GENUÍNO PRAZER

Um miligrama de obediência vale mais que uma tonelada de oração. Timothy Rogers

O prazer é uma recompensa maravilhosa, mas ele não é e nem pode ser um fim em si mesmo. A busca de um prazer vazio é perder de vista os valores e a alegria que um genuíno prazer traz.
O prazer genuíno vem como resultado de alcançar um alvo ou algum nobre propósito. Você não pode criar o prazer. O prazer nasce apenas como resultado de uma outra atividade. Como um fim em si mesmo, o prazer se torna vazio e sem significado algum. Como um viciado que anseia pela droga, em busca do prazer que ela lhe proporciona, aqueles que buscam o prazer em si mesmo jamais encontram o prazer perene e duradouro.
Alguém que evita a obediência e vai direto ao prazer nada mais faz do que roubar do prazer aquilo que tanto busca: alegria, significado e propósito. Quando o apenas “sentir-se bem” anula a profundidade, ele deixa de acrescentar valor e exuberância à sua vida.
Prazer é recompensa; não é um estilo de vida. Deus, aquele que criou o prazer, se deleita quando nós o desfrutamos tanto quanto possível. Por isso a Escritura Sagrada recomenda: Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração (Salmos, 37:4). O único parâmetro é que esse prazer seja alcançado de forma correta, segundo os seus padrões, caso contrário já não é prazer.
Nélio DaSilva

Amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado. Por isso tenho por, em tudo, retos os teus preceitos todos, e aborreço todo caminho de falsidade. Salmos 119:127,128

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RISCOS

Arrisque! A vida em si mesma é um risco. A pessoa que mais realiza é aquela que está mais propensa ao risco. O barco“ CERTEZA” nunca sai do porto. Dale Carnegie

Do momento que você nasceu até o dia de hoje você entrou num circulo cercado de risco. A vida é um risco. Não importa onde você vive, que tipo de profissão você exerça, ou quanto dinheiro você tenha; os riscos estão sempre presentes. Você não pode fugir dos riscos emocionais, riscos físicos, riscos financeiros, riscos sociais. É impossível viver sem riscos. O que você deve fazer é aprender como retirar o melhor dos seus riscos.

Seria pura tolice arriscar-se em algo que não possa oferecer a possibilidade de um retorno. Da mesma maneira é tolice permitir que o medo o venha impedir de tomar uma determinada ação. Lembre-se que você chegou até aqui a despeito dos riscos que estavam envolvidos no processo, e ao longo da jornada você aprendeu algumas preciosas lições. Você possivelmente teve alguns fracassos aqui e ali, mas eles não foram fatais.

Portanto, aquilo que você almeja alcançar, vá em frente! A vida apresenta os seus riscos, não tenha dúvida; busque, portanto, os riscos que podem lhe trazer a maior recompensa. Apresente clara, especifica e objetivamente aquilo que você está “arriscando” a Deus; ore por isso. Lembre-se que no dia de hoje Deus já abençoou milhões de indivíduos e circunstâncias, peça ao Pai para incluí-lo nas coisas lindas que Ele está realizando. E você então irá perceber os seus horizontes se alargarem e os seus sonhos se tornarem uma realidade concreta.

Rev. Nélio DaSilva

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CELEBRANDO O NATAL COM A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO

No Leste europeu os centros comerciais não ficam completamente entupidos nas vésperas de Natal. Isto porque o Natal naquelas regiões se comemora “sem” presentes, “sem” renas e “sem” Pai Noel. As crianças desde cedo se habituam a que o “prato principal” de 24 de Dezembro seja a “Divina Liturgia”, já que para os cristãos orientais o Natal é uma tradição religiosa e não “culinária”. Assim, a presença assídua da família na “Divina Liturgia” de dia 24 para 25 é o motivo da celebração. São mais de quatro horas passadas na igreja e só no final há um “banquete” ou ágape, que pode ser entre todos ou apenas com a família.

Fico me perguntando se não houvesse tantas luzes, fogos de artifício, troca de presentes, e outras fanfarrices no Natal, nós realmente estaríamos celebrando esta festa. Ao mesmo tempo, fico perturbado com alguns crentes que vivem procurando “erros” na tradição cristã.

Alguns ultimamente estão questionando se o dia 25 de dezembro foi mesmo a data que Jesus nasceu, se houve ou não influência do paganismo sobre esta data na época que foi criada. É impressionante como queremos testificar para nós mesmos que somos os detentores da verdade. Isso é ridículo e inócuo.

Precisamos verificar sim, se nossa motivação em celebrar o Natal não é meramente uma questão cultural ou consumista e comercial, ou também para os líderes religiosos terem seus templos cheios de pessoas. Trocar presentes, ter um momento com a família em uma Ceia, com certeza, não terão valor algum, se a motivação de celebrar a “Encarnação de Deus” não for a nossa maior prioridade.

Vale a pena lembrar que trocar presentes era uma prática usada pelos cristãos lembrando a atitude dos Magos que ofereceram a Jesus: Ouro, Incenso e Mirra. A culinária deveria lembrar o Natal se não nos déssemos apenas a bebedice e a comilança.

Porém é bom lembrar que a celebração do natal por si só também não faz nenhum sentido se não for a “celebração sincera”, a comemoração de que Deus um dia, desceu dos céus, se fez ser humano como nós, a fim de restaurar toda a sua Criação.

Na sua glória, Deus abdicou da mesma e se fez como um “escravo”, nascendo como um pobre para mostrar que a força e o poder não são reservados aos grandes, mas aos pequenos, que o que importa no Reino de Deus não são os primeiros e sim os últimos, que o maior não é quem é servido, mas, quem serve.

O Natal somente faz sentido em minha vida quando celebro a Encarnação e me encarno como Cristo se encarnou. Se com Ceia ou sem Ceia, se com muito barulho ou apenas no silencio, seja lá como for, o Natal sem esta motivação é apenas sim, uma festa pagã dentro do meu coração.

Um Feliz e verdadeiro Natal.
Deus se fez gente!

Rev. Luiz Augusto

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BUSCANDO UM NATAL QUE FAÇA SENTIDO

O Natal que se vê hoje pode ser sinônimo de várias outras práticas e motivos. Por exemplo, há gente que relaciona o Natal com o sentimento de mais um ciclo que se fecha em sua vida, pelas comemorações do ano que está findando. Outros usam esta data para avaliar e redefinir planos pessoais que envolvem a carreira. Outros ainda não conseguem ver o Natal sem o cifrão sinônimo do Consumismo desenfreado: gastar e gastar, esta é a lei.

Na verdade, o Natal não tem nenhuma relação com os assuntos acima citados. É a data onde toda a Cristandade comemora a encarnação do Deus Criador e sustentador deste Universo. O Natal fala sobre advento do Cristo. O Natal fala sobre a paz que Deus trouxe aos homens de boa vontade, de todas as nações e povos.

Ao festejarmos o Natal falamos sobre a decisão de Cristo em abdicar de Sua glória e tornar-se humano e submetendo-se a lei dos homens (Fp 2.5-8), morrendo, ressuscitando e abrindo as portas de uma nova criação que viverá numa nova terra, física e eterna, cumprindo os princípios da criação original. Portanto, o Natal torna-se o modelo de nossa prática de vida enquanto estivermos neste mundo.

Ao observar a motivação de Deus, sou motivado também a me deixar enviar a toda pessoa, sem distinção de raça, cor, sexo ou religião. Se Cristo veio ao mundo e se tornou homem, o mesmo sentimento deve existir em minha vida a fim de me relacionar com todos e com todas para que de alguma maneira a graça invada outros corações.

Ao observar a intensidade e plenitude da encarnação de Deus, sou levado a avaliar meu nível de submissão a outros, se estou me relacionando de igual para igual com outras pessoas (João 1.14). Quais são as exigências da cruz?
Ao observar o nível de doação de Deus pela humanidade sou questionado pelo seu exemplo se realmente estou me doando e me renunciando em favor de outros, renunciando a glória pessoal, entregando-me em favor de pessoas, respeitando o outros, não usurpando o direito de terceiros (Fp 2.6-9).

Neste Natal, para que esta Festa faça sentido em minha vida, sou admoestado a despojar a minha auto piedade, o egocentrismo consumista e tomar iniciativas práticas em favor de outros, fazendo doação de algo mais permanente do que simplesmente presentes e souvenires.

Neste Natal, tire um pouco de você para dar a alguém algo que seja frutuoso e valoroso. Doe atenção, tempo, talentos, dons em favor de pessoas que você sabe que jamais vão poder retribuir o que você fará. Neste Natal faça uma oferta missionária, renove seu compromisso com o mundo carente, busque renovar relacionamentos que foram quebrados e resgate algo mais durável e cheio de vida. Somente assim seu Natal fará sentido, de outra sorte, será uma mera festa consumista.

Rev. Luiz Augusto

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O QUE SERIA DA IGREJA EVANGÉLICA SEM OS EVENTOS?

Depois de folhear algumas das revistas evangélicas de nosso país, eis que fui tomado de uma pergunta inquietante. “O que seria da igreja evangélica no Brasil, se a partir de agora, não ocorressem mais os eventos e programas que os mesmos evangélicos propagandeiam?”
Jamais esquecerei de uma frase dita por um de meus professores quando afirmou, desenvolvendo o assunto sobre a eclesiologia brasileira: “A igreja nasceu como um fato na Palestina, foi à Grécia e se tornou uma ideologia, então foi levada a Europa e Estados Unidos e se tornou um empreendimento, veio para o Brasil e se tornou um evento”. Guardadas as proporções detalhistas da história humana e da igreja, a igreja do século XXI, pós-moderna, está fadada a viver motivada, animada pelos milhares de eventos que se faz durante o ano. Sem falar daqueles que lucram e lucram muito com estes eventos, não os questiono na realização, pois muitos acabam por conhecerem a Cristo, devido à misericórdia divina. Mas é impressionante, o sistema evangélico vivenciado e imposto pelos líderes religiosos, pastores da mídia, são ipsis litteris, uma cópia fiel das motivações e encontros realizados pela maioria das empresas, sociedades filantrópicas, eventos de marketing, treinamento para o mercado, e tantos outros. Somos uma cópia fiel da sociedade de consumo. Assim como se consome qualquer produto no meio social, a igreja evangélica aprendeu a consumir os mais variados eventos religiosos.
A começar das igrejas locais, pense comigo, por exemplo, quantos eventos são realizados para atrair casais, jovens, e os mais variados tipos de pessoas? Há eventos que se fossem realmente pesados na balança de Deus e do que Deus quer fazer, nem sequer Deus estaria presente neles. Há eventos como Encontros de Fé, Encontrões de Mocidade, Conferencias Evangelisticas, Conferencias missionárias, e inúmeros eventos de avivamento, sem contar as Correntes, os Cultos especiais, os Mega-eventos nas mega-cidades.
De fato, você deve pensar no que vou dizer agora: Os cristãos do século XXI estão se tornando “cristãos-evento”. Pense agora no dinheiro investido nestes eventos e que poderiam ser investidos na área social, na área missionária, e em bolsas de estudos para enviarem homens e mulheres para a preparação em seminários e escolas sérias que estão envolvidas com o reino de Deus.
Se analisarmos o início do cristianismo vemos que a fé estava unida às coisas comuns da vida. A fé não era consumida, era vivida, não era propagandeada, mas absorvida por pessoas comuns que em seus afazeres comuns deixavam por natureza comum produzir homens e mulheres tocados e verdadeiramente convertidos a este reino.
Como disse os eventos não são um mal em si. Mas tornaram-se um fim em si mesmo, para propagar a fé evangélica que estamos deixando de vivê-la sob a graça de Jesus no dia-a-dia. E ao pensar nisso, os eventos realizados pelo movimento evangélico brasileiro deveriam ter forte conotação em administrar os resultados do mesmo. O Discipulado ou acompanhamento posterior de pessoas interessadas é a resposta para isso. O evento embora seja estrondoso, barulhento, emocionante, sensacional, não pode produzir raízes em vidas que desejam conhecer a Jesus.
É hora dos líderes religiosos evangélicos tomarem coragem para fazerem uma autocrítica acerca destes eventos e programas que embora não percebamos transforma a igreja local ou a igreja nacional em puro “ativismo”. A fé nunca é vivenciada no coletivo se não começar na vida simples e comum de cada um, com nossos problemas, nossas tentações, e nossas provações.
O que Jesus ensinava precisa ser relembrado, principalmente na vivência da graça que nos mantém vivos diante das adversidades pessoais e na esperança de uma nova criação. Repasso aqui a declaração firme e esclarecedora do Dr. Valdir Steuernagel:
A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual, mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto, mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus. Luiz Bueno
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Evangelizar X Evangelicalizar

A cada dia que passa sinto mais dificuldade de evangelizar. Isso pode soar até como escândalo para alguns que se contrariam em ouvir de um pastor esta declaração. Há muito “ruído no ar” que atrapalha e complica a comunicação do evangelho verdadeiro.
Há muita coisa, muita mania, muito trejeito, muito palavreado que quer se parecer com o evangelho de Jesus, mas não é. Nas igrejas e congregações locais a pregação é mais ou menos esta: “venha do jeito que for pra Jesus, porque ele é o Deus da Graça”. Mas depois quando as pessoas entram para tal igreja, este evangelho da Graça torna um peso, um “stress”. É irmão virando “detetive” para ver se o outro tá andando conforme as regras da tal igreja. É uma série de normas de um evangelho cheio de esquisitices e imprecações.

Hoje vejo um cristianismo cínico e punitivo. Há milhares de pessoas que se dizem evangélicas e refletem um evangelho “sem a Graça” e “sem graça”. Há outros que se sentem quase semideuses, apresentando para as pessoas um cristo caprichoso e vingador. Parecem que Cristo está somente a serviço deles e eles são o único alvo de Deus. Há muita gente orando em igrejas desejando que Deus se vingue ou que tome a espada contra os seus concorrentes e adversários.

Hoje não se fala mais do evangelho comunitário. Só se houve que Deus está comprometido a dar “vitória” para você. O Deus do evangelho é para você, gira em torno de você, e só se dirige a você. Você é o centro do Universo. Que evangelho megalomaníaco!

Mas o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo não é assim. O evangelho de Jesus é aquele que prioriza o amor-caridade antes do amor-sentimento. O evangelho de Jesus é capaz de aceitar a idéia de que o amor está no cerne do universo. Deus está mais interessado em se relacionar conosco do que em que vivamos uma evangelho cheio de “não faças isso”, “não faças aquilo”. É a única ideologia onde se vive “para o outro” e “não sobre o outro”. O evangelho verdadeiro está comprometido na coletividade, no outro, no próximo.

Por isso é difícil de evangelizar hoje. Antes melhor seria calar e silenciar, pois quanto mais se discursa menos se faz. Jesus mostrava que o seu discurso estava em consonância com sua prática. Precisamos falar mais a Jesus. Acredito que quanto menos discursarmos sobre Deus e mais buscarmos nos parecer com Jesus, mais refletiremos juntos a graça e o amor e menos nos pareceremos com os evangelhos que se pregam por aí.

Pelo contrário, o evangelho de Jesus é simples, descomplicado, simplificado, desobstruído, desarticulado, desamarrado, mas ao mesmo tempo profundo, verdadeiro, grave, denso. Eis o desafio, eis o evangelho verdadeiro.
Rev. Luiz Augusto Bueno

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Que tamanho é a porta da nossa igreja?

Ser aceito por Deus sempre foi a incessante busca da humanidade. A história nos mostra que essa questão sempre foi a grande premissa das religiões em todos os tempos.
Às vezes fico imaginando como era difícil para as prostitutas, cobradores de impostos, mulheres e crianças, viúvas e órfãos, eunucos e pagãos viverem na época de Jesus de Nazaré.
Algumas dessas pessoas eram excluídas da religiosidade judaica. Sequer podiam entrar em uma sinagoga para adorar. A prostituta, pecadora, o publicano, os leprosos entre tantos jamais eram considerados pelos religiosos por que eram diferentes e por isso eram estigmatizados e excluídos.
Hoje a religião continua fazendo a mesma coisa. Por exemplo: Se você não manifestou certa aparência de que recebeu o Espírito Santo, se você foi batizado por um batismo diferente, se dá ou não a “paz do Senhor”, se canta hinos ou se somente canta musicas-gospel, você não chegou ao nível de espiritualidade da maioria. Vivemos as mesmas rotulações da época de Jesus.
E o que Jesus fez com tudo isso? Mostrou claramente que os aceitáveis para Deus não eram os “certinhos”, os “corretamente religiosos”, mas os que admitiam sem medo a sua fragilidade e limitação, que o amor de Deus os leva a se comprometerem com pessoas, qualquer compromisso era por amor e não por outra condição. Jesus como Filho de Deus, aceita os que assumem uma espiritualidade própria, sem padrões, sem jargões verbais, sem estilos evangélicos, sem a opressão de moldes e escravização denominacionais. Jesus aceita aqueles que não dependem do julgamento de terceiros mais “espirituais” para se acharem aceitos e acolhidos por Deus. Jesus aceita mulheres e homens de fé simples e de comportamento comum.
Deus abomina os que assumem uma espiritualidade bombástica que impede que outros “fora-dos-padrões” possam ser acolhidos por Deus. Deus abomina os que querem fazer “propaganda da fé” ou de sua “igreja-denominação”, Deus é indiferente com os que usam o amor para fazer “lavagem cerebral” na mente dos sinceros, Deus inferniza a vida daquele que compra o compromisso e o amor de outros com pressão psicológica. Deus amaldiçoa os que em sua fé egoísta não aceitam os que Deus ama, independentemente de sexo, de condição social, de religião, de estilo. Porém se algum momento fecharmos as portas da graça para quaisquer pessoas, já há muito nos fechamos para Deus. Se vincularmos a fé à condição monetária das pessoas Deus nunca estará nesse “negócio”.

Rev. Luiz Augusto

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SALVAÇÃO POR CAUSA DO AMOR!

O que nos motiva mais a buscar a salvação de Deus? O medo do inferno ou o amor atraente de Cristo? Nosso mundo está povoado de vozes, mensagens, pregações, músicas, cânticos e hinos que falam sobre a salvação que Deus promete a todo aquele que O busca com fé. É muito fácil que atribuamos aos pregadores de hoje uma autoridade divina quanto a isso. Mas minha preocupação vai um pouco mais além. Creio que devemos nos perguntar: “Com que motivação as pessoas estão pregando o amor de Deus?” Isso porque há muitos que estão buscando a Deus para se livrarem do inferno e das mazelas desta vida. Muitos estão propagando uma mensagem que as livra do tormento e não porque o amor de Cristo é inextinguível.
A busca pela salvação ou por Deus em última análise, deveria nos conduzir a compreender e aceitar o amor inefável de Deus por todos. Para que não invertamos os valores pregados por Jesus de Nazaré devemos tomar algumas precauções:
1) Não pense jamais que a salvação de Cristo é destinada para alguns poucos. Quando pensamos assim, tornamo-nos pessoas estreitas, pequenas, criamos “guetos” e nos isolamos do mundo. Passamos a viver como “fatalistas” e não olhamos as múltiplas revelações de Deus no dia-a-dia. Achamos que a igreja ou a comunidade que participamos é uma realidade “ultra mundana”, isto é fora do mundo normal do “grupo de mortais”. Começamos a nos tornar “extraterrestres” com um jeito diferente de falar, de se cumprimentar e de andar. A pregação que trata mais do inferno do que do amor de Deus é o ponto crucial de vivermos desconectados da sociedade.
2) Não viva distante das pessoas. Isso por que podemos viver vidas desagregadoras. Desagregar é o contrário de agregar, aglutinar, juntar, unir. Essa é a essência da palavra “diabo” no Novo Testamento. O Diabo ficou conhecido por que ele tem o objetivo de separar e desagregar as pessoas. Quando pregamos e vivemos um evangelho que não enfatiza o amor incansável de Deus por nós, somos grandes candidatos a desunião e a superficialidade. Há muitos “evangelhos desagregadores”. A vida cristã se caracteriza pela unidade, compreensão e coletividade. Jesus Nosso Senhor pedia ao Pai: “…que eles sejam um, como és tu ó Pai em mim, que eles sejam um em nós”.
3) Não se ache mais santo que os outros. Podemos tornar nossa comunidade um “museu de santos e não um hospital para pecadores”. A verdade é que o mundo carece muito mais de atos de misericórdia do que de “discursos”. As pessoas que desejam encontrar o amor verdadeiro de Deus serão impactadas nunca pelo discurso e sim pelos atos e gestos de acolhimento e de abraço. Jamais devemos “polir nossa santidade” como se fossem pérolas. A santidade de Deus deve ser vivida no meio da impureza. Quando Deus quis mostrar sua Santidade, se tornou gente e veio viver neste mundo de podridão, vergonha e injustiça.
O amor de Deus deve ser proclamado de todos os cantos conduzindo a todos indistintamente, de modo que nossa mensagem reflita que conhecemos a Deus. Que o Espirito Santo nos motive a romper com a pregação caprichosa, mesquinha e ostentadora. Que este evangelho nos leve cada dia sermos mais parecidos com os outros ao nosso redor. Que a graça do amor nos leve a pregar mais a misericórdia e menos sobre o inferno. Que não criemos “panelinhas” santas mas que estejamos no mundo entre as pessoas mostrando uma mensagem pelos atos e não apenas por palavras.
Rev. Luiz Augusto

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A Vitória da Graça

A Vitória da Graça
No dia 31 de outubro de 1999, em Augsburgo, não muito longe de onde ficava um dos primeiros campos de concentração da Alemanha nazista (Dachan), o cardeal Edward Cassidy, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade Cristã, representando o Vaticano, e o bispo Christian Krause, presidente da Federação Luterana Mundial, representando os luteranos, assinaram o documento Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação por Graça e Fé. Uma das declarações mais enfáticas do documento de 20 páginas é esta: “Juntos confessamos: só pela graça e pela fé na ação salvadora de Cristo, e não com base em nossos méritos, somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo, que renova nossos corações e nos habilita e conclama a realizar as obras de bem”.
O texto é o resultado final de 32 longos anos de encontros e reuniões de uma comissão internacional formada de católicos e luteranos. Além do texto, tanto a data e o local da assinatura dessa declaração conjunta lembram muito a Reforma Religiosa do Século XVI, pois foi no dia 31 de outubro de 1517, há 494 anos, que o alemão Martinho Lutero deu início à Reforma, e foi ali em Augsburgo, um ano depois, que ele reafirmou sua posição diante do enviado do papa Leão X, o Cardeal Caetano.
O que aconteceu na Alemanha em 1999 deve ser entendido como uma vitória da graça, aquela graça de Deus que “se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11). E, para comemorar tamanha vitória, é imprescindível que se conheça o rico significado bíblico e teológico da palavra graça.
Graça é a maneira pela qual Deus se dispõe a receber, de braços abertos, o pecador, não obstante sua santidade absoluta e o estado miserável em que se encontra aquele que dele se desviou. É uma bênção ou um favor verdadeiramente imerecido e indevido, que Deus concede em sua soberania, nunca em resposta a alguma iniciativa da parte do pecador. Deus não tem nenhuma obrigação de perdoar. Ninguém tem o direito de cobrar tal coisa de Deus. Ele, no entanto, perdoa por causa da graça. A iniciativa é sempre de Deus. É Ele quem dá início ao processo da salvação e providencia os meios necessários, nunca se desobrigando de sua boa vontade. É como define Gerhard Trenkler: “Graça é a atividade salvífica de Deus, que, decidida desde toda a eternidade, se tornou manifesta e eficaz na obra redentora de Cristo em favor de nós, e que continua e consuma em nós e no mundo a obra redentora” (vol. 1, p. 453).
De fato é necessário separar a graça da obra, principalmente na gestação da salvação. É como argumenta Paulo, em cujas epístolas a palavra grega para graça (charis) aparece 100 vezes: “Se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça” (Rm 11.6). O lugar das obras é a posteriori, como conseqüência da salvação e, não, como meio de salvação. A graça pode alcançar os pecadores que foram longe demais, pois “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).
É de todo necessário distinguir a graça especial da graça comum. Esta é derramada sobre a totalidade da raça humana, sem discriminação. Por essa razão, Deus “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45). Já a graça especial é derramada somente sobre aqueles que Deus elege para a vida eterna, mediante a fé em Jesus. Uma vez alcançados por essa graça, eles vão enxergar o dom de Deus, vão se arrepender de seus pecados, vão obter e desenvolver a fé salvadora, vão se integrar no corpo de Cristo e vão herdar a vida eterna.

FONTE: Revista Ultimato

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O Caráter Encarnacional da Igreja

Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo missionário e pouca inserção. A pergunta que deve ser feita é: “Como estamos missionando nos dias atuais?”. Devemos ser corajosos para avaliar as nossas estratégias, nossos métodos e táticas que usamos para comunicar o Evangelho. Parece que não é suficiente usar o marketing e a mídia para o anúncio das Boas Novas. Muito mais do que usarmos do turismo missionário para conhecer e manter trabalhos denominacionais em locais de difícil acesso nos interiores do país, precisamos estar dispostos a encarnarmo-nos neste mundo, para que sejamos relevante e cumpramos a Grande Comissão de verdade.

Necessitamos muito mais do que um “avivamento coreográfico” para redescobrirmos nossa verdadeira missão. Necessitamos urgentemente de uma restauração motivacional acerca da nossa missão partindo da interpretação correta da Palavra de Deus, rejeitando as idéias pragmáticas. Precisamos de uma nova Reforma Teológica para que passemos a tornar nossa missão mais parecida com a de Jesus e deixarmos o proselitismo de lado.

A estrutura social que se vive, está baseada no Consumismo, onde as pessoas vivem a necessidade de posse. A idéia de sucesso segundo o mundo passa pela motivação egoísta e individualista. A concepção de civilização está baseada na visão de culturas e sub-culturas que se adeqüem à Ciência e à Tecnologia. Atualmente, ainda existem no mundo as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Povos continuam a se enfrentar e a filosofia discriminatória é base da educação familiar destas raças.

O mundo tem contemplado etnocídios entre povos que vivem em conflito a centenas de anos. Em contrapartida, no mundo ocidental a Globalização tem gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países economicamente ricos dominam, controlam e oprimem os países pobres dependentes.

A nossa missão não pode ser feita sem as bases teológicas da Palavra de Deus. Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a Encarnação de Cristo. A superficialidade da interpretação do Evangelho tem gerado uma contextualização superficial. Prof. René Padilla afirma: “A missão da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, descentralizada das ambições pessoais, preocupado com as necessidades do próximo. O significado da cruz é ao mesmo tempo soteriológico e ético. E isto é assim porque, ao escolher a cruz, Jesus Cristo não somente deu forma ao indicativo do evangelho, mas simultaneamente também proveu o modelo para a vida humana aqui e agora”.

Precisamos compreender que não estamos realizando uma missão contextual, e isso se deve ao fato de que há uma falha na concepção do que seja o Evangelho da Cruz, que começa com a humilhação de Cristo ao se encarnar e encerra-se com a glória à destra do Pai.

Há um déficit teológico na Igreja atual que resulta em uma débil contextualização do Evangelho. O problema de uma fraca contextualização é a falta de reflexão teológica profunda e relevante. Se a Teologia da Cruz está diluída, as conseqüências serão de uma evangelização nominal sem os resultados éticos do Evangelho. Rev. Valdir Steuernagel afirma: “A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus”.

Rev. Luiz Augusto

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MISSÃO X PROPAGANDA

Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo missionário e pouca inserção. A pergunta que deve ser feita é: “Como estamos missionando nos dias atuais?”. Devemos ser corajosos para avaliar as nossas estratégias, nossos métodos e táticas que usamos para comunicar o Evangelho. Parece que não é suficiente usar o marketing e a mídia para o anúncio das Boas Novas. Muito mais do que usarmos do turismo missionário para conhecer e manter trabalhos denominacionais em locais de difícil acesso nos interiores do país, precisamos estar dispostos a encarnarmo-nos neste mundo, para que sejamos relevante e cumpramos a Grande Comissão de verdade.

Necessitamos muito mais do que um “avivamento coreográfico” para redescobrirmos nossa verdadeira missão. Necessitamos urgentemente de uma restauração motivacional acerca da nossa missão partindo da interpretação correta da Palavra de Deus, rejeitando as idéias pragmáticas. Precisamos de uma nova Reforma Teológica para que passemos a tornar nossa missão mais parecida com a de Jesus e deixarmos o proselitismo de lado.

A estrutura social que se vive, está baseada no Consumismo, onde as pessoas vivem a necessidade de posse. A idéia de sucesso segundo o mundo passa pela motivação egoísta e individualista. A concepção de civilização está baseada na visão de culturas e sub-culturas que se adeqüem à Ciência e à Tecnologia. Atualmente, ainda existem no mundo as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Povos continuam a se enfrentar e a filosofia discriminatória é base da educação familiar destas raças.

O mundo tem contemplado etnocídios entre povos que vivem em conflito a centenas de anos. Em contrapartida, no mundo ocidental a Globalização tem gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países economicamente ricos dominam, controlam e oprimem os países pobres dependentes.

A nossa missão não pode ser feita sem as bases teológicas da Palavra de Deus. Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a Encarnação de Cristo. A superficialidade da interpretação do Evangelho tem gerado uma contextualização superficial. Prof. René Padilla afirma: “A missão da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, descentralizada das ambições pessoais, preocupado com as necessidades do próximo. O significado da cruz é ao mesmo tempo soteriológico e ético. E isto é assim porque, ao escolher a cruz, Jesus Cristo não somente deu forma ao indicativo do evangelho, mas simultaneamente também proveu o modelo para a vida humana aqui e agora”.

Precisamos compreender que não estamos realizando uma missão contextual, e isso se deve ao fato de que há uma falha na concepção do que seja o Evangelho da Cruz, que começa com a humilhação de Cristo ao se encarnar e encerra-se com a glória à destra do Pai.

Há um déficit teológico na igreja atual que resulta em uma débil contextualização do Evangelho. O problema de uma fraca contextualização é a falta de reflexão teológica profunda e relevante.

Se a Teologia da Cruz está diluída, as conseqüências serão de uma evangelização nominal sem os resultados éticos do Evangelho. Rev. Valdir Steuernagel afirma: “A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus”.
Eis o desafio… Kyrie Eleisón.

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MAIS TENACIDADE

Quando você cair, caia de costas; porque se você pode olhar para cima, você consegue se levantar. Les Brown
Q uando foi a última vez em que você viu uma criança dar seus primeiros passos? Ela ensaiou uma tentativa de passo e caiu; levantou-se e caiu novamente. Algumas vezes na queda bateu com a cabeça, cortou os lábios, e na tentativa de segurar em algo trouxe tudo para baixo. No entanto ela continuou tentando, até que seus passos se tornaram firmes e ela pôde caminhar com segurança por toda a sala.

Uma criança nos seus primeiros passos tropeça, mas nem sempre cai, necessariamente. Contudo, quando isso acontece ela simplesmente segue em frente. Essa criança parece não se importar com sua perfórmance desengonçada; tampouco se as pessoas estão rindo dela ou não. Na verdade ela nem sequer se impressiona com o número de vezes em que irá cair. Pelo contrário: ela persiste em caminhar, até que seus passos estejam totalmente firmes. <

Quando foi que você perdeu a tenacidade de continuar seguindo em frente, mesmo com todas as quedas e tropeções?
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Porque o Senhor será a tua segurança e guardará os teus pés de serem presos. Provérbios 3:26

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O QUE LHE FALTA?

Fé é crer naquilo que não podemos ver; a recompensa dessa fé é ver aquilo em que cremos. Santo Agostinho
F é é crer naquilo que não podemos ver; a recompensa dessa fé é ver aquilo em que cremos. Santo Agostinho Pense em todas as informações e estímulos que vêm diariamente ao seu encontro. Seus cinco sentidos estão constantemente absorvendo novos dados – muito mais do que você acredita ser capaz de processar, e muito mais ainda do que você espera compreender e até mesmo lembrar.

Para lidar com isso construímos nossos próprios filtros, conhecidos como deduções e preconceitos. Uma vez instalados, eles passam a operar automaticamente, a ponto de ignorarmos a maioria das coisas que naturalmente deduzimos como fatos ou assumimos naturalmente, sem as rotularmos como preconceitos pessoais.

Esse filtro, no entanto, não é infalível, e algumas coisas acabam passando por ele. Mas será que isso não o leva a se perguntar sobre o que é que está faltando em sua vida? Ouça: as coisas principais que experimentamos são aquelas que já conhecemos, ou pelo menos ainda procuramos conhecer ou alcançar. Portanto, de uma maneira real e tangível cada um de nós é sob muitos aspectos responsável por sua própria realidade. Essa é a razão pela qual é muito importante aquilo em que você pensa, aquilo em que acredita, busca, espera. Porque a sua própria realidade depende de você.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Hebreus 11:1

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APRENDENDO COM A DOR

Você nunca será a pessoa que poderá ser se dores, pressões, tensões e disciplinas forem retiradas da sua vida. James G.Bilkey
D or é uma lição esperando ser compreendida e aprendida. Ao nos submetermos ao ensino dessa grande lição, podemos transcender a própria dor. Se você tocar um ferro quente, sentirá uma dor terrível. Se você negligenciar o aprendizado desta experiência, a dor voltará todas as vezes que você tocar o ferro quente.

Quando você aprende a lição de que a dor tem algo a ensinar, e ao evitar tocar o ferro quente, você certamente não terá que suportar aquela dor novamente. O que é que você pode aprender com as dores que esta vida lhe causa? Em cada dor existe uma lição. Algumas vezes a lição é evitar cometer os mesmos ou novos erros. Em outras ocasiões é a lição de aprender a aceitar, valorizar e triunfar sobre os desafios que temos à nossa frente.

Você já aprendeu que, nesta vida, é impossível conseguir algo em troca de nada? Ou a sua dor ainda está tentando ensinar-lhe isso? Você já aprendeu a viver com foco e propósito? Ou continua a resistir às preciosas lições que uma dor pode ensinar-lhe? Liberte-se da dor ao aprender aquilo que ela está pronta a lhe ensinar.
Nélio DaSilva
Para Meditação:
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Salmos 84.5-6

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AS MARCAS DO VERDADEIRO DISCÍPULO

“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram. Mateus 7.13-14
Muitas pessoas que vivem nas igrejas e fora delas adiando seu compromisso com Deus. Há muitos que procuram a Cristo, porém não desejam se render a Sua autoridade. Ao falar sobre seguí-lo, Jesus lembra que a obediência não é opcional e que a fé do verdadeiro discípulo não é uma fé fácil. Há um custo pelo discipulado, isto é, pela vida eterna. Atualmente, qualquer que se declare cristão, poderá encontrar evangélicos dispostos a aceitar sua profissão de fé sem considerar o seu compromisso. Muitos crêem sinceramente que estão salvos, todavia vivem completamente estéreis, por que vivem adiando seu compromisso com a vida eterna, ou seja, com o discipulado.
Jesus nos afirma que nenhuma experiência de fé pode ser tomada como evidência de salvação, se estiver separada de uma vida de obediência a Ele. Somos encorajados a examinar e provar a nós mesmos frequentemente. Que cada árvore é conhecida pelo seu fruto (Lc 6.44). A evidência da obra de Deus em uma pessoa é o fruto inevitável de um comportamento em transformação. Vidas onde há ausência completa do fruto da verdadeira justiça há também a evidência que não há compromisso com Cristo e com a vida eterna.
A salvação não é somente um ato. É um processo em andamento que depende de uma decisão. Não é possível receber a Cristo como Salvador e rejeitá-lo como Senhor. (Rm 10.10; At 16.31; Rm 10.9; At 2.36). Com toda certeza “o Senhor não irá salvar aqueles em quem Ele não pode mandar” (A.W. Tozer). Mas todo discipulado começa com uma decisão. É o ponto de partida e não o ponto de chegada.
Há uma idéia errada vigente sobre a fé e discipulado. Jesus nos afirma que a chamada do Calvário tem que ser vista pelo que realmente é: uma chamada ao discipulado sob o Senhorio de Cristo Jesus. Atender a esta chamada é tornar-se um cristão. Qualquer coisa menos do que isso é simplesmente “falta de fé”. Mas esta caminhada nos custará uma demanda enquanto estivermos aqui. (Lc 14.26-33). Paulo nos diz que a verdadeira Graça nos ensina a renegar a impiedade e as paixões mundanas para que vivamos em piedade e em boas obras. A Graça não nos concede permissão para vivermos como queremos (Tt 2.12). A fé não é estática. É inseparável do arrependimento, da rendição e de um desejo de obediência. (Ef 2.8; Tg 2.19). Hoje se fala muito em “aceitar a Cristo” que estabelece um conceito de fé que elimina a submissão, a rendição pessoal e o abandono do pecado, classificando todos os elementos práticos da salvação como obras humanas. Porém o arrependimento está no âmago da fé salvadora. As Escrituras igualam fé e obediência (Jo 3.36; Rm 1.5; 16.26; 2 Ts 1.8). Fé e Obras jamais são incompatíveis (Jo 6.29). A verdadeira salvação, operada por Deus, nunca deixará de produzir frutos na vida de uma pessoa e através dela (Mt 7.17).
Rev. Luiz Augusto

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Brota, ó poço Entoai-lhe canticos!

Nós vamos ler em Números 21:10-20…
A narrativa desse texto faz parte daquela jornada de Israel pelo deserto, que durou quarenta anos. Eles agora já estão chegando cada vez mais perto da terra de Canaã, que veio a se tornar a terra de Israel. E os problemas não cessam. Miriã havia morrido e no capítulo anterior se diz que Moisés tinha caído em tentação por causa da água. Água é sempre um problema no deserto; e de vez em quando não havia água e eles esperavam que Moisés fosse o provedor de água para eles – através de uma mediação de Moisés junto a Deus.
E quando eles chegaram em Meribá, novamente não havia água, e eles reclamaram de Moisés e de Arão, dizendo: “Antes tivéssemos perecido quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor! Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para morrermos aí, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?”. E naquela ocasião Moisés buscou a Deus e o Senhor disse a ele: Toma a tua vara, ajunta o povo, tu e Arão, teu irmão, e diante do povo falai à rocha (falai à rocha) e ela dará água. Assim, lhe tirareis água da rocha e dareis a beber à congregação e aos seus animais.
Acontece que, em vez de fazer o que Deus disse (que fora apenas: Fala à rocha e ela dará água), em vez de falar à rocha, Moisés levantou a mão, pegou da sua vara e com ela feriu a rocha duas vezes. O salmo 106, no verso 33, nos diz que Moisés agiu mui precipitadamente, porque o coração dele estava tomado de ira, de zanga, de mau humor. Ainda assim, porque o Senhor é bom e a sua misericórdia dura para sempre, saíram muitas águas da rocha e bebeu a congregação e os seus animais. Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: “Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não fareis entrar este povo na terra que lhe dei”. Então, Moisés vê a terra de cima, das montanhas de Moabe, mas nela não penetra. Esse encargo é transferido para Josué, que faz o povo entrar na terra de Canaã, que veio a ser chamada de terra de Israel.
Nesse processo morre Arão, eles lutam algumas guerras, sucumbem em alguns pecados, experimentam algumas situações de destruição contra eles mesmos. Praticamente é um passo de vitória, um passo de derrota, um passo de vitória, um passo de derrota, a jornada desse pessoal indo na direção da terra que o Senhor lhes prometera.
E na passagem que vamos ler, como eu disse, eles já se avizinham do final da jornada. E não esqueçam: o episódio da água havia marcado a vida de Moisés definitivamente, algum tempo antes. E agora falta água outra vez.

“Então, partiram os filhos de Israel e se acamparam em Obote. Depois, partiram de Obote e se acamparam em Ijé-Abarim, no deserto que está defronte de Moabe, para o nascente. Dali, partiram e se acamparam no vale de Zerede. E, dali, partiram e se acamparam na outra margem do Arnom, que está no deserto que se estende do território dos amorreus; porque o Arnom é o limite de Moabe, entre Moabe e os amorreus. Pelo que se diz no Livro das Guerras do SENHOR: Vaebe em Sufa, e os vales do Arnom, e o declive dos vales que se inclina para a sede de Ar e se encosta aos limites de Moabe. (Isso aqui lido em português, e para quem não conhece a geografia, não faz sentido algum. Mas em hebraico, vale dizer, o que está dito aqui equivale a uma poesia).
Dali partiram para Beer; este é o poço do qual disse o SENHOR a Moisés: Ajunta o povo, e lhe darei água. (Beer, que para nós parece ser apenas o nome de um lugar, em hebraico significa “poço”. Partiram para um poço. Esse é um poço que passou a ter esse nome, mas ele não existia antes. Eles andaram na direção de um lugar que, depois, ganhou esse nome).
Então, cantou Israel este cântico: Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo abriram, com o cetro, com os seus bordões . (O povo cantou este cântico naquele lugar onde não havia água, mas apenas a projeção da expectativa de um poço. Também não é bonito, em Português. Em hebraico é pura poesia, com rima; tudo isso era rimado, no hebraico; era uma canção bonita.).
Do deserto, partiram para Mataná. E, de Mataná, para Naaliel e, de Naaliel, para Bamote. De Bamote, ao vale que está no campo de Moabe, no cimo de Pisga, que olha para o deserto (Pisga ou Pisgá, na verdade não é um nome, mas o ponto mais alto de qualquer lugar. Em hebraico, o ponto mais alto de um lugar se chama Pisgá. Foram, em Moabe, para o ponto mais alto, que olha para o deserto)”.
E, aí, a vida prossegue, eles enfrentam o rei de Esbom e vencem. Vencem Ogue, rei de Basã, que era um dos remanescentes dos refains, filhos dos Nephilins; e que era um gigante que dormia numa cama de ferro de cinco metros e vinte por dois e oitenta de largura. Até que, enfim, eles entram na terra.
Mas o que eu quero conversar com vocês é sobre a peculiaridade dessa solução de água que Deus trouxe para o povo de Israel nesse momento da jornada e da caminhada deles. Porque Moisés é um ser marcado pela sina da água. O nome dele – Moisés – já significa “Tirado das águas”; então, ele já carrega desde o nascimento essa dor, esse problema com água: quase morre nas águas – puseram na água o cestinho onde ele, bebê, estava; quando é retirado de lá, ele ganha esse nome, “Tirado das águas”. Esse era o nome dele. – como vai, como é o seu nome? Meu nome é Tirado da Águas. E tudo, na vida adulta dele, nessa caminhada de quarenta anos com o povo de Israel, teve a ver com água. Ele começa tendo que ferir as águas do rio Nilo, que se tornaram em sangue. Depois, tem que abrir as águas do Mar Vermelho, e lá vai ele. Mais adiante, problema do povo com sede, aí, lá vai o povo a Moisés: Escuta, Moisés, você foi tirado das águas, então, entende de água; já fez a água do Nilo virar

sangue, já abriu as águas do Mar Vermelho; e agora a gente está com sede; cadê a água, Moisés?! Aí, Moisés vai… água aqui, água ali…
E de tanto que pediram por água e reclamaram por outras coisas a esse homem – que todas as vezes que lhe chamavam pelo nome ele ouvia o nome de água –, ele já estava que não aguentava. Estava velho, chegando perto dos cento e vinte anos de idade, quando, mais uma vez, disseram: Ô da água, cadê a água?! Aí o Senhor disse: Fala à rocha, Moisés, e ela vai te dar água. E Moisés, em vez de falar, pegou a vara dele e partiu para as cabeças: Vocês querem água?! E bateu com a vara na rocha. Aí, a água jorrou. E Moisés foi embora fulo, deixou a água jorrando, lá. Então, o Senhor o chamou e disse: Porque agiste assim, aleivosa, precipitada, iradamente, e não honraste o meu nome, e não me deste glória, tu não entrarás nessa terra que eu estou dando a esse povo (onde haveria mais uma fronteira de água, a do Jordão. E foi Josué quem, posteriormente, a atravessou, a pé enxuto, com a Arca do Senhor e as trombetas cantando adiante do povo).
Mas antes que isso tudo acontecesse, que esse desfecho final da vida de Moisés viesse a se dar, com ele morrendo diante de Deus, lá em Pisga, lá no monte mais alto das montanhas de Moabe, havendo o Senhor mesmo o sepultado; antes que isso acontecesse, houve este episódio sobre o qual lemos, depois de Meribá. Moisés estava traumatizado com essa história de água, e lá vem o povo de novo, dizendo: Não tem água, Moisés. E o Senhor disse: Moisés, eu vou te tirar a sina da água; apenas reúne o povo, mas tu não vais mais resolver problema de água para ninguém.
Eu acho de uma delicadeza extraordinária que essa palavra de Deus seja depois daquele tropeção final de Moisés na sina prevalente da sua história, que tinha a ver com água desde o seu nascimento. Moisés é um indivíduo que viaja nas águas, é chamado por um nome de água, é um solucionador de problemas de água no deserto, e sucumbe à tentação da água, em razão de que viera aquela palavra de Deus dizendo que ele não entraria na terra, apenas a veria de longe. Aí surge este novo problema com água, e a delicadeza divina diz: Moisés, tu estás livre desse mal; agora tu vais ensinar o povo a, eles próprios, lidarem com o problema da água. Reúne o povo; tu não vais mais ser o mediador da água.
Porque mesmo o indivíduo que carregue a consciência de um Moisés corre o risco de ficar tão acossado, tão oprimido, tão pressionado por demandas tão exigentes, tão extravagantes, tão contínuas, tão desumanas, tão imponderadas e tão ferinas, que perde a sobriedade – como se deu com Moisés. E aí, vem, agora, essa delicadeza divina que diz: Tu vais ser levado e eles vão continuar. E antes que tu partas, tu mesmo verás, com os teus olhos, como eles vão ter que aprender a lidar com o problema da água. Assim, apenas reúne o povo.
Então, Moisés os reuniu e os ajuntou. E eles ficaram esperando uma providência de Moisés, com aquela famosa vara, que ferira o Nilo, abrira o Mar Vermelho, fizera tantos outros sinais e prodígios, no curso daquele período. Mas agora a vara está quietinha, ao lado de Moisés; e ele, calado, olhando para o povo. E a voz de Deus no coração de Moisés apenas diz o seguinte: Reúne o povo e à frente dele põe os príncipes das tribos de Israel – todos os príncipes, todos

os líderes – e manda que eles cantem olhando para o chão; que eles façam uma poesia à terra, que eles façam uma poesia à aridez, que eles façam uma poesia à secura; que eles componham um cântico à poeira, que eles façam brotar de seus corações um manancial poético e de louvor, com rima e com gratidão; e que eles cantem aos céus olhando para o chão e que entoem um cântico que diga: “Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos!” E a canção ainda prosseguia em outro verso, que dizia: “Poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo abriram, com o cetro dos seus bordões”. E Moisés quieto, segurando a sua vara, assistindo aquela multidão, com os príncipes em círculo, bem adiante do nada, da poeira do deserto, de coisa alguma, apenas cantando aos céus e fazendo poesia para o chão, dizendo: “Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo abriram com o cetro dos seus bordões. Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos!”.
Enquanto eles assim faziam, as águas começaram a brotar. Daí o lugar se chamar Beer, que significa “poço”. O nome do poço passou a ser Poço. Não é de Mataná. É Poço. Porque o que aconteceu ali foi um poço; que brotou do nada; evocado pelo louvor, pela poesia, pelo cântico, pela gratidão. E essa era uma das últimas lições de Deus a Moisés e de Moisés ao povo, antes que Moisés mesmo se retirasse. Porque essa é uma das últimas lições da consciência humana no deserto desta existência.
Há tempos em que a gente precisa de alguém que fira a água e nos traga livramentos; que abra mares e nos ajude a passar; que ore e Deus faça vir provimentos, codornizes, livramentos e manás; que indique caminhos, que mostre soluções. Mas mesmo esse que seja o mediador de tantas coisas importantes da graça de Deus na vida do povo é somente um ser humano, tem o seu limite; carrega, nas soluções que traz, a sua própria tentação e a sua própria sina; carrega, na graça que produz, a sua própria fragilidade. Na mesma medida em que ele é instrumento das águas, ele é tentado por elas. Na mesma perspectiva em que ele traz soluções pelas águas, ele traz complicações pessoais, pelo cansaço de trazer água mas ele mesmo não ter, jamais, a sua sede dessedentada pelo descanso. E na sua canseira ele tropeça nas soluções que traz. Isso, do ponto de vista de Moisés.
Do ponto de vista do povo, chega a hora em que cada um tem que aprender a fazer evocações ao chão do deserto, com o coração nos céus e os olhos no chão; tem que aprender a desenvolver a inspiração que não depende de ninguém nem de um terceiro. Que é o crescimento da consciência individual e coletiva, e que tem que chegar nesse nível capaz de aprender a fazer poços no deserto; e a fazê-los sem que os batize com nome especial; e a fazê-los com a consciência de que no deserto a gente só faz poço cavando com louvor e gratidão. No deserto a gente só faz poço cavando com louvor e gratidão.
Muitos de nós nos acostumamos a ter sempre ajuda de pessoas – e isso é natural; a ter a ajuda de alguém mais sábio, alguém mais maduro, alguém mais experiente, alguém mais enraizado na fé, alguém com mais consciência, alguém com mais história, alguém com dons indicativamente específicos, de uma certa liderança e visibilidade que produz encaminhamento. Tudo isso é normal, mas tudo isso tem um tempo. Todo Moisés morre. Todo ser tirado

das águas pode tropeçar nas águas. Nenhum de nós é chamado para ficar dependendo de um único, pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem. E também porque Jesus nos disse: “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. E já dissera também: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Do seu interior fluirão rios de água viva.
Eu não estou dizendo isso para nos desagregar. Não estou dizendo isso para gerar um espírito de individualidade autônoma e distante, entre nós. Ao contrário: quanto mais nós tenhamos prazer em nos ajuntarmos e nos reunirmos, tanto mais devemos desenvolver a consciência de que nos reunimos não por causa da nossa necessidade essencial, seja da reunião ou seja daquele que a preside ou que nela fala. Porque, do contrário, a convergência de todas as coisas para um só se torna algo esmagador, tentador, enfraquecedor, destruidor para aquele que seja o objeto dessa convergência. Quando, na verdade, nós já entramos numa era onde nenhum ser humano é chafariz de todos os demais; onde nenhum Moisés, de tanto que serviu, se canse de servir e peque, no ato de servir. Nós já entramos num tempo e numa era em que está dito que cada um daqueles que creem em Jesus, segundo a Escritura, do seu interior fluirá Beer, o poço, a fonte das águas da vida.
Mas eu sei que é muito difícil a gente aprender isso na hora do deserto, do desertão da vida. Como eu sei que há pessoas aqui atravessando um deserto horrível: gente carregando uma espada na cabeça, uma sentença perigosa, de doenças sérias em si ou na família. Há alguns aqui que vivem rotinas de sobrevivência difíceis, pesadas, que a maioria de nós não suportaria enfrentar com tanto carinho nem bom humor. Há alguns aqui que voltam para casas muitos boas e confortáveis, mas há outros que voltam para lugares pequenos, para cortiços, praticamente, para lugares sem conforto nenhum, de teto baixo, de telhado de amianto, irradiando um calor horrível sobre suas moleiras; lugares onde o suposto calor deste lugar em que estamos agora se torna ar-condicionado. Há alguns aqui que voltam para casa e abrem uma geladeira cheia; há outros que voltam e têm um minibar vazio, em casa. Há uns que voltam para um abraço, para aconchego, para beijo, para carinho, para dormirem numa cama onde há um companheiro ou uma companheira amorosos; outros voltam para um quarto onde há um companheiro ou uma companheira hostis. Alguns voltam para o aconchego de uma família; outros voltam para uma situação de solidão, de solitude, de ouvirem os seus próprios pensamentos de maneira gritada, de tão silenciosa que é a noite deles.
Há muita gente que sai daqui e vai para um oásis. Mas há uma grande maioria que sai daqui e continua andando num deserto – pessoas para as quais o oásis é aqui. E aí, meu irmão, minha irmã, eu não posso ir com você. E mesmo que eu pudesse, eu correria o risco de que o meu nome, que já é Caio, se cumprisse veementemente como uma sina, e eu caísse, e caísse, e caísse; porque eu sou apenas um homenzinho de nada.
A lição à qual nós estamos sendo introduzidos desde julho deste ano, na nossa quinta etapa existencial nesses sete

anos do Caminho da Graça (nós entramos numa quinta era, aqui entre nós), hoje eu anuncio explicitamente a vocês. Com essa divisão de grupos, de diaconias, de ministérios, o que é que eu estou tentando fazer? Eu estou tentando me des-Moiseificar para a consciência de vocês. Não porque eu e minha mulher estejamos pretendendo nos retirar para algum lugar. Se for da vontade de Deus, eu pretendo morrer em Brasília; mas eu espero que muito antes que esses dias cheguem para a minha vida eu tenha a alegria de poder olhar e dizer que os príncipes do povo, todos, se reuniram; e que o povo todo aprendeu a se reunir; e que todo o povo de Deus aprendeu a cantar juntos: Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Poço que os príncipes do povo abriram, que os nobres do povo, com os seus cetros, abriram. Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Que cada um aprendeu, pela fé, a abrir poços, com canções, com poesia, com louvor; com essa fé que faz um cetro sair da nossa boca, das palavras da positividade do nosso ser grato e confiante na providência de Deus. Que por tal cetro de palavra e de fé, de alegria, de gratidão e de confiança, cada um de nós aprenda a cantar para os céus, fazendo uma poesia que rasgue o chão. E que do chão da nossa vida, conforme a nossa necessidade, brote o poço da misericórdia de Deus, bem diante de nós. Em nome de Jesus.
A minha oração é esta: que o Espírito Santo nos mostre essa visão; que o Espírito Santo nos internalize essa mensagem, essa palavra, essa imagem, essa certeza, essa profecia, essa consciência. Que cada um de nós, que está aprendendo, possa aprender hoje; possa começar a exercitar agora, quando o povo está reunido, a entender que no deserto a gente só abre poços quando os cava com louvor, com gratidão, com confiança desamargurada, com alma cheia de poesia aos céus. Em nome do Senhor Jesus.
Era somente isso que eu tinha para dizer aqui. Agora, brota, ó poço, entoai-lhe cânticos! Você vai voltar para o seu deserto? Vá, meu irmão; vá cantando. E não fique cantando apenas para dentro, tenha a coragem de cantar para fora, também. Nós ficamos muito politicamente corretos; nós tivemos uma overdose de música gospel tão perversa, que hoje em dia nós achamos até que é um mico, cantar. Vamos parar com isso! Louve! Louve na mente, louve com a boca, louve com o coração, louve com atitudes, louve com pensamentos: Brota, ó poço! Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Reúna-se com os irmãos e juntos digam: Brota, ó poço, entoai-lhe cânticos! Brota, ó poço!
Nós vamos cavar poços com as nossas canções, nós vamos cavar poços com as nossas confissões, nós vamos cavar poços com a nossa adoração. Nós vamos cavar poços com a nossa alegria prévia, nós vamos cavar poços no auge da seca, nós vamos cavar poços quando não haja nuvens de chuva, mas apenas essas nuvens meio apocalípticas dentro de nós (como essa que Adriana e eu vimos hoje encobrindo um sol tão lindo e avermelhado, mas que estava avermelhado pela tintura da poeira de nuvens secas).
Em todas as circunstâncias da nossa vida – e a vida tem fartura de circunstâncias – nós vamos aprender a cavar poços com cânticos, com louvor, com alegria, com gratidão, com confiança, com fé. Sem ansiedades, com uma boa atitude, com positividade, com alegria. Sem nos isolarmos e continuando a nos reunir com os irmãos. Sabendo que eu

individualmente cavarei os meus poços; e sabendo que nós, conjunta e coletivamente, também nos reuniremos para cantar aos céus, olhando para o chão da realidade; e, juntos, abrirmos poços de louvor que vão dessedentar a sede de todos nós, em nome de Jesus.
E agora eu quero convidar você a orar. Você que está atravessando aquele desertão e sabe que também chegou a hora de você aprender essa lição: de não depender mais de Moisés, de aprender a depender de Deus, e entender, de uma vez para sempre, que nós temos um sumo sacerdote que pode se compadecer das nossas fraquezas. Porque ele mesmo disse “Tenho sede”. Porque ele mesmo nos ensinou a cavar poços com louvor, conforme está dito que depois de anunciada a sua traição, ele cantou um hino e foi para o jardim do Getsêmani para ser manietado e levado para a morte (é o único lugar onde explicitamente se diz que Jesus cantou); nas horas anteriores a ser preso ele enfrenta o julgamento com uma canção.
Quero convidar você, que está andando nesse desertão de doença física, de escassez financeira, de avidez afetiva (você sabe qual é o seu chão) mas quer mudar o paradigma e parar de se queixar, de se amargurar, de dizer: Cadê Moisés, cadê Fulano, cadê Beltrano; e decidir que você mesmo será agente dessa escavação – você, com a sua boca, você, com o seu louvor, você, com a sua fé, você, com a sua confiança, você, transformando lamúrias em poesias, em rimas; você, não mais se entregando à pressão das dores nem dos humores, mas você mesmo molhando com as suas lágrimas o chão onde pisa, enquanto canta com gratidão: Brota, ó poço, eu estou cantando para a terra; terra, obedece à voz do meu louvor, vira água, em nome do Senhor!
Brota, ó poço! Entoai-lhe cânticos! Cantai ao poço que vem, cantai à água que vem, cantai à solução que já chega. Fazei poesias antecipadas ao poço que já é, pela fé. Porque o Senhor é bom e porque a sua misericórdia dura para sempre.
Se você quer orar, venha até aqui para orarmos juntos. E você vai orar por você. Você vai falar com o seu chão, com o seu poço. Fale você, com o seu chão.
Cantai ao poço, que ainda não existe, mas que vai ser construído em louvor, em fé, em confiança, em adoração. Brota, ó poço! Nós cantamos a tua canção.
Pense qual é o poço, o seu poço, que tem que ser aberto; qual é o seu poço personalizado. Pense. E faça o seu pensamento voar, pela fé, para o trono da graça do Deus eterno. Não tem que atravessar o cosmos, é só um movimento que vai da boca ao coração; confessa com a boca e crê no coração, e tudo chega diante do trono da graça. Dê nome ao seu poço particular. O nome desse aqui é “Poço”, porque cada um sabe o nome do seu. E, então, com fé, confesse com a boca e creia com o coração: Brota, ó poço, dá a água da minha necessidade. Brota, ó poço, eu louvo ao Senhor porque, para mim, tu já és realidade. Em nome de Jesus. Caio Fábio

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A CRUZ DE CRISTO: O MAIOR SIMBOLO CRISTÃO

A crucifixão era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos.
Na literatura romana, a crucifixão é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não-romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassinato, furto grave, traição e rebelião. Seguindo a forma romana de crucifixão Jesus provavelmente carregou somente a parte transversal da cruz, pois a parte vertical era deixada no local da execução à espera do condenado. Os braços eram inicialmente amarrados e somente ao chegar no local eram pregados ao madeiro. Acontecia o mesmo procedimento com as pernas e pés.
A vítima era suspensa pouco mais de um metro do chão para que as pessoas pudessem dar de beber uma mistura de água e fel ou vinagre para ser mantida o tempo inteiro consciente, sem haver possibilidade de desmaios (Mt 27,48). Os romanos crucificavam os criminosos inteiramente nus e não há motivo para se pensar que tenha sido feita alguma exceção para Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados para serem divididas. As vestes de Jesus não foram divididas, mas sorteadas, pois era de tecido fino e sem costuras. Tal indumentária e feitio não poderiam ser destruídas, por isso preferiu-se lançar sorte. (Mt 27,35ss).
Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma tabuinha, que o condenado levava pendurado no pescoço até o local da execução; essa tabuinha foi afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de Jesus não indicava um crime, mas registrava simplesmente a expressão “rei dos judeus” (Mt 27,37). A inscrição era feita em três línguas: aramaico, o dialeto local; o grego, a língua do mundo romano e o latim, a língua oficial da administração romana.
A morte de Jesus foi muito rápida. Ele ficou suspenso à cruz algumas horas. Geralmente a morte dos condenados à cruz se dava depois de alguns dias após pregado. Este foi o caso dos dois ladrões que ladeavam Jesus: foram- lhe quebradas as pernas para que o fim fosse apressado, pois a Páscoa judaica se aproximava (Jo 19,32ss).
No Novo Testamento, o simbolismo teológico da Cruz só aparece em uma afirmação do próprio Senhor e nos escritos de São Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem tomar a sua própria Cruz, perdendo assim a vida, para depois conquistá-la (Mt 10,38). Não se trata apenas de alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu seguimento exige a negação de si mesmo (Mc 8,34), o total desprezo pela própria vida, pelo bem-estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir Jesus.
Paulo pregava o Cristo crucificado, embora isto fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios (1Cor 1,23). A linguagem da Cruz é absurda para aqueles que, sem ela, se perdem; entretanto é poder de Deus para aqueles que se salvam. (1Cor 1, 18) A Importância do Silêncio para Nossa Espiritualidade.
John Mckenzie

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Não Quero Mais Ser Evangélico!

O termo “evangélico” perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais, ser praticante e pregador do Evangelho (boas novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um seguimento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante – o seguimento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro. Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai, porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por profissionais da fé. Voltemos à consciência de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro; uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. Chega dessa “diabose”! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado.
(Retirado de parte do texto de Ariovaldo Ramos) Leia o artigo completo Aqui

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TUDO PODE COMEÇAR QUANDO ESTÁ A PONTO DE TERMINAR

A vida deveria ser encarada assim. De trás para frente. E isso pelo fato de que nós, os viventes, somos seres em construção. Não a construção que não pode ser utilizada, nem liberada, como acontece com as instalações das casas e/ou empresas; mas aquela que a olhos nus está pronta, contudo, é capaz de ser transitada, curtida, porém, eternamente carente de melhoramentos.
Tal filosofia se encaixa bem, a meu ver, nos relacionamentos entre os homens com homens e entre os homens e Deus. As pessoas se casam, idealizando um projeto de vida acabado, e quase sempre não sabem se realmente amam o (a) cônjuge e se estão dispostos a dividirem momentos bons e ruins. Então, quando se encontram no ápice da separação, da ruptura, do perder-se de vez do outro, do divórcio – e até depois deste -, realizam a descoberta de que sem aquela pessoa passar os dias na Terra não é tão interessante. Aí começam a celebrar o novo numa vida nova, após o caos total.
Do mesmo modo, se dá com as amizades… Elas trazem decepções, provações, testes, enfim, promovem dia-a-dia, ocasião a ocasião, um desvendamento do outro e de nós próprios capazes de fazer apaixonar por uma pessoa quase que inteiramente sem afeição. Vai entender! Tudo pode começar quando está a ponto de terminar.
Também vejo essa frase se explicar na relação com o divino, com Aquele que não precisa ser explicado e nem pode. Tanta gente, inclusive, eu, embarquei partindo do pressuposto que de Deus entendia tudo e mais um pouco, e que minha própria compreensão acerca Dele seria capaz de levar outros à Luz, quando na verdade, meu ser transitava em densas trevas.
Hoje, após tantos arranhões, daquilo que pensei que fosse e daquilo que as pessoas pensaram a meu respeito, ultrapassa a fronteira do fim de uma etapa e me encontro no início de algo maravilhoso, simples e sem condicionantes, e vejo que tudo pode começar quando está a ponto de terminar.
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião… Tudo roda termina e recomeça. Tem sido assim comigo, é assim com você? Rev. Edson Rodrigues

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OS CINCO DEFEITOS DE JESUS

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos num purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “…hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem. Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume… Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7,47)… A memória de Jesus não é igual à minha…

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado… “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7). Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração…

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa… procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma… (Lc 15,8-10)… de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma… O coração tem motivações que a razão desconhece… Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte…” (Lc 15,10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas” levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados… Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias… Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso. Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)… Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua… Vai que este aventureiro tem razão…? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira…! “A quem iremos?”…

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? …
Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida… Em que medida? Infinita.
Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.
C. Van Thuan

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CONFISSÃO DE PECADOS PARA MÚSICOS E SÚPLICA POR ARREPENDIMENTO

1- Confessamos e suplicamos arrependimento por termos nos desviado do Senhor Deus e da essência de nosso chamado;
2- Confessamos e suplicamos arrependimento porque muitos de nós “ministramos” sem ter certeza da salvação, sem ter passado pelo Novo Nascimento;
3- Confessamos e suplicamos arrependimento porque misturamos nossas iniquidades ao ajuntamento solene causando repulsa ao Senhor Deus;
4- Confessamos e suplicamos arrependimento por considerarmos a Casa de Deus um lugar comum e não uma Casa de Oração;
5- Confessamos e suplicamos arrependimento porque não vamos ao culto para adorar humildemente mas para “sermos vistos pelos homens”;
6- Confessamos e suplicamos arrependimento porque não usamos os dons que recebemos do Espírito Santo de Deus para servir a Igreja mas para nos exaltarmos acima de nossos irmãos;
7- Confessamos e suplicamos arrependimento porque ousamos tentar preencher a ausência do Espírito Santo nos cultos com nossas performances pseudo-piedosas;
8- Confessamos e suplicamos arrependimento porque nos últimos vinte ou trinta anos nossas músicas e ministérios não tem produzido temor e conhecimento de Deus, nem mais santidade em nós e em nossos irmãos, nem conversões genuínas, e muito menos promovido a glória devida ao Senhor nosso Deus;
9- Confessamos e suplicamos arrependimento porque se o meigo Filho de Deus entrasse hoje em nossas reuniões Ele quebraria nossos instrumentos, derrubaria no chão nossos equipamentos de som e chutaria nossos holofotes e diria: “Tirem daqui essas coisas! A Casa de meu Pai não é lugar de show!”;
10- Confessamos e suplicamos arrependimento por que não honramos a Palavra de Deus em nossas canções mas temos ensinado todo tipo de coisa estranha, humanista, antropocêntrica, sensorial, sensual, que nada tem a ver com a sã Doutrina;
11- Confessamos e suplicamos arrependimento por gostarmos de ser tratados como “ídolos” por nossos pobres irmãos e de ver que eles se aproximam de nós tremendo para pegar autógrafos como se fossemos “celebridades”;
12- Confessamos e suplicamos arrependimento porque chegamos depois que o culto começa e saímos antes que acabe pois se nossos irmãos conseguirem falar conosco, saberão que somos vazios e tudo em nós é só aparência;
13- Confessamos e suplicamos arrependimento porque mercadejamos nossos dons, talentos e ministérios, trazendo desonra e escândalo ao Deus que dizemos servir;
14- Confessamos e suplicamos arrependimento porque somos semelhantes a Igreja de Laodicéia; pensamos ser ricos, abastados não precisando de coisa alguma, e nem imaginamos que somos infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus;
15- Confessamos e suplicamos arrependimento porque tiramos o púlpito de nossas igrejas, elevamos as plataformas, enchemos tudo com canhões de luz e criamos coxias e assim o ensino e pregação da Palavra de Deus ficou em 3º ou 5° plano;
16- Confessamos e suplicamos arrependimento porque embora cansados e empapuçados com nossas canções e ministérios não temos a coragem de parar, refletir e ver aonde tudo isso tem nos levado a nós e ao pobre povo que ainda ouve nosso badalar de sino;
17- Confessamos e suplicamos arrependimento porque temos roubado a glória que só ao Senhor Deus pertence e temos acumulado sobre nós mesmo terrível juízo;
18- Confessamos e suplicamos arrependimento porque deveríamos “pendurar nossas harpas nos salgueiros e chorar junto aos rios de Babilônia” até que a Igreja do Deus vivo fosse expurgada de toda a vaidade que promovemos no meio dela:
19- Confessamos e suplicamos arrependimento porque deveríamos parar com tudo o que estamos fazendo e talvez passar um ano ou mais cantando só os hinos tradicionais ao som do órgão até que sejamos convertidos e restaurados pelo Senhor Deus;
Que o Senhor tenha misericórdia de nós! Stenio Marcius

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“HÁ ABUSOS EM NOME DE DEUS”

“Há abusos em nome de Deus” – Marília Camargo César

Jornalista relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos.

Clique para ler a entrevista na Revista ÉPOCA.

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Que Jesus é Este?

Jesus não pregou a vinda do Reino com armas nas mãos. Jesus não causou feridas, mas curou feridas. Jesus não decretou a luta de classes, nem a guerra santa em nome de qualquer tipo de libertação. Jesus não quis dominar mas servir. Jesus recusou todo tipo de poder, a demagogia, a violência, a manipulação de pessoas, a força, a coação. Jesus não se comprometeu com nenhum grupo, partido político ou religioso. Jesus vem a ser um revolucionário no sentido verdadeiro e radical da palavra.
Por seu modo de pensar, falar e agir. A maneira de ser de Jesus renova e transforma a pessoa de dentro para fora, remove raízes políticas, econômicas, sociais, culturais religiosas, profundamente injustas, opressivas e desumanas. Sim, a religião também é opressão quando produz discipulos em série, envolve o domínio do marketing consumista, refreando a possibilidade das pessoas pensarem livremente. A religião é opressiva quando cria uma relação de simbiose entre irmãos, quando
produz concorrência denominacionalista, quando produz um messianismo pessoal do deus para si mesmo. Jesus veio para romper com tudo isso. Jesus veio mostrar que não há um ser humano que pense que pode, se não encontrando-se com a graça de Deus, que não lhe pede nada, não lhe imprime nada, não negocia nada, apenas mostra que, seja o que for, como for, o amor de Deus é plural, é a-paradigmático, é inextinguível, é anti-segregacional, é a-religioso, é a-temporal. Que ama a quem quer, como quer, do jeito que quer, quando quer e ele quer sempre. Jesus vem mostrar que embora todas as estruturas religiosas de poder possam eliminar faltosos e “pecadores”, ele continuará acolhendo, para ir transformando e convertendo o desumano para se tornar como ele, divino e humano de corpo e alma, amando e sendo amado, sem eliminar,
excluir, sem descartar, sem consumir. Por isso Jesus revoluciona. Esse é Jesus e não o caracturado por tantos púlpitos nefastos que mancham e desfiguram a mensagem da cruz. Luiz Bueno

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QUAL A DIFERENÇA ENTRE A IGREJA EVANGÉLICA E AS OUTRAS EMPRESAS?

Parafraseando Thomas Campbell, um Bispo Anglicano: A igreja evangélica deveria ser a única “organização” que trabalhasse em prol dos que estão fora dela”.

Mas infelizmente ela não é o diferencial da outras organizações seculares, 99% dos seus recursos são aplicados nela mesma”. E ainda Jesus já ensinava: “Vós sois a luz do mundo… vós sois o sal da terra, se o sal vier a ser insípido, para nada mais presta do que lançado fora e ser pisado pelos homens”. Qual a diferença da igreja evangélica para as empresas? Nenhuma. Pode-se pensar na pregação, mas que adianta pregação sem ação.

Deveríamos falar menos e fazer mais… Menos discurso e mais ação. Menos pregação e mais doação. Menos gastança e mais oferecimento. Menos acúmulo e mais distribuição. Toda centralização é demoníaca e reflete o sistema satânico que nos submete. Sistema que está nas mãos da impiedade. Todas as vezes que a igreja prega centralização ela está nada menos do que buscando sua própria estabilidade e desejando viver longe de Cristo. Parece que não foi bem isso que Jesus ensinava.
Kyrie Eleison

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PASTOR EXECUTIVO, PASTOR EXECUTADO

“…quanto a nós permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da Palavra”…” (Atos dos apóstolos 6.4).

A igreja evangélica ocidental está se secularizando a passos largos. Creio que se Nosso Senhor Jesus Cristo não voltar logo, estaremos fadados à famosa declaração que Cristo fêz à igreja da cidade de Éfeso no final do século I: “tenho porém contra ti, que abandonaste o teu primeiro amor (ágape),… se não virei a ti e moverei o teu candeeiro”. Faço esta afirmação, pois olhando para a história da igreja, desde os primórdios, muita coisa mudou e continua mudando.

Partindo deste princípio, fico avaliando minha vida ministerial e a vida de meu companheiros de mesma “categoria”. O texto retirado de Atos dos apóstolos que deveria ser um princípio inegociável tornou-se atualmente um chargão evangélico. Os apóstolos, presbíteros e anciãos foram comissionados por Cristo, o Cabeça da igreja para se dedicarem a duas práticas somente e bem específicas: Oração e Catequese ou Devoção e Ensino.

Hoje encontramos os bispos, presbíteros, anciãos, envolvidos com uma enormidade de atividades, seja dentro ou fora do âmbito paroquial. São nada mais, nada menos que executivos eclesiásticos. Gastam todo tempo realizando ações que jamais foram chamados por Cristo a fazerem.

Vivemos o ativismo eclesial, somos produto de uma sociedade consumista que imprime novos padrões de vida até mesmo para os que assim são chamados “povo de Deus”. À época do antigo povo de Israel, também encontramos os executivos religiosos. Eram sacerdotes, profetas que viviam dentro dos palácios dos reis e que na sua vida negavam o próprio chamado e a vocação divinas.

Vivemos a necessidade de produzir. O bispo, pastor, padre, presbítero ou ancião deixaram a prática da oração e da catequese e hoje são obrigados a ter que fazer as suas comunidades “produzirem” pessoas “convertidas”. E aí manifestamos nossa mais plena forma de apostasia.

Estou pronto a dizer “não” a esta prática. Irei lutar com todas asminhas forças contra o secularismo e o paganismo que invadem a vida pastoral por meio do sistema eclesiástico que vivemos. Cristo não me chamou para fazer a igreja dele crescer, Ele não me chamou para ser um “Executivo” da igreja, ou um missionário pra fazer “as coisas do Espírito Santo” acontecer. Peço a Deus que Ele me ajude a lutar contra este sistema demonológico que direciona a mente dos que assim se acham os “donos” de uma igreja que foi comprada por preço de sangue imaculado.

Durante meus 23 anos de vida pastoral, acredito que fiz muito mais o gênero “executivo” do que fui fiel ao chamado vocacional. O que colhi disso? Depressão, amargura, angústia e somatizações as mais variadas. Deixei de viver minha vida, minha familia e embotei meus sentidos. Tudo porque a igreja impregnou-me a visão da produtividade religiosa.

O pastor faz de tudo nas igrejas de hoje, menos praticar uma regra de oração cotidiana e catequizar as pessoas. E ainda mais há os que se arvoram na vida pública buscando cargos políticos se utilizando de títulos eclesiásticos.

Chega! Ou tomamos atitudes radicais ou nos conformaremos a este mundo que vive dentro da igreja e jamais passaremos pela metamorfose espiritual a fim de nos preparar para o grande e temível Dia do Senhor. Não desejarei fazer qualquer capricho evangélico de pessoas. Que Deus me ajude a voltar-me à oração e ao ministério da palavra.

Kyrie Eleisón.

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Pastores e Lobos

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos”. Mt 7:15-16
Pastores e lobos têm algo em comum. Ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.
Pastores cultivam o aprisco; lobos criam armadilhas. Pastores buscam o bem das ovelhas; lobos buscam os bens das ovelhas. Pastores vivem à sombra da cruz; lobos vivem à sombra de holofotes. Pastores choram pelas suas ovelhas; lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual; lobos são autoritários e dominadores. Pastores têm esposas participantes; lobos têm mulheres coadjuvantes. Pastores têm fraquezas; lobos são poderosos. Pastores olham nos olhos; lobos contam cabeças. Pastores são ensináveis; lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos; lobos têm admiradores. Pastores vivem o que pregam; lobos pregam o que não vivem. Pastores sabem orar no secreto; lobos só oram em público. Pastores vivem para suas ovelhas; lobos se abastecem das ovelhas. Pastores vão para o púlpito; lobos vão para o palco.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas; lobos se interessam pelo crescimento das ofertas. Pastores alimentam as ovelhas; lobos se alimentam de ovelhas. Pastores buscam a discrição; lobos se autopromovem.
Pastores usam as Escrituras como texto; lobos usam as Escrituras como pretexto. Pastores se comprometem com o projeto do Reino; lobos têm projetos pessoais. Pastores vivem uma fé encarnada; lobos vivem uma fé espiritualizada. Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem independentes de homens; lobos criam ovelhas dependentes deles.
Pastores são simples e comuns; lobos são vaidosos e especiais. Pastores tem dons e talentos; lobos tem cargos e títulos. Pastores dirigem igrejas-comunidades; lobos dirigem igrejas-empresas. Pastores pastoreiam as ovelhas; lobos seduzem as ovelhas.

(adaptado de Osmar Ludovico)

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Vox Dei e Missio Dei

Buscando fontes do Cristianismo Oriental, a missão e oração estão tão conectadas e interligadas que os Monges Russos compreendem que ao se preparar para sua tarefa, “ele se retira do meio dos homens, afasta-se do seu ruído, das suas palavras, das suas críticas e do meio dos seus louvores e aceita a disciplina, crucificando sua carne e aniquilando sua ‘vontade própria egoísta’ pela obediência. A oração e o pensamento de Deus preparam sua alma para receber a graça. Ele se cala durante longo tempo. Mas chega o dia em que sente a necessidade interior de falar, de agir abertamente, como afirma Seraphim de Sarov, para a glória de Deus”.

A missão jamais deve prescindir a oração. A oração significa o silêncio da alma em Deus. A busca pela sua vontade e a compreensão de seu querer. Na verdade, a missão é a consequência da oração. Oração que não se faz num momento, mas que se torna contínua e perseverante, pois seu propósito não é fazer Deus responder as nossas inquietações e problemas mas sim de, nas inquietações encontramo-nos com Deus, a fim de que possamos ajudar-nos uns aos outros por meio de nossa missão.

Assim não somente abrimos a boca cheia da graça de Cristo, como ensinamos com nossa boca fechada. Não porque deixamos de falar, mas sim porque nos permitimos comunicar por meio do silêncio do coração.

A missão então, torna-se de fato a “missio Dei” (missão de Deus).
Luiz Bueno

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Jerusalém, Jerusalém, que apredejas os profetas.

Como é difícil aprender a arte da obediência. Por milênios, Israel recebeu de Deus os seus mensageiros. Eram profetas e profetizas, mulheres e homens que por causa do chamado de Javé encarnavam uma única mensagem: “Aprendam o que significa, misericóridoa quero e não culto”. Ou entre outras: “O obedecer é mais importante para Deus do que cultuar”. Mas como esta categoria de profetas era castigada. Todos ou quase todos eram perseguidos pelos reis e pelo povo, apedrejados e mortos. Tudo porque o coração do povo era lento em obedecer a mensagem de Deus.

Hoje, muitos pastores e mestres também passam pela mesma situação. Quando as comunidades desejam um pastor, o chamam, fazem uma festa de inauguração, mas com o tempo se voltam contra ele ou mesmo o tratam com indiferença, pois são lentos em obedecer. Desejam na verdade um “executivo” e quando suas palavras parecem duras, buscam tirá-lo de sua função e buscar outro que seja mais adaptável aos seus costumes e princípios.

O problema do homem, seja o crente evangélico ou o homem sem qualquer noção de religiosidade evangélica revelam o mesmo coração. O que estes corações reproduzem, é o mesmo que a nação de Israel revelava quando tentavam criar um motim para tirar Moisés de sua função. Não desejam obedecer, não querem obedecer, não querem ser disciplinados e não desejam a disciplina. Rejeitam tanto a Palavra quanto o mensageiro da Palavra.

O resultado é trágico. Jesus, ao olhar para a Cidade de Jerusalém, profere uma palavra: “Eis que haverá dias difíceis, pois não reconheceste o tempo de tua visitação”. Todas as vezes que o homem rejeita seus mensageiros, rejeitam ao Senhor e a sua Palavra. Por isso há comunidades inteiras vivendo como “bebês” espirituais, se dividem e se amotinam, porque seus corações apenas desejam mensageiros que falem palavras que produzam sons acalorados e ternos, pois obedecer é muito complicado. Submeter-se a homens jamais, somente a Deus, dizem. Mas não compreendem que a verdade é carregada por estes servos, que embora frágeis são o recipiente da Palavra da Vida.
Luiz Bueno

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UMA CRISE DE OBEDIÊNCIA

A finalidade da fé salvadora é levar toda pessoa a produzir obediência, isto é, praticar obras de justiça. O apóstolo Paulo já afirmava aos Romanos que a fé produz a obediência (1:5). Nosso Senhor Jesus sempre vinculava a fé e as obras. Ao enfatizar a necessidade de crer, também mostrava que as obras eram o meio pelo qual a fé se tornava viva. Não havia fé sem obediência e não havia obediência sem a fé. Este era o princípio fundamental para todo e qualquer discípulo.
Quando olhamos as máximas paulinas para as comunidades do novo Testamento, o princípio de obediência está claro. Não pode haver um cristão que não esteja pronto a obedecer, a servir ao outro, a amar o outro, e a aprender a se sujeitar ao outro. Na comunidade dos discípulos não havia democracia, os apóstolos que possuíam a função de orientar, pastorear, conduzir as comunidades deveriam então, devido a este princípio, ser respeitados e levados em grande consideração. (Hb 13.7).
Mas hoje em dia, parece que este princípio tem sido descartado devido a algumas razões históricas e contextuais. A primeira razão é histórica. Somos reflexo de um movimento filosófico na Europa a partir do século XVII que deu ao ser humano poder para julgar tudo segundo a sua própria consciência. Este movimento foi o conhecido Iluminismo. Promovia a luz interior. Cada pessoa poderia encontrar a verdade que procurava dentro de si e cada um era suficiente capaz para exercer controle sobre as coisas e julgar a todos. A consciência era “intocável”. Assim as hierarquias começaram a ser questionadas e dinamitadas. Embora sociologicamente este movimento foi muito positivo, espiritualmente foi uma derrota.
Depois de tantos anos, no pós-modernismo, não apenas não queremos que ninguém cuide de nossa vida como também nem Deus pode mandar em nós. Aqueles que são colocados na função de Guias e Orientadores não possuem a autoridade de disciplinar a nossa vida. Podemos amar aquele que não vemos (Deus) e odiar aquele que vemos (o semelhante). Podemos até ser obedientes a Deus e mas jamais aos homens. Somos conduzidos mais pela noção de sociedade do que pela noção de Corpo de Cristo. Nas denominações não conseguimos sequer nos submeter àqueles que foram ordenados para tal e logo saímos com a premissa: “Quero os meus direitos”!
Se oramos por avivamento, devemos aprender o princípio da obediência. Discípulos e crentes cheios de fé, são homens e mulheres que buscam viver na terra princípios eternos. Quando Deus não responde nossas orações com um “não”, quais os concílios superiores que vamos buscar? Quando alguém investido de autoridade não corresponde a nossa noção pessoal de justiça, a quem vamos recorrer? Mudaremos de emprego? De igreja? De Colégio? De Faculdade? É melhor então, cairmos fora do discipulado antes que seja tarde.
“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-se uns aos outros, por temor a Cristo. (Ef 5.13-21
Luiz Bueno

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ENTRE O MONTE DA TRANFIGURAÇÃO E O VALE DOS ENDEMONINHADOS

O mundo muda em questão de segundos. O sistema social que vivemos imprime cada vez mais forte um estilo de vida monstruoso. O diagnóstico mais comentado de mortes por Infarto é o stress. Vivemos dentro de uma jaula social, comendo-nos e sendo comidos. Cada vez mais as cidades de porte médio estão se tornando metrópoles e as metrópoles estão cada vez mais se fazendo um aglomerado de gente. A zona rural está se transformando em cidades-fantasma.

No meio disso tudo vive a igreja. A maioria dos fiéis tende a buscar refúgio em seus guetos. Outros estão buscando viver sua fé longe deles, pois estes bolsões evangélicos já não correspondem e respondem às suas necessidades pessoais. A igreja da prosperidade cada vez mais está caindo no ridículo e virando uma panacéia. Não há respostas concretas para problema concretos. A igreja deste século não consegue responder as inquietações por que se secularizou, se dessacralizou e violou um dos maiores bens que o Espírito Santo deixou: a Sacramentalidade.

Quanto mais longe ela viver dos mistérios divinos e mais separada do paradoxo divino-humano, menos poderá responder aos descaminhos da sociedade. A igreja precisa transitar entre o monte da transfiguração e o vale dos endemoninhados. O problema é que ela se enclausurou no vale e esqueceu o monte. “É necessário uma IGREJA que olhe com cuidado para a rede de pobreza extrema nacional” (J.H.Barro). A igreja está preocupada com as migalhas de Copas de Futebol e Olimpíadas Esportivas, vive sempre à reboque do que vai a Sociedade e não consegue viver na vanguarda por que não subiu ao Monte da Contemplação. A igreja quer viver isolada no meio dos problemas sociais tentando remediá-los com princípios paleativos empresariais.

Cada vez mais começam a existir os crentes “sem-igreja”. Nas palavras de J.H. Barro “O sagrado que permeava a vida das pessoas, influenciando-as no seu dia-a-dia, vai sendo superado por outras formas racionalistas de encarar a realidade. Um dos efeitos da secularização pode ser a privatização da religião e suas instituições, que, pela variedade de valores que oferecem ao consumidor, faz surgir o que se chama de religião invisível”. A igreja precisa acordar para esse gigante chamado secularização”.

Os jovens quando não buscam uma “fé sem a igreja”, estão buscando uma “igreja sem fé”, somente motivados por encontros de sociabilização com “cara de culto”. Cresce a categoria de “crentes sem religião”, que valorizam a fé, mas não se vinculam a uma igreja. Enquanto a igreja continuar se alimentando da secularização, adaptando seus cultos a programas de Sociedades Filantrópicas, a fazer de seus pastores “executivos’ bem sucedidos e os seus Seminários com jeito de Universidade, não haverá solução do Espírito Santo.

A Igreja necessita voltar para a Sacramentalidade, a contemplação do Sagrado, aos símbolos de fé, sem querer dissecar Deus e Santíssima Trindade, precisa falar menos e a orar mais. Enquanto isso as pedras clamam, os samaritanos indesejáveis aparecem, os “pagãos” escrevem livros de auto-ajuda com cara de espiritualidade sem terem lido um só dos mandamentos da Bíblia. Até quando a igreja vai querer viver um cristianismo sem cruz e sem sacramento?

Como bem afirma J.H.Barro: “as Conferências Missionárias não têm mais um caráter reflexivo, mas lucrativo. Apela-se para os resorts, os hotéis, a comida, e a Conferência torna-se um pano de fundo”. Queremos ser como as empresas, não somente na forma mas no espírito também. Precisamos de uma nova Reforma Religiosa. Não de constituições ou de confissões, mas de culto, de devoção, de contemplação. Por que quanto mais de Deus contemplarmos, mais eficaz será a nossa missão no vale dos endemoninhados.
Luiz Bueno

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