteranos. Além do texto, tanto a data e o local da assinatura dessa declaração conjunta lembram muito a Reforma Religiosa do Século XVI, pois foi no dia 31 de outubro de 1517, há 494 anos, que o alemão Martinho Lutero deu início à Reforma, e foi ali em Augsburgo, um ano depois, que ele reafirmou sua posição diante do enviado do papa Leão X, o Cardeal Caetano.
O que aconteceu na Alemanha em 1999 deve ser entendido como uma vitória da graça, aquela graça de Deus que “se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11). E, para comemorar tamanha vitória, é imprescindível que se conheça o rico significado bíblico e teológico da palavra graça.
Graça é a maneira pela qual Deus se dispõe a receber, de braços abertos, o pecador, não obstante sua santidade absoluta e o estado miserável em que se encontra aquele que dele se desviou. É uma bênção ou um favor verdadeiramente imerecido e indevido, que Deus concede em sua soberania, nunca em resposta a alguma iniciativa da parte do pecador. Deus não tem nenhuma obrigação de perdoar. Ninguém tem o direito de cobrar tal coisa de Deus. Ele, no entanto, perdoa por causa da graça. A iniciativa é sempre de Deus. É Ele quem dá início ao processo da salvação e providencia os meios necessários, nunca se desobrigando de sua boa vontade. É como define Gerhard Trenkler: “Graça é a atividade salvífica de Deus, que, decidida desde toda a eternidade, se tornou manifesta e eficaz na obra redentora de Cristo em favor de nós, e que continua e consuma em nós e no mundo a obra redentora” (vol. 1, p. 453).
De fato é necessário separar a graça da obra, principalmente na gestação da salvação. É como argumenta Paulo, em cujas epístolas a palavra grega para graça (charis) aparece 100 vezes: “Se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça” (Rm 11.6). O lugar das obras é a posteriori, como conseqüência da salvação e, não, como meio de salvação. A graça pode alcançar os pecadores que foram longe demais, pois “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).
É de todo necessário distinguir a graça especial da graça comum. Esta é derramada sobre a totalidade da raça humana, sem discriminação. Por essa razão, Deus “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45). Já a graça especial é derramada somente sobre aqueles que Deus elege para a vida eterna, mediante a fé em Jesus. Uma vez alcançados por essa graça, eles vão enxergar o dom de Deus, vão se arrepender de seus pecados, vão obter e desenvolver a fé salvadora, vão se integrar no corpo de Cristo e vão herdar a vida eterna.

FONTE: Revista Ultimato

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O Caráter Encarnacional da Igreja

Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo missionário e pouca inserção. A pergunta que deve ser feita é: “Como estamos missionando nos dias atuais?”. Devemos ser corajosos para avaliar as nossas estratégias, nossos métodos e táticas que usamos para comunicar o Evangelho. Parece que não é suficiente usar o marketing e a mídia para o anúncio das Boas Novas. Muito mais do que usarmos do turismo missionário para conhecer e manter trabalhos denominacionais em locais de difícil acesso nos interiores do país, precisamos estar dispostos a encarnarmo-nos neste mundo, para que sejamos relevante e cumpramos a Grande Comissão de verdade.

Necessitamos muito mais do que um “avivamento coreográfico” para redescobrirmos nossa verdadeira missão. Necessitamos urgentemente de uma restauração motivacional acerca da nossa missão partindo da interpretação correta da Palavra de Deus, rejeitando as idéias pragmáticas. Precisamos de uma nova Reforma Teológica para que passemos a tornar nossa missão mais parecida com a de Jesus e deixarmos o proselitismo de lado.

A estrutura social que se vive, está baseada no Consumismo, onde as pessoas vivem a necessidade de posse. A idéia de sucesso segundo o mundo passa pela motivação egoísta e individualista. A concepção de civilização está baseada na visão de culturas e sub-culturas que se adeqüem à Ciência e à Tecnologia. Atualmente, ainda existem no mundo as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Povos continuam a se enfrentar e a filosofia discriminatória é base da educação familiar destas raças.

O mundo tem contemplado etnocídios entre povos que vivem em conflito a centenas de anos. Em contrapartida, no mundo ocidental a Globalização tem gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países economicamente ricos dominam, controlam e oprimem os países pobres dependentes.

A nossa missão não pode ser feita sem as bases teológicas da Palavra de Deus. Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a Encarnação de Cristo. A superficialidade da interpretação do Evangelho tem gerado uma contextualização superficial. Prof. René Padilla afirma: “A missão da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, descentralizada das ambições pessoais, preocupado com as necessidades do próximo. O significado da cruz é ao mesmo tempo soteriológico e ético. E isto é assim porque, ao escolher a cruz, Jesus Cristo não somente deu forma ao indicativo do evangelho, mas simultaneamente também proveu o modelo para a vida humana aqui e agora”.

Precisamos compreender que não estamos realizando uma missão contextual, e isso se deve ao fato de que há uma falha na concepção do que seja o Evangelho da Cruz, que começa com a humilhação de Cristo ao se encarnar e encerra-se com a glória à destra do Pai.

Há um déficit teológico na Igreja atual que resulta em uma débil contextualização do Evangelho. O problema de uma fraca contextualização é a falta de reflexão teológica profunda e relevante. Se a Teologia da Cruz está diluída, as conseqüências serão de uma evangelização nominal sem os resultados éticos do Evangelho. Rev. Valdir Steuernagel afirma: “A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus”.

Rev. Luiz Augusto

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MISSÃO X PROPAGANDA

Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo missionário e pouca inserção. A pergunta que deve ser feita é: “Como estamos missionando nos dias atuais?”. Devemos ser corajosos para avaliar as nossas estratégias, nossos métodos e táticas que usamos para comunicar o Evangelho. Parece que não é suficiente usar o marketing e a mídia para o anúncio das Boas Novas. Muito mais do que usarmos do turismo missionário para conhecer e manter trabalhos denominacionais em locais de difícil acesso nos interiores do país, precisamos estar dispostos a encarnarmo-nos neste mundo, para que sejamos relevante e cumpramos a Grande Comissão de verdade.

Necessitamos muito mais do que um “avivamento coreográfico” para redescobrirmos nossa verdadeira missão. Necessitamos urgentemente de uma restauração motivacional acerca da nossa missão partindo da interpretação correta da Palavra de Deus, rejeitando as idéias pragmáticas. Precisamos de uma nova Reforma Teológica para que passemos a tornar nossa missão mais parecida com a de Jesus e deixarmos o proselitismo de lado.

A estrutura social que se vive, está baseada no Consumismo, onde as pessoas vivem a necessidade de posse. A idéia de sucesso segundo o mundo passa pela motivação egoísta e individualista. A concepção de civilização está baseada na visão de culturas e sub-culturas que se adeqüem à Ciência e à Tecnologia. Atualmente, ainda existem no mundo as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Povos continuam a se enfrentar e a filosofia discriminatória é base da educação familiar destas raças.

O mundo tem contemplado etnocídios entre povos que vivem em conflito a centenas de anos. Em contrapartida, no mundo ocidental a Globalização tem gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países economicamente ricos dominam, controlam e oprimem os países pobres dependentes.

A nossa missão não pode ser feita sem as bases teológicas da Palavra de Deus. Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a Encarnação de Cristo. A superficialidade da interpretação do Evangelho tem gerado uma contextualização superficial. Prof. René Padilla afirma: “A missão da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, descentralizada das ambições pessoais, preocupado com as necessidades do próximo. O significado da cruz é ao mesmo tempo soteriológico e ético. E isto é assim porque, ao escolher a cruz, Jesus Cristo não somente deu forma ao indicativo do evangelho, mas simultaneamente também proveu o modelo para a vida humana aqui e agora”.

Precisamos compreender que não estamos realizando uma missão contextual, e isso se deve ao fato de que há uma falha na concepção do que seja o Evangelho da Cruz, que começa com a humilhação de Cristo ao se encarnar e encerra-se com a glória à destra do Pai.

Há um déficit teológico na igreja atual que resulta em uma débil contextualização do Evangelho. O problema de uma fraca contextualização é a falta de reflexão teológica profunda e relevante.

Se a Teologia da Cruz está diluída, as conseqüências serão de uma evangelização nominal sem os resultados éticos do Evangelho. Rev. Valdir Steuernagel afirma: “A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus”.
Eis o desafio… Kyrie Eleisón.

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MAIS TENACIDADE

Quando você cair, caia de costas; porque se você pode olhar para cima, você consegue se levantar. Les Brown
Q uando foi a última vez em que você viu uma criança dar seus primeiros passos? Ela ensaiou uma tentativa de passo e caiu; levantou-se e caiu novamente. Algumas vezes na queda bateu com a cabeça, cortou os lábios, e na tentativa de segurar em algo trouxe tudo para baixo. No entanto ela continuou tentando, até que seus passos se tornaram firmes e ela pôde caminhar com segurança por toda a sala.

Uma criança nos seus primeiros passos tropeça, mas nem sempre cai, necessariamente. Contudo, quando isso acontece ela simplesmente segue em frente. Essa criança parece não se importar com sua perfórmance desengonçada; tampouco se as pessoas estão rindo dela ou não. Na verdade ela nem sequer se impressiona com o número de vezes em que irá cair. Pelo contrário: ela persiste em caminhar, até que seus passos estejam totalmente firmes. <

Quando foi que você perdeu a tenacidade de continuar seguindo em frente, mesmo com todas as quedas e tropeções?
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Porque o Senhor será a tua segurança e guardará os teus pés de serem presos. Provérbios 3:26

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O QUE LHE FALTA?

Fé é crer naquilo que não podemos ver; a recompensa dessa fé é ver aquilo em que cremos. Santo Agostinho
F é é crer naquilo que não podemos ver; a recompensa dessa fé é ver aquilo em que cremos. Santo Agostinho Pense em todas as informações e estímulos que vêm diariamente ao seu encontro. Seus cinco sentidos estão constantemente absorvendo novos dados – muito mais do que você acredita ser capaz de processar, e muito mais ainda do que você espera compreender e até mesmo lembrar.

Para lidar com isso construímos nossos próprios filtros, conhecidos como deduções e preconceitos. Uma vez instalados, eles passam a operar automaticamente, a ponto de ignorarmos a maioria das coisas que naturalmente deduzimos como fatos ou assumimos naturalmente, sem as rotularmos como preconceitos pessoais.

Esse filtro, no entanto, não é infalível, e algumas coisas acabam passando por ele. Mas será que isso não o leva a se perguntar sobre o que é que está faltando em sua vida? Ouça: as coisas principais que experimentamos são aquelas que já conhecemos, ou pelo menos ainda procuramos conhecer ou alcançar. Portanto, de uma maneira real e tangível cada um de nós é sob muitos aspectos responsável por sua própria realidade. Essa é a razão pela qual é muito importante aquilo em que você pensa, aquilo em que acredita, busca, espera. Porque a sua própria realidade depende de você.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Hebreus 11:1

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APRENDENDO COM A DOR

Você nunca será a pessoa que poderá ser se dores, pressões, tensões e disciplinas forem retiradas da sua vida. James G.Bilkey
D or é uma lição esperando ser compreendida e aprendida. Ao nos submetermos ao ensino dessa grande lição, podemos transcender a própria dor. Se você tocar um ferro quente, sentirá uma dor terrível. Se você negligenciar o aprendizado desta experiência, a dor voltará todas as vezes que você tocar o ferro quente.

Quando você aprende a lição de que a dor tem algo a ensinar, e ao evitar tocar o ferro quente, você certamente não terá que suportar aquela dor novamente. O que é que você pode aprender com as dores que esta vida lhe causa? Em cada dor existe uma lição. Algumas vezes a lição é evitar cometer os mesmos ou novos erros. Em outras ocasiões é a lição de aprender a aceitar, valorizar e triunfar sobre os desafios que temos à nossa frente.

Você já aprendeu que, nesta vida, é impossível conseguir algo em troca de nada? Ou a sua dor ainda está tentando ensinar-lhe isso? Você já aprendeu a viver com foco e propósito? Ou continua a resistir às preciosas lições que uma dor pode ensinar-lhe? Liberte-se da dor ao aprender aquilo que ela está pronta a lhe ensinar.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Salmos 84.5-6

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AS MARCAS DO VERDADEIRO DISCÍPULO

“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram. Mateus 7.13-14
Muitas pessoas que vivem nas igrejas e fora delas adiando seu compromisso com Deus. Há muitos que procuram a Cristo, porém não desejam se render a Sua autoridade. Ao falar sobre seguí-lo, Jesus lembra que a obediência não é opcional e que a fé do verdadeiro discípulo não é uma fé fácil. Há um custo pelo discipulado, isto é, pela vida eterna. Atualmente, qualquer que se declare cristão, poderá encontrar evangélicos dispostos a aceitar sua profissão de fé sem considerar o seu compromisso. Muitos crêem sinceramente que estão salvos, todavia vivem completamente estéreis, por que vivem adiando seu compromisso com a vida eterna, ou seja, com o discipulado.
Jesus nos afirma que nenhuma experiência de fé pode ser tomada como evidência de salvação, se estiver separada de uma vida de obediência a Ele. Somos encorajados a examinar e provar a nós mesmos frequentemente. Que cada árvore é conhecida pelo seu fruto (Lc 6.44). A evidência da obra de Deus em uma pessoa é o fruto inevitável de um comportamento em transformação. Vidas onde há ausência completa do fruto da verdadeira justiça há também a evidência que não há compromisso com Cristo e com a vida eterna.
A salvação não é somente um ato. É um processo em andamento que depende de uma decisão. Não é possível receber a Cristo como Salvador e rejeitá-lo como Senhor. (Rm 10.10; At 16.31; Rm 10.9; At 2.36). Com toda certeza “o Senhor não irá salvar aqueles em quem Ele não pode mandar” (A.W. Tozer). Mas todo discipulado começa com uma decisão. É o ponto de partida e não o ponto de chegada.
Há uma idéia errada vigente sobre a fé e discipulado. Jesus nos afirma que a chamada do Calvário tem que ser vista pelo que realmente é: uma chamada ao discipulado sob o Senhorio de Cristo Jesus. Atender a esta chamada é tornar-se um cristão. Qualquer coisa menos do que isso é simplesmente “falta de fé”. Mas esta caminhada nos custará uma demanda enquanto estivermos aqui. (Lc 14.26-33). Paulo nos diz que a verdadeira Graça nos ensina a renegar a impiedade e as paixões mundanas para que vivamos em piedade e em boas obras. A Graça não nos concede permissão para vivermos como queremos (Tt 2.12). A fé não é estática. É inseparável do arrependimento, da rendição e de um desejo de obediência. (Ef 2.8; Tg 2.19). Hoje se fala muito em “aceitar a Cristo” que estabelece um conceito de fé que elimina a submissão, a rendição pessoal e o abandono do pecado, classificando todos os elementos práticos da salvação como obras humanas. Porém o arrependimento está no âmago da fé salvadora. As Escrituras igualam fé e obediência (Jo 3.36; Rm 1.5; 16.26; 2 Ts 1.8). Fé e Obras jamais são incompatíveis (Jo 6.29). A verdadeira salvação, operada por Deus, nunca deixará de produzir frutos na vida de uma pessoa e através dela (Mt 7.17).
Rev. Luiz Augusto

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Brota, ó poço Entoai-lhe canticos!

Nós vamos ler em Números 21:10-20…
A narrativa desse texto faz parte daquela jornada de Israel pelo deserto, que durou quarenta anos. Eles agora já estão chegando cada vez mais perto da terra de Canaã, que veio a se tornar a terra de Israel. E os problemas não cessam. Miriã havia morrido e no capítulo anterior se diz que Moisés tinha caído em tentação por causa da água. Água é sempre um problema no deserto; e de vez em quando não havia água e eles esperavam que Moisés fosse o provedor de água para eles – através de uma mediação de Moisés junto a Deus.
E quando eles chegaram em Meribá, novamente não havia água, e eles reclamaram de Moisés e de Arão, dizendo: “Antes tivéssemos perecido quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor! Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para morrermos aí, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?”. E naquela ocasião Moisés buscou a Deus e o Senhor disse a ele: Toma a tua vara, ajunta o povo, tu e Arão, teu irmão, e diante do povo falai à rocha (falai à rocha) e ela dará água. Assim, lhe tirareis água da rocha e dareis a beber à congregação e aos seus animais.
Acontece que, em vez de fazer o que Deus disse (que fora apenas: Fala à rocha e ela dará água), em vez de falar à rocha, Moisés levantou a mão, pegou da sua vara e com ela feriu a rocha duas vezes. O salmo 106, no verso 33, nos diz que Moisés agiu mui precipitadamente, porque o coração dele estava tomado de ira, de zanga, de mau humor. Ainda assim, porque o Senhor é bom e a sua misericórdia dura para sempre, saíram muitas águas da rocha e bebeu a congregação e os seus animais. Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: “Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não fareis entrar este povo na terra que lhe dei”. Então, Moisés vê a terra de cima, das montanhas de Moabe, mas nela não penetra. Esse encargo é transferido para Josué, que faz o povo entrar na terra de Canaã, que veio a ser chamada de terra de Israel.
Nesse processo morre Arão, eles lutam algumas guerras, sucumbem em alguns pecados, experimentam algumas situações de destruição contra eles mesmos. Praticamente é um passo de vitória, um passo de derrota, um passo de vitória, um passo de derrota, a jornada desse pessoal indo na direção da terra que o Senhor lhes prometera.
E na passagem que vamos ler, como eu disse, eles já se avizinham do final da jornada. E não esqueçam: o episódio da água havia marcado a vida de Moisés definitivamente, algum tempo antes. E agora falta água outra vez.

“Então, partiram os filhos de Israel e se acamparam em Obote. Depois, partiram de Obote e se acamparam em Ijé-Abarim, no deserto que está defronte de Moabe, para o nascente. Dali, partiram e se acamparam no vale de Zerede. E, dali, partiram e se acamparam na outra margem do Arnom, que está no deserto que se estende do território dos amorreus; porque o Arnom é o limite de Moabe, entre Moabe e os amorreus. Pelo que se diz no Livro das Guerras do SENHOR: Vaebe em Sufa, e os vales do Arnom, e o declive dos vales que se inclina para a sede de Ar e se encosta aos limites de Moabe. (Isso aqui lido em português, e para quem não conhece a geografia, não faz sentido algum. Mas em hebraico, vale dizer, o que está dito aqui equivale a uma poesia).
Dali partiram para Beer; este é o poço do qual disse o SENHOR a Moisés: Ajunta o povo, e lhe darei água. (Beer, que para nós parece ser apenas o nome de um lugar, em hebraico significa “poço”. Partiram para um poço. Esse é um poço que passou a ter esse nome, mas ele não existia antes. Eles andaram na direção de um lugar que, depois, ganhou esse nome).
Então, cantou Israel este cântico: Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo abriram, com o cetro, com os seus bordões . (O povo cantou este cântico naquele lugar onde não havia água, mas apenas a projeção da expectativa de um poço. Também não é bonito, em Português. Em hebraico é pura poesia, com rima; tudo isso era rimado, no hebraico; era uma canção bonita.).
Do deserto, partiram para Mataná. E, de Mataná, para Naaliel e, de Naaliel, para Bamote. De Bamote, ao vale que está no campo de Moabe, no cimo de Pisga, que olha para o deserto (Pisga ou Pisgá, na verdade não é um nome, mas o ponto mais alto de qualquer lugar. Em hebraico, o ponto mais alto de um lugar se chama Pisgá. Foram, em Moabe, para o ponto mais alto, que olha para o deserto)”.
E, aí, a vida prossegue, eles enfrentam o rei de Esbom e vencem. Vencem Ogue, rei de Basã, que era um dos remanescentes dos refains, filhos dos Nephilins; e que era um gigante que dormia numa cama de ferro de cinco metros e vinte por dois e oitenta de largura. Até que, enfim, eles entram na terra.
Mas o que eu quero conversar com vocês é sobre a peculiaridade dessa solução de água que Deus trouxe para o povo de Israel nesse momento da jornada e da caminhada deles. Porque Moisés é um ser marcado pela sina da água. O nome dele – Moisés – já significa “Tirado das águas”; então, ele já carrega desde o nascimento essa dor, esse problema com água: quase morre nas águas – puseram na água o cestinho onde ele, bebê, estava; quando é retirado de lá, ele ganha esse nome, “Tirado das águas”. Esse era o nome dele. – como vai, como é o seu nome? Meu nome é Tirado da Águas. E tudo, na vida adulta dele, nessa caminhada de quarenta anos com o povo de Israel, teve a ver com água. Ele começa tendo que ferir as águas do rio Nilo, que se tornaram em sangue. Depois, tem que abrir as águas do Mar Vermelho, e lá vai ele. Mais adiante, problema do povo com sede, aí, lá vai o povo a Moisés: Escuta, Moisés, você foi tirado das águas, então, entende de água; já fez a água do Nilo virar

sangue, já abriu as águas do Mar Vermelho; e agora a gente está com sede; cadê a água, Moisés?! Aí, Moisés vai… água aqui, água ali…
E de tanto que pediram por água e reclamaram por outras coisas a esse homem – que todas as vezes que lhe chamavam pelo nome ele ouvia o nome de água –, ele já estava que não aguentava. Estava velho, chegando perto dos cento e vinte anos de idade, quando, mais uma vez, disseram: Ô da água, cadê a água?! Aí o Senhor disse: Fala à rocha, Moisés, e ela vai te dar água. E Moisés, em vez de falar, pegou a vara dele e partiu para as cabeças: Vocês querem água?! E bateu com a vara na rocha. Aí, a água jorrou. E Moisés foi embora fulo, deixou a água jorrando, lá. Então, o Senhor o chamou e disse: Porque agiste assim, aleivosa, precipitada, iradamente, e não honraste o meu nome, e não me deste glória, tu não entrarás nessa terra que eu estou dando a esse povo (onde haveria mais uma fronteira de água, a do Jordão. E foi Josué quem, posteriormente, a atravessou, a pé enxuto, com a Arca do Senhor e as trombetas cantando adiante do povo).
Mas antes que isso tudo acontecesse, que esse desfecho final da vida de Moisés viesse a se dar, com ele morrendo diante de Deus, lá em Pisga, lá no monte mais alto das montanhas de Moabe, havendo o Senhor mesmo o sepultado; antes que isso acontecesse, houve este episódio sobre o qual lemos, depois de Meribá. Moisés estava traumatizado com essa história de água, e lá vem o povo de novo, dizendo: Não tem água, Moisés. E o Senhor disse: Moisés, eu vou te tirar a sina da água; apenas reúne o povo, mas tu não vais mais resolver problema de água para ninguém.
Eu acho de uma delicadeza extraordinária que essa palavra de Deus seja depois daquele tropeção final de Moisés na sina prevalente da sua história, que tinha a ver com água desde o seu nascimento. Moisés é um indivíduo que viaja nas águas, é chamado por um nome de água, é um solucionador de problemas de água no deserto, e sucumbe à tentação da água, em razão de que viera aquela palavra de Deus dizendo que ele não entraria na terra, apenas a veria de longe. Aí surge este novo problema com água, e a delicadeza divina diz: Moisés, tu estás livre desse mal; agora tu vais ensinar o povo a, eles próprios, lidarem com o problema da água. Reúne o povo; tu não vais mais ser o mediador da água.
Porque mesmo o indivíduo que carregue a consciência de um Moisés corre o risco de ficar tão acossado, tão oprimido, tão pressionado por demandas tão exigentes, tão extravagantes, tão contínuas, tão desumanas, tão imponderadas e tão ferinas, que perde a sobriedade – como se deu com Moisés. E aí, vem, agora, essa delicadeza divina que diz: Tu vais ser levado e eles vão continuar. E antes que tu partas, tu mesmo verás, com os teus olhos, como eles vão ter que aprender a lidar com o problema da água. Assim, apenas reúne o povo.
Então, Moisés os reuniu e os ajuntou. E eles ficaram esperando uma providência de Moisés, com aquela famosa vara, que ferira o Nilo, abrira o Mar Vermelho, fizera tantos outros sinais e prodígios, no curso daquele período. Mas agora a vara está quietinha, ao lado de Moisés; e ele, calado, olhando para o povo. E a voz de Deus no coração de Moisés apenas diz o seguinte: Reúne o povo e à frente dele põe os príncipes das tribos de Israel – todos os príncipes, todos

os líderes – e manda que eles cantem olhando para o chão; que eles façam uma poesia à terra, que eles façam uma poesia à aridez, que eles façam uma poesia à secura; que eles componham um cântico à poeira, que eles façam brotar de seus corações um manancial poético e de louvor, com rima e com gratidão; e que eles cantem aos céus olhando para o chão e que entoem um cântico que diga: “Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos!” E a canção ainda prosseguia em outro verso, que dizia: “Poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo abriram, com o cetro dos seus bordões”. E Moisés quieto, segurando a sua vara, assistindo aquela multidão, com os príncipes em círculo, bem adiante do nada, da poeira do deserto, de coisa alguma, apenas cantando aos céus e fazendo poesia para o chão, dizendo: “Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo abriram com o cetro dos seus bordões. Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos!”.
Enquanto eles assim faziam, as águas começaram a brotar. Daí o lugar se chamar Beer, que significa “poço”. O nome do poço passou a ser Poço. Não é de Mataná. É Poço. Porque o que aconteceu ali foi um poço; que brotou do nada; evocado pelo louvor, pela poesia, pelo cântico, pela gratidão. E essa era uma das últimas lições de Deus a Moisés e de Moisés ao povo, antes que Moisés mesmo se retirasse. Porque essa é uma das últimas lições da consciência humana no deserto desta existência.
Há tempos em que a gente precisa de alguém que fira a água e nos traga livramentos; que abra mares e nos ajude a passar; que ore e Deus faça vir provimentos, codornizes, livramentos e manás; que indique caminhos, que mostre soluções. Mas mesmo esse que seja o mediador de tantas coisas importantes da graça de Deus na vida do povo é somente um ser humano, tem o seu limite; carrega, nas soluções que traz, a sua própria tentação e a sua própria sina; carrega, na graça que produz, a sua própria fragilidade. Na mesma medida em que ele é instrumento das águas, ele é tentado por elas. Na mesma perspectiva em que ele traz soluções pelas águas, ele traz complicações pessoais, pelo cansaço de trazer água mas ele mesmo não ter, jamais, a sua sede dessedentada pelo descanso. E na sua canseira ele tropeça nas soluções que traz. Isso, do ponto de vista de Moisés.
Do ponto de vista do povo, chega a hora em que cada um tem que aprender a fazer evocações ao chão do deserto, com o coração nos céus e os olhos no chão; tem que aprender a desenvolver a inspiração que não depende de ninguém nem de um terceiro. Que é o crescimento da consciência individual e coletiva, e que tem que chegar nesse nível capaz de aprender a fazer poços no deserto; e a fazê-los sem que os batize com nome especial; e a fazê-los com a consciência de que no deserto a gente só faz poço cavando com louvor e gratidão. No deserto a gente só faz poço cavando com louvor e gratidão.
Muitos de nós nos acostumamos a ter sempre ajuda de pessoas – e isso é natural; a ter a ajuda de alguém mais sábio, alguém mais maduro, alguém mais experiente, alguém mais enraizado na fé, alguém com mais consciência, alguém com mais história, alguém com dons indicativamente específicos, de uma certa liderança e visibilidade que produz encaminhamento. Tudo isso é normal, mas tudo isso tem um tempo. Todo Moisés morre. Todo ser tirado

das águas pode tropeçar nas águas. Nenhum de nós é chamado para ficar dependendo de um único, pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem. E também porque Jesus nos disse: “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. E já dissera também: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Do seu interior fluirão rios de água viva.
Eu não estou dizendo isso para nos desagregar. Não estou dizendo isso para gerar um espírito de individualidade autônoma e distante, entre nós. Ao contrário: quanto mais nós tenhamos prazer em nos ajuntarmos e nos reunirmos, tanto mais devemos desenvolver a consciência de que nos reunimos não por causa da nossa necessidade essencial, seja da reunião ou seja daquele que a preside ou que nela fala. Porque, do contrário, a convergência de todas as coisas para um só se torna algo esmagador, tentador, enfraquecedor, destruidor para aquele que seja o objeto dessa convergência. Quando, na verdade, nós já entramos numa era onde nenhum ser humano é chafariz de todos os demais; onde nenhum Moisés, de tanto que serviu, se canse de servir e peque, no ato de servir. Nós já entramos num tempo e numa era em que está dito que cada um daqueles que creem em Jesus, segundo a Escritura, do seu interior fluirá Beer, o poço, a fonte das águas da vida.
Mas eu sei que é muito difícil a gente aprender isso na hora do deserto, do desertão da vida. Como eu sei que há pessoas aqui atravessando um deserto horrível: gente carregando uma espada na cabeça, uma sentença perigosa, de doenças sérias em si ou na família. Há alguns aqui que vivem rotinas de sobrevivência difíceis, pesadas, que a maioria de nós não suportaria enfrentar com tanto carinho nem bom humor. Há alguns aqui que voltam para casas muitos boas e confortáveis, mas há outros que voltam para lugares pequenos, para cortiços, praticamente, para lugares sem conforto nenhum, de teto baixo, de telhado de amianto, irradiando um calor horrível sobre suas moleiras; lugares onde o suposto calor deste lugar em que estamos agora se torna ar-condicionado. Há alguns aqui que voltam para casa e abrem uma geladeira cheia; há outros que voltam e têm um minibar vazio, em casa. Há uns que voltam para um abraço, para aconchego, para beijo, para carinho, para dormirem numa cama onde há um companheiro ou uma companheira amorosos; outros voltam para um quarto onde há um companheiro ou uma companheira hostis. Alguns voltam para o aconchego de uma família; outros voltam para uma situação de solidão, de solitude, de ouvirem os seus próprios pensamentos de maneira gritada, de tão silenciosa que é a noite deles.
Há muita gente que sai daqui e vai para um oásis. Mas há uma grande maioria que sai daqui e continua andando num deserto – pessoas para as quais o oásis é aqui. E aí, meu irmão, minha irmã, eu não posso ir com você. E mesmo que eu pudesse, eu correria o risco de que o meu nome, que já é Caio, se cumprisse veementemente como uma sina, e eu caísse, e caísse, e caísse; porque eu sou apenas um homenzinho de nada.
A lição à qual nós estamos sendo introduzidos desde julho deste ano, na nossa quinta etapa existencial nesses sete

anos do Caminho da Graça (nós entramos numa quinta era, aqui entre nós), hoje eu anuncio explicitamente a vocês. Com essa divisão de grupos, de diaconias, de ministérios, o que é que eu estou tentando fazer? Eu estou tentando me des-Moiseificar para a consciência de vocês. Não porque eu e minha mulher estejamos pretendendo nos retirar para algum lugar. Se for da vontade de Deus, eu pretendo morrer em Brasília; mas eu espero que muito antes que esses dias cheguem para a minha vida eu tenha a alegria de poder olhar e dizer que os príncipes do povo, todos, se reuniram; e que o povo todo aprendeu a se reunir; e que todo o povo de Deus aprendeu a cantar juntos: Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Poço que os príncipes do povo abriram, que os nobres do povo, com os seus cetros, abriram. Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Que cada um aprendeu, pela fé, a abrir poços, com canções, com poesia, com louvor; com essa fé que faz um cetro sair da nossa boca, das palavras da positividade do nosso ser grato e confiante na providência de Deus. Que por tal cetro de palavra e de fé, de alegria, de gratidão e de confiança, cada um de nós aprenda a cantar para os céus, fazendo uma poesia que rasgue o chão. E que do chão da nossa vida, conforme a nossa necessidade, brote o poço da misericórdia de Deus, bem diante de nós. Em nome de Jesus.
A minha oração é esta: que o Espírito Santo nos mostre essa visão; que o Espírito Santo nos internalize essa mensagem, essa palavra, essa imagem, essa certeza, essa profecia, essa consciência. Que cada um de nós, que está aprendendo, possa aprender hoje; possa começar a exercitar agora, quando o povo está reunido, a entender que no deserto a gente só abre poços quando os cava com louvor, com gratidão, com confiança desamargurada, com alma cheia de poesia aos céus. Em nome do Senhor Jesus.
Era somente isso que eu tinha para dizer aqui. Agora, brota, ó poço, entoai-lhe cânticos! Você vai voltar para o seu deserto? Vá, meu irmão; vá cantando. E não fique cantando apenas para dentro, tenha a coragem de cantar para fora, também. Nós ficamos muito politicamente corretos; nós tivemos uma overdose de música gospel tão perversa, que hoje em dia nós achamos até que é um mico, cantar. Vamos parar com isso! Louve! Louve na mente, louve com a boca, louve com o coração, louve com atitudes, louve com pensamentos: Brota, ó poço! Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Reúna-se com os irmãos e juntos digam: Brota, ó poço, entoai-lhe cânticos! Brota, ó poço!
Nós vamos cavar poços com as nossas canções, nós vamos cavar poços com as nossas confissões, nós vamos cavar poços com a nossa adoração. Nós vamos cavar poços com a nossa alegria prévia, nós vamos cavar poços no auge da seca, nós vamos cavar poços quando não haja nuvens de chuva, mas apenas essas nuvens meio apocalípticas dentro de nós (como essa que Adriana e eu vimos hoje encobrindo um sol tão lindo e avermelhado, mas que estava avermelhado pela tintura da poeira de nuvens secas).
Em todas as circunstâncias da nossa vida – e a vida tem fartura de circunstâncias – nós vamos aprender a cavar poços com cânticos, com louvor, com alegria, com gratidão, com confiança, com fé. Sem ansiedades, com uma boa atitude, com positividade, com alegria. Sem nos isolarmos e continuando a nos reunir com os irmãos. Sabendo que eu

individualmente cavarei os meus poços; e sabendo que nós, conjunta e coletivamente, também nos reuniremos para cantar aos céus, olhando para o chão da realidade; e, juntos, abrirmos poços de louvor que vão dessedentar a sede de todos nós, em nome de Jesus.
E agora eu quero convidar você a orar. Você que está atravessando aquele desertão e sabe que também chegou a hora de você aprender essa lição: de não depender mais de Moisés, de aprender a depender de Deus, e entender, de uma vez para sempre, que nós temos um sumo sacerdote que pode se compadecer das nossas fraquezas. Porque ele mesmo disse “Tenho sede”. Porque ele mesmo nos ensinou a cavar poços com louvor, conforme está dito que depois de anunciada a sua traição, ele cantou um hino e foi para o jardim do Getsêmani para ser manietado e levado para a morte (é o único lugar onde explicitamente se diz que Jesus cantou); nas horas anteriores a ser preso ele enfrenta o julgamento com uma canção.
Quero convidar você, que está andando nesse desertão de doença física, de escassez financeira, de avidez afetiva (você sabe qual é o seu chão) mas quer mudar o paradigma e parar de se queixar, de se amargurar, de dizer: Cadê Moisés, cadê Fulano, cadê Beltrano; e decidir que você mesmo será agente dessa escavação – você, com a sua boca, você, com o seu louvor, você, com a sua fé, você, com a sua confiança, você, transformando lamúrias em poesias, em rimas; você, não mais se entregando à pressão das dores nem dos humores, mas você mesmo molhando com as suas lágrimas o chão onde pisa, enquanto canta com gratidão: Brota, ó poço, eu estou cantando para a terra; terra, obedece à voz do meu louvor, vira água, em nome do Senhor!
Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Cantai ao poço que vem, cantai à água que vem, cantai à solução que já chega. Fazei poesias antecipadas ao poço que já é, pela fé. Porque o Senhor é bom e porque a sua misericórdia dura para sempre.
Se você quer orar, venha até aqui para orarmos juntos. E você vai orar por você. Você vai falar com o seu chão, com o seu poço. Fale você, com o seu chão.
Cantai ao poço, que ainda não existe, mas que vai ser construído em louvor, em fé, em confiança, em adoração. Brota, ó poço! Nós cantamos a tua canção.
Pense qual é o poço, o seu poço, que tem que ser aberto; qual é o seu poço personalizado. Pense. E faça o seu pensamento voar, pela fé, para o trono da graça do Deus eterno. Não tem que atravessar o cosmos, é só um movimento que vai da boca ao coração; confessa com a boca e crê no coração, e tudo chega diante do trono da graça. Dê nome ao seu poço particular. O nome desse aqui é “Poço”, porque cada um sabe o nome do seu. E, então, com fé, confesse com a boca e creia com o coração: Brota, ó poço, dá a água da minha necessidade. Brota, ó poço, eu louvo ao Senhor porque, para mim, tu já és realidade. Em nome de Jesus. Caio Fábio

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A CRUZ DE CRISTO: O MAIOR SIMBOLO CRISTÃO

A crucifixão era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos.
Na literatura romana, a crucifixão é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não-romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassinato, furto grave, traição e rebelião. Seguindo a forma romana de crucifixão Jesus provavelmente carregou somente a parte transversal da cruz, pois a parte vertical era deixada no local da execução à espera do condenado. Os braços eram inicialmente amarrados e somente ao chegar no local eram pregados ao madeiro. Acontecia o mesmo procedimento com as pernas e pés.
A vítima era suspensa pouco mais de um metro do chão para que as pessoas pudessem dar de beber uma mistura de água e fel ou vinagre para ser mantida o tempo inteiro consciente, sem haver possibilidade de desmaios (Mt 27,48). Os romanos crucificavam os criminosos inteiramente nus e não há motivo para se pensar que tenha sido feita alguma exceção para Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados para serem divididas. As vestes de Jesus não foram divididas, mas sorteadas, pois era de tecido fino e sem costuras. Tal indumentária e feitio não poderiam ser destruídas, por isso preferiu-se lançar sorte. (Mt 27,35ss).
Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma tabuinha, que o condenado levava pendurado no pescoço até o local da execução; essa tabuinha foi afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de Jesus não indicava um crime, mas registrava simplesmente a expressão “rei dos judeus” (Mt 27,37). A inscrição era feita em três línguas: aramaico, o dialeto local; o grego, a língua do mundo romano e o latim, a língua oficial da administração romana.
A morte de Jesus foi muito rápida. Ele ficou suspenso à cruz algumas horas. Geralmente a morte dos condenados à cruz se dava depois de alguns dias após pregado. Este foi o caso dos dois ladrões que ladeavam Jesus: foram- lhe quebradas as pernas para que o fim fosse apressado, pois a Páscoa judaica se aproximava (Jo 19,32ss).
No Novo Testamento, o simbolismo teológico da Cruz só aparece em uma afirmação do próprio Senhor e nos escritos de São Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem tomar a sua própria Cruz, perdendo assim a vida, para depois conquistá-la (Mt 10,38). Não se trata apenas de alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu seguimento exige a negação de si mesmo (Mc 8,34), o total desprezo pela própria vida, pelo bem-estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir Jesus.
Paulo pregava o Cristo crucificado, embora isto fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios (1Cor 1,23). A linguagem da Cruz é absurda para aqueles que, sem ela, se perdem; entretanto é poder de Deus para aqueles que se salvam. (1Cor 1, 18) A Importância do Silêncio para Nossa Espiritualidade.
John Mckenzie

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Não Quero Mais Ser Evangélico!

O termo “evangélico” perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais, ser praticante e pregador do Evangelho (boas novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um seguimento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante – o seguimento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro. Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai, porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por profissionais da fé. Voltemos à consciência de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro; uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. Chega dessa “diabose”! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado.
(Retirado de parte do texto de Ariovaldo Ramos) Leia o artigo completo Aqui

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TUDO PODE COMEÇAR QUANDO ESTÁ A PONTO DE TERMINAR

A vida deveria ser encarada assim. De trás para frente. E isso pelo fato de que nós, os viventes, somos seres em construção. Não a construção que não pode ser utilizada, nem liberada, como acontece com as instalações das casas e/ou empresas; mas aquela que a olhos nus está pronta, contudo, é capaz de ser transitada, curtida, porém, eternamente carente de melhoramentos.
Tal filosofia se encaixa bem, a meu ver, nos relacionamentos entre os homens com homens e entre os homens e Deus. As pessoas se casam, idealizando um projeto de vida acabado, e quase sempre não sabem se realmente amam o (a) cônjuge e se estão dispostos a dividirem momentos bons e ruins. Então, quando se encontram no ápice da separação, da ruptura, do perder-se de vez do outro, do divórcio – e até depois deste -, realizam a descoberta de que sem aquela pessoa passar os dias na Terra não é tão interessante. Aí começam a celebrar o novo numa vida nova, após o caos total.
Do mesmo modo, se dá com as amizades… Elas trazem decepções, provações, testes, enfim, promovem dia-a-dia, ocasião a ocasião, um desvendamento do outro e de nós próprios capazes de fazer apaixonar por uma pessoa quase que inteiramente sem afeição. Vai entender! Tudo pode começar quando está a ponto de terminar.
Também vejo essa frase se explicar na relação com o divino, com Aquele que não precisa ser explicado e nem pode. Tanta gente, inclusive, eu, embarquei partindo do pressuposto que de Deus entendia tudo e mais um pouco, e que minha própria compreensão acerca Dele seria capaz de levar outros à Luz, quando na verdade, meu ser transitava em densas trevas.
Hoje, após tantos arranhões, daquilo que pensei que fosse e daquilo que as pessoas pensaram a meu respeito, ultrapassa a fronteira do fim de uma etapa e me encontro no início de algo maravilhoso, simples e sem condicionantes, e vejo que tudo pode começar quando está a ponto de terminar.
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião… Tudo roda termina e recomeça. Tem sido assim comigo, é assim com você? Rev. Edson Rodrigues

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OS CINCO DEFEITOS DE JESUS

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos num purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “…hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem. Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume… Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7,47)… A memória de Jesus não é igual à minha…

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado… “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7). Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração…

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa… procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma… (Lc 15,8-10)… de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma… O coração tem motivações que a razão desconhece… Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte…” (Lc 15,10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas” levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados… Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias… Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso. Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)… Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua… Vai que este aventureiro tem razão…? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira…! “A quem iremos?”…

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? …
Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida… Em que medida? Infinita.
Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.
C. Van Thuan

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